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BH Minha Cidade: Uma aventura de JK

13 de agosto, 2019
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Começo de tudo. Oscar Niemeyer foi fundamental no projeto ousado do então prefeito para criar a Pampulha

Belo Horizonte se esforçava para deixar para trás sua imagem de cidade de funcionários e assumir uma posição de destaque como polo industrial nos anos 1940. Naquela ocasião, o médico Juscelino Kubitschek foi nomeado prefeito pelo interventor Benedito Valadares e logo passou a agir sobre as “doenças” da cidade: suas primeiras obras consistiram em renovar a pavimentação da zona central, asfaltar a avenida Afonso Pena e tornar realidade a avenida do Contorno. Com 12 quilômetros, pouco tempo depois a nova avenida seria inaugurada pelo presidente Getúlio Vargas.

Assim a historiadora Lúcia Lippi Oliveira, da Fundação Getúlio Vargas, retrata parte importante da jovem capital dos mineiros.
Ela lembra que JK passou para a história da cidade como o “prefeito-furacão”, pela quantidade e rapidez das obras que realizou. E a Pampulha foi uma, ou talvez a mais importante.

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“Havia em Belo Horizonte uma barragem, resultante do represamento de diversos córregos, iniciada na gestão anterior de Otacílio Negrão de Lima para de resolver os problemas de fornecimento de água para a cidade. Juscelino olhou para o empreendimento sob nova perspectiva e vislumbrou o potencial turístico e de lazer que o projeto poderia conter. Convocou o arquiteto Oscar Niemeyer e começou a aventura que marcaria não só sua passagem pela prefeitura de Belo Horizonte como, mais tarde, a construção de Brasília. A novidade chamava-se Pampulha”, escreveu a historiadora.

Lúcia Lippi Oliveira observa que o conjunto da Pampulha, idealizado por Juscelino e projetado por Niemeyer, incluía o Iate Clube, o Cassino, a Casa do Baile e a Capela de São Francisco de Assis.

“O cassino serviria para colocar Belo Horizonte no circuito das estâncias hidrominerais de Minas Gerais, que faziam grande sucesso. Na verdade, foi fechado no governo Dutra para só reabrir em 1957, quando se tornou Museu de Arte. A capela foi a primeira igreja moderna do Brasil. A Oscar Niemeyer juntaram-se o pintor Santa Rosa, que desenvolveu o projeto de decoração interna dos edifícios, o paisagista Burle Marx, que planejou os jardins, e Portinari, que realizou os quadros da Via Sacra da capela, desenhou os azulejos da parte posterior Casa do Baile.

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A ousadia de Niemeyer em renovar um espaço religioso tradicional causou enorme estranhamento na população e reações negativas na Igreja Católica. Basta lembrar que as autoridades eclesiásticas se recusaram a consagrar a igreja da Pampulha. Os jornais da época criticaram a arquitetura da capela, dizendo que a arte e a arquitetura modernas eram inadequados para a construção e a decoração de igrejas”, relatou.

Em conversas com amigos – e nas páginas do seu livro “As Curvas do Tempo: Memórias”, de 1998, Niemeyer disse que a Pampulha significou um despertar na sua carreira, servindo de referência até para o projeto de Brasília, inaugurada em 1960 e fruto da sua parceria com o urbanista Lúcio Costa (1902–1998). “A Pampulha foi o começo da minha vida de arquiteto”, registrou o mestre.





Fotos: CPDOC

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