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BH: o Centro como centralidade

25 de agosto, 2019
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Coluna. Bairro exige um olhar bem mais específico e todas as possibilidades que envolvem a região merecem ser consideradas

Como você vê o Centro de Belo Horizonte? Confuso, caótico, sujo, ocupado de maneira pouco coerente com a importância dessa região da capital? Como arquiteto vejo o Centro, além de tudo aquilo que ele representa historicamente e urbanisticamente, como a região da cidade com a melhor infraestrutura: água, luz, esgoto. Sendo assim, por que o nosso Centro é tão negligenciado?

Se pegarmos como exemplo o que acontece na Europa, tudo lá se volta à requalificação das regiões centrais das cidades. A reorganização do Centro como o coração pulsante de um pequeno município ou de uma metrópole é uma ideia bem clara na realidade do velho continente. Afinal, o Centro de uma cidade funciona como um núcleo e ela começa a se expandir e a se abrir num raio que se alarga sempre a partir dele.

Em Belo Horizonte acontece o contrário: o Centro está abandonado. Não se vê nenhum tipo de incentivo, nem do Poder Público, nem da iniciativa privada, de se pegar o Centro e transformá-lo, mesmo que seja redundante dizer, numa centralidade. As possiblidades? São muitas!

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Imagine um verdadeiro e inteligente uso misto desta região? E se o Centro se tornasse mais convidativo para as caminhadas, com mais áreas verdes, praças e pontos de convívio, oferecendo percursos mais agradáveis e amigáveis para poder transitá-lo e desfrutar de tudo o que ele pode oferecer? E se mais pessoas – a maioria que trabalha no Centro vive distante dele – pudessem habitar na região? Uma das possibilidades seria poder construir no Centro edifícios mais altos e sem a obrigatoriedade de vagas de garagem (situações que a legislação atual não permite).

Prédios mais altos significam maior área permeável que pode se transformar em espaços públicos; menos vagas de garagem representam uma possibilidade de oferecer mais unidades habitacionais por edifício, com um custo menor e atendendo a pessoas que hoje preferem caminhar ou utilizar transportes alternativos, como bicicletas ou patinetes. Claro, tudo isso estaria dentro de um planejamento muito maior e mais abrangente. Mas são de soluções como essas que partem as mudanças. Mudanças que têm impacto na qualidade de vida das pessoas e da cidade de uma forma geral (basta imaginar que algo do gênero serviria, por exemplo, para desafogar o trânsito tão caótico da capital).

A verdade é que o Centro exige um olhar bem mais específico e todas as possibilidades que envolvem a região merecem ser consideradas, pensadas e avaliadas. Não é mais um ponto da cidade ou um bairro: ele é O BAIRRO. Em Belo Horizonte temos partes da região central extremamente degradadas. E não me refiro ao Centro considerando somente certas áreas no entorno da avenida Afonso Pena ou proximidades da Rodoviária. Falo sim de uma área realmente abrangente, que engloba a Praça da Estação, passa pelas ruas Tupinambás e Caetés, até chegar em partes mais altas, como a avenida Álvares Cabral. Sinceramente, ainda não existe um projeto expressivo que contemple o Centro como o indispensável elemento que ele deve ser, como o verdadeiro coração da cidade. Uma coisa é clara: temos que rever o olhar que se tem sobre o Centro, pois Belo Horizonte perde muito, a cada dia, deixando de requalificá-lo.

Texto: Bernardo Farkasvölgyi – [email protected]
Foto: Glauco Lúcio

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