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BH Minha Cidade: Sion

12 de outubro, 2019
Jornal da Cidade BH Notícia boa também dá audiência!

História. Abertura da BR-3, atual Avenida Nossa Senhora do Carmo, nos anos 1950, possibilitou o povoamento do Sion

Na década de 1950, a canalização do Córrego Acaba Mundo deu origem à Rodovia BR-3, atual Avenida Nossa Senhora do Carmo. Com isso, o bairro Sion passou a receber muitos moradores e viveu um importante crescimento.

O nome do bairro veio por causa de um colégio de freiras homônimo, de origem francesa. De excelente reputação, a instituição era destinada exclusivamente à educação de meninas e moças da alta sociedade belo-horizontina.

Até hoje, o prédio que abrigou a escola funciona como centro educacional, só que agora sob a denominação de Colégio Santa Doroteia.

Mas a primeira planta aprovada pela Prefeitura de Belo Horizonte do bairro foi em 1928. Na época, as dificuldades de acesso e a distância do centro urbano fizeram com que o lugar ficasse quase isolado, até sua expansão, a partir dos anos 1940 e 1950.

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O publicitário Jenner Leite Dias, que escreveu o livro “Sion – Memórias de Um Bairro” (tema da entrevista, na segunda página deste caderno BH Minha Cidade) conta que o povoamento do bairro foi incentivado também pelo então governador Juscelino Kubitschek – que já havia sido prefeito de Belo Horizonte.

Morador do bairro desde os anos 1960, Dias conta que o Sion tinha, no início, casas sem muro, com belos e bem-cuidados jardins. “Era uma área estritamente residencial, sem perigo algum, sem violência, parecia uma cidade do interior”, observa.

No seu livro – que será lançado em breve -, o escritor conta a história de Jaime Dolabella, dono da fazenda que ali existia e que doou parte do terreno para as irmãs da congregação Sion para a construção do colégio. “A parte da fazenda cedida pelo Seu Jaime começava no final da Rua Grão Mogol, que era toda de terra, até uma mata atlântica ainda existente na época”, afirma.

SION EM DETALHES

  • IDH: 0,973 – O índice varia de zero (nenhum desenvolvimento humano) a um (desenvolvimento humano total)
  • VIZINHANÇA: Savassi, Anchieta, Cruzeiro, Mangabeiras e São Pedro
  • NÚMERO DE DOMICÍLIOS: 350
  • POPULAÇÃO ESTIMADA:  19.700 (Censo de 2010)
  • SEGURANÇA: Mais de 1.000 pessoas estão em grupos de aplicativos, com apoio da Policia Militar de Minas Gerais (Sion Unido)
  • LINHA DO TEMPO (Datas relevantes)
    1899: Criação do Núcleo Agrícola Adalberto Ferraz, composto por vários bairros, incluindo o Sion
    1928: Realização dos primeiros
    loteamentos no bairro
    1979: Conclusão das obras da Avenida Bandeirantes que corta cinco bairros, entre eles o Sion
    1995: Inauguração do Parque Mata das Borboletas, criado por decreto em 1992




FONTE: ARQUIVO PÚBLICO/ACERVO PBH

Religiosidade como referência

Curiosidade. No Sion, ruas, avenidas e até praças prestam homenagem a diversos países

O Sion não chega a ser um bairro turístico da capital mineira, como a Pampulha, a Savassi e o Centro. Mas tem lá seus atrativos. Um deles é sua religiosidade, destacada pela presença da bela matriz de Nossa Senhora do Carmo e do Colégio Santa Doroteia, que pertence à congregação católica de mesmo nome. Mas o bairro tem uma curiosidade marcante: suas ruas, avenidas e praças prestam homenagem a diversos países. Chicago, Chile, Flórida, Estados Unidos, Groenlândia: esses lugares são também nomes de algumas vias do bairro, assim como Uruguai, Canadá, Montevidéu e Costa Rica. Veja outros atrativos:

1 Colégio Santa Doroteia

Fundado em 1962, o antigo Colégio Sion remonta os 175 anos da Fundação da Congregação das Irmãs de Santa Dorotéia, iniciada por Paula Frassinetti em 1834, na Itália. Sua proposta educativa estrutura-se a partir da filosofia da religiosa, que propõe diálogo permeando as relações entre educador e educando; valoriza a interiorização, a tomada de consciência quanto a questões pessoais, morais e espirituais; e preocupa-se com o testemunho cristão. O colégio faz um trabalho social importante por meio da Casa Santa Paula, situada no Morro do Papagaio.

FOTO DIVULGAÇÃO JC/SANTA DOROTEIA

2 Igreja Nossa Senhora do Carmo

A paróquia foi criada em 1940 por D. Antônio dos Santos Cabral, da Congregação dos Carmelitas, no antigo bairro Mendonça, que mais tarde veio a ser o bairro do Carmo-Sion. Era uma igreja acanhada, e somente em 1963, com a ajuda da comunidade, foi construída a matriz de hoje, grandiosa e imponente. A imagem de Nossa Senhora do Carmo foi feita por um artista português no Rio de Janeiro. E da Holanda foi encomendado o carrilhão com 37 sinos e o relógio da torre. Hoje, a instituição oferece uma série de serviços à população, gratuitamente, em suas instalações, com foco maior em pessoas carentes. Entre eles estão: ambulatório médico, biblioteca, fisioterapia, psicologia, creche e centro de defesa da criança e adolescente.

FOTO DIVULGAÇÃO JC/IGREJA NS DO CARMO

3 Parque Municipal Mata das Borboletas

Implantado em 1995, o parque ocupa uma área de aproximadamente 35.500 m² e oferece, como opções de lazer, brinquedos, trilha ecológica, equipamentos de ginástica e área de convivência e contemplação. O local possui duas nascentes que abastecem a Bacia do Córrego Acaba-Mundo e um pequeno lago artificial. Sua área é totalmente permeável e funciona como recarga do lençol freático. Fonte de alimento e abrigo para a fauna silvestre, o espaço apresenta uma grande quantidade de borboletas, o que deu origem ao seu nome. Com entrada franca, funciona de terça a domingo, das 8h às 18h.

FOTO DIVULGAÇÃO JC/PBH

4 Praça Alaska

Recentemente recebeu o nome de Praça Deputado Renato Azevedo, mas todos a conhecem ainda como Praça Alaska. Muito arborizada e tranquila, é uma referência do bairro, porque começa na Avenida Bandeirantes, que faz ligação com outro bairro importante da região, o Mangabeiras. É um bom espaço para correr e brincar, mas tem playground bem modesto; é rodeada por um supermercado, lanchonete, posto de gasolina, uma banca de revista e prédios residenciais. Ela faz parte do programa “Adote o Verde” da Prefeitura.

FOTO DIVULGAÇÃO JC/PBH

5 Praça JK

Fundado em julho de 1990 e implantado em 1995, quando era chamado de Parque do Acaba Mundo, a Praça Juscelino Kubitschek ocupa uma área de aproximadamente 28 mil m². Como opções de lazer, ela oferece quadra de futebol, equipamentos de ginástica, equipamentos de alongamento para a terceira idade, pista de caminhada, áreas de convivência com bancos e mesas, brinquedos e um espaço para a realização de atividades culturais e esportivas.

FOTO DIVULGAÇÃO/PBH

Entretenimento para todos

Gastronomia. Pé de Cana é o boteco mais famoso, mas o Sion também oferece pubs, choperias e até cantina italiana

Botecos, pubs, cantinas, choperias. O Sion também é lugar de se divertir, seja no almoço do fim de semana, no happy-hour ou pra quem curte as baladas noturnas.

O principal protagonista do bairro é, sem dúvida, o Bar do Antônio, mais conhecido como Pé de Cana. Fundado em 1964, é um point bastante procurado dia e noite, devido aos seus petiscos fartos e pratos de comida caseira, onde a criatividade impera. Tanto que o estabelecimento já ganhou diversos concursos importantes de gastronomia, como o Festival Comida Di Buteco.

A história que envolve o apelido de Pé de Cana ao Bar do Antônio é tão importante que está até no cardápio. Veja o que diz o texto:

“Naquela época, tinha-se por costume jogar o restinho de pinga para homenagear o santo, o que era feito no canteiro em frente ao bar. De tanto de se jogar pinga no local, falavam que nasceria um pé de cana ali, e foi o que aconteceu. Em uma madrugada, por brincadeira, alguns clientes plantaram um pé de cana no local onde as pingas eram derramadas. A planta acabou crescendo e logo virou patrimônio dos clientes, e claro, do bar”. Isso mesmo, de uma brincadeira surgiu a fama.

Mas o Sion também é mais agito. Como as duas casas do gaúcho radicado em BH André Sassen Panerai, que apostou na região para prosperar seus negócios.

Há seis anos lançou a primeira semente com a inauguração do Jângal Bar. Planejado a partir do quintal de uma casa, o estabelecimento propõe a interação com a natureza em todos os seus ambientes, numa mistura peculiar de bar de quintal com pub.

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“O Jângal é difícil de definir, mas o conceito mais apropriado que criamos foi PubGarden, já que dispomos as mesas, cadeiras e até o palco, rodeados de muitas plantas e flores”, define André.

A segunda semente do empresário então foi lançada e floresceu não muito distante dali. O Gilboa, que traz no nome referência à floresta mais antiga do mundo, foi inaugurado menos de um ano depois, numa espécie de ideia complementar. É uma opção mais balada, funciona até mais tarde, tem música mais alta e a programação mais democrática, que vai do sertanejo ao funk.

Para quem gosta de comida italiana tradicional da boa uma opção é o Un`Altra Volta. Aconchegante, ele funciona em um casarão dos anos 1950 reformado.

A especialidade é a cozinha italiana, mas sem deixar de lado a modernidade da cozinha contemporânea. A proposta é ser a extensão da casa de cada um dos clientes, com a oferta de massas artesanais produzidas in loco.

Frequentemente, os proprietários Pedro Almeida e Júlia Guimarães promovem festivais com pacotes fechados, normalmente válidos nos dias de semana. Já tiveram eventos de trufas, pizzas e risotos. Mas a criatividade não para, então pode aguardar que em qualquer dia desses vem uma novidade por aí.





Entrevista com Jenner Leite

Morador do bairro desde criança, publicitário mineiro escreve livro com fatos e causos marcantes da região e espera apoio para fazer lançamento

Os tempos em que se brincava de carrinho de rolimã pela rua Montevidéu com Grão Mogol não voltam mais. Mas estão nas lembranças do publicitário e empresário Jenner Leite, morador do Sion desde que se entende por gente. E foram essas lembranças que o levaram a escrever o livro “Sion, Memórias de um Bairro”, que será lançado em breve.

Na obra, o escritor promete histórias, emoções e muitos “causos” curiosos – alguns divertidíssimos e outros nem tanto. “Levei dois anos para escrever, mas creio que consegui mostrar fatos relevantes da minha infância, adolescência e fase adulta. Minha vida foi e é toda ligada ao Sion”, observa.

Nesta entrevista exclusiva ao JORNAL DA CIDADE, ele pincela algumas histórias de lugares e personagens que fizeram e fazem parte de um enredo fantástico de um Sion que não existe mais. “Fico olhando da janela aqui de casa, na esquina das ruas Grão Mogol e Montevidéu, e vejo casas que fizeram parte da minha vida sendo demolidas para dar lugar a prédios. Fico vendo algo de minha vida sumindo, mas a construção de um bairro é assim. Ele evolui e dá lugar a novos habitats para outros Sionenses”, conforma-se.

JORNAL DA CIDADE Por que decidiu escrever um livro sobre o Sion?

JENNER LEITE A ideia é resgatar a memória de minha infância, adolescência e fase adulta. Fui morar no Sion lá pelos anos 1967, 1968. Tinha 10 anos de idade e até hoje, já casado e pai de dois filhos, ainda resido no Sion. Minha mãe, hoje com 94 anos, ainda reside lá. Então este é o motivo de o Sion estar tão entranhado na minha vida e na das pessoas próximas a mim. Fiz o livro também antes que se esqueça de uma geração que foi única.

Sua turma de amigos chegou até a ter uma logomarca do bairro. Como é esta história?

Eu considero essa logo um ícone do bairro e está, inclusive, na capa do livro. A ideia é que fique disponível como adesivo, encartada no livro, para quem quiser. A marca foi criada pelo meu irmão (Geraldinho) e um amigo, o Léo Preto, na década de 1970. O pessoal da turma colava no vidro lateral atrás do motorista nos carros. Ela identificava, mesmo que informalmente, quem era do bairro. Virou uma moda e até hoje é cobiçada pelos antigos e alguns atuais moradores.

Mas, ao escrever o livro, você também cita um outro ícone do bairro. Quem foi ele?

Parte do Sion era uma fazenda do Jaime Dolabella (Seu Jaime), que nos anos 1960 doou uma área para as freiras que fundaram o Colégio Sion, hoje o Colégio Santa Doroteia. Com a morte dele, o restante da fazenda foi vendida e loteado, onde hoje é o bairro.

Por isso que considero o Seu Jaime o principal ícone do bairro. Há um fato envolvendo o seu nome que merece este título. Ele costumava ficar sentado em sua berger na sala de sua casa, lendo jornal. Certo dia, sua mulher, Dona Lúcia, foi fazer um café na cozinha e quando foi levá-lo para o marido percebeu que ele estava morto. Ali mesmo.

Foi um baque para ela e toda a família. Tanto que nunca mais usou outra roupa que não fosse preta, em luto ao marido. O filho Ricardo (apelidado de Dola) surtou e foi internado em um manicômio. Tudo na casa parecia ter parado no tempo. Até hoje o carro do Seu Jaime – um Ford 1958 – está estacionado na garagem da residência na Rua Washington, onde ainda moram dois de seus filhos. Inclusive o carro está na capa do livro.

Além do Seu Jaime, há outros personagens ilustres do Sion destacados no livro?

Vários. Um deles é o Joãozinho Nascimento, que era dono do então Banco Mineiro do Oeste, que já não existe mais. Ele tinha uma maiores mansões do Sion, já que se tratava de um homem muito rico. Ele era dono de uma fazenda em Brumadinho, onde hoje funciona o Instituto Inhotim. Foi ele quem contratou o paisagista Roberto Burle Marx para plantar todo tipo de vegetação existente vinda de outros países. Essas plantas estão lá até hoje.

Qual foi seu maior desafio durante a produção do livro?

O maior desafio nem foi escrever o livro, pois tudo está em minha memória. Tive apenas que organizar essas informações. A maior dificuldade agora é publicá-lo, pois está complicado conseguir patrocinadores e apoiadores para viabilizar este projeto.

Há algum momento especial, entre tantos outros, que você destaca?

Realmente há muitos momentos especiais. Mas lembro que a gente brincava na rua, ninguém ficava em casa para ver TV. Até porque o sinal era péssimo e muitas vezes saía do ar. A rua Venezuela era um córrego da Mata das Borboletas e, do outro lado, ficava a favela do Papagaio, onde moravam as pessoas mais humildes que trabalhavam no novo bairro que havia surgido em BH. A maioria dos nossos amigos era desta comunidade, todo mundo brincava junto, sem distinção de raça ou classe social. À noite, quando chegávamos em casa, imundos de tanto brincar, as mães mandavam para o banho antes de dormir.

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1 Comentário

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    marcos del sarto 14 de outubro de 2019

    cheguei de araxá/mg em 1972 e fui morar no inesquecível sion onde fiquei até agosto de 2019 indo para o retiro do chalé, mas na verdade estou ansioso pra ler o livro do amigo Jenner e reviver alguma das histórias do querido Sion. boa Umba!! 👏👍

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