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Igualdade amorosa

16 de setembro, 2019
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Vida a dois. O peso desigual atribuído pela sociedade à contribuição de homens e mulheres repercute nas relações do casal

 É impossível falar de amor, sexo, casamento e intimidade sem levar em conta as diferenças de como homens e mulheres aprenderam a considerar esses aspectos. Dessas atitudes e expectativas decorrem objetivos diversos, que, por sua vez, dão origem a inúmeros conflitos quando se estabelece uma relação intima entre um homem e uma mulher.

Entre tantas diferenças, em algumas culturas, inclusive na nossa, ocidental, as mulheres são ensinadas a ter como objetivo principal o cuidar do outro, e assim, suas vidas se desenvolvem em atividades que melhorem e ajudem outras pessoas mais do que a elas próprias.

Esse senso de identidade está profundamente ligado à concentração de habilidades e qualidades interpessoais de cuidado, empatia e emotividade. Será que isso as prepara para os “papéis” a elas destinados na família, que são os de quem é capaz de acalmar, manter a paz, mediar conflitos e adaptar-se aos interesses da família?

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Ao contrário das mulheres, o senso de identidade dos homens baseia-se principalmente na realização de objetivos econômicos e sociais, mais do que nas relações pessoais, e, por isso, o cuidado com o outro não é parte importante de sua autoimagem, como foi designado para as mulheres.

Embora interessados em ser maridos e pais, a confirmação de sua masculinidade vem, sobretudo, do papel que desempenham fora da família e de sua posição de liderança. Muitas vezes, o sucesso no mundo do trabalho exige repressão dos sentimentos, capacidade de dominar paixões e fraquezas e de desenvolver um comportamento controlado e preciso. Isso leva, frequentemente, a eliminar amplas áreas da sensibilidade e a inibir a resposta às necessidades de quem está ao seu lado.

O peso desigual atribuído pela sociedade à contribuição de homens e mulheres repercute nas relações do casal. Incapazes de assumir uma posição de força e autoestima, mesmo com a delicadeza do feminino, as mulheres acabam desenvolvendo modelos de comunicação indiretos: explosões de raiva, choro, dissimulação, ou quando tudo isso não serve para nada, aparecem sintomas. E os homens, muitas vezes, sentem-se incapazes de responder adequadamente ‘a emotividade das  mulheres.

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E, como o casal poderia se sentir parceiro e com um senso de igualdade diante de tantas questões? Porém, apesar dessas diferenças, e de tantas outras, existe uma igualdade que é necessária se impor, uma igualdade que não pode deixar de existir na relação do casal, que é a igualdade da admiração, do senso de valor.  Na vida a dois é preciso que cada um admire quem está ao seu lado. Ninguém é melhor ou vale mais do que o outro. Nenhum dos cônjuges é inferior ao outro. Essa é uma regra do respeito entre o casal que jamais poderá ser deixada de lado: se ela for quebrada, se os dois não se admirarem, essa relação está condenada, não terá força, harmonia, para seguir em frente.

Assim, a chance de se ter um casal em sintonia depende da capacidade de haver um olhar e um sentimento de igualdade entre as partes, contrariando a antiga ideia de uma relação de dominação versus submissão. Acredito que uma relação sadia só pode se estabelecer entre duas pessoas que se sintam de igual valor, uma em relação a outra: uma igualdade por amor e por admiração. E se admirem, sempre, numa bela espiral de crescimento, independente das questões culturais ou sociais.

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Sobre Cristina Santos:

Formada pela PUC-MG, é psicóloga clínica e hipnoterapeuta. Entre os diversos cursos de especialização, possui o de Terapia Familiar Sistêmica Breve. Faz parte da equipe de profissionais da Clínica Sofia Bauer, como psicoterapeuta de jovens, adultos, terapia familiar e de casal. Além de palestrante é autora do capítulo "Como Lidar com o Problema da Traição - uma nova abordagem no trabalho com casais" do livro Manual de Hipnoterapia Avançado e Técnicas Psicossensoriais de Sofia Bauer, Editora Wak.

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