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Câmera Record recebe prêmio por documentário sobre Amazônia

21 de agosto, 2019
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Amazônia. Denunciando que em atividades extrativistas da Amazônia há trabalhadores em condições análogas à escravidão, o Câmera Record foi o ganhador da categoria Direitos Humanos pelo documentário”Piaçaba: exploração no coração da Amazônia”.

O reconhecimento faz parte do Prêmio de Excelência Jornalística, concedido pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que anunciou a lista de profissionais de comunicação da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Estados Unidos, México, Nicarágua e Venezuela que venceram a premiação anual.

Esse não foi o primeiro prêmio que a produção recebeu. O trabalho, que foi o milésimo documentário do Núcleo de Reportagens especiais da Record TV, também ganhou o 34º Prêmio de Direitos Humanos de Jornalismo, na categoria Televisão.

O programa concorreu com mais de 1.200 trabalhos de jornalistas do continente americano que foram enviados à instituição e que concorreram em 14 categorias.

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Segundo a organização o documentário brasileiro foi escolhido “por denunciar, mediante um documentário vibrante e comovente, o horror do trabalho escravo na selva amazônica brasileira”.

Sheila Manuela Martins Fernandes, Romeu Piccoli, Rodrigo Bettio, Marcio Strumiello, Gustavo Costa, Rafael Gomide, Natália Florentino, Rafael Ramos compõem a equipe vencedora, que faz parte do Núcleo de Reportagens Especiais da Record TV, que tem Rafael Gomide como chefe de redação e Pablo Toledo como editor-chefe.

A cerimônia de premiação será realizada em Miami, em outubro, durante a 75ª Assembleia Geral da SIP.

O Documentário

Para produzir o programa, os repórteres passaram um mês na Amazônia chegando a enfrentar 120 horas de barco pelo Rio Negro e afluentes para desvendar um esquema de trabalho escravo no meio da floresta. Esse registro foi algo inédito, ou seja, foi a primeira vez que uma equipe de TV conseguiu chegar ao local.

“Em 25 anos de jornalismo, essa foi a reportagem-expedição mais difícil que eu fiz. Primeiro, tudo deu errado. Depois, tudo deu certo”, relata o repórter Romeu Piccoli.

“Foi o maior desafio profissional e pessoal da minha vida! Além das histórias que encontramos, manter a calma e ter paciência foram pontos fundamentais para os momentos de tensão. Certo dia, o motor do barco quebrou e tivemos que remar por 5 horas”, conta a repórter Sheila Fernandes.

Eles localizaram uma população indígena descendente da etnia Baré, que chega a viver até seis meses dentro da selva na produção extrativista da piaçaba, fibra da palmeira usada na fabricação de vassouras. Ali, eles trabalham sob condições extenuantes e com baixíssima remuneração, uma situação que o Ministério Público do Trabalho considerou como trabalho análogo à escravidão.

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Para o editor Marcio Strumiello, um dos grandes desafios da reportagem foi o de transmitir a dimensão da área onde acontece a exploração dos piaçabeiros. “Só para se ter uma ideia, o município de Barcellos, onde tudo acontece, é do tamanho da Inglaterra. É o segundo maior munícipio do Brasil”, revela.

Os índios passam o dia inteiro dentro da floresta e carregam toras de até 90 kg por dia. Para cada quilo é pago apenas R$ 2,20. Muitos piaçabeiros, como são conhecidos, chegam a adquirir dívida com os “patrõezinhos”, gerentes da produção, porque o custo para chegar até o local e a alimentação é muito alto.

O programa revelou que famílias inteiras vivem sem acesso à escola e saúde. “Eu preferiria estar em outro lugar, em Manaus, estudando, fazendo faculdade”, desabafou a jovem Raiane de Souza Leal.

A alimentação também é precária, no geral, farinha, café, açaí e, quando há carne, esta vem da caça do dia.

Os trabalhadores ainda são expostos à doenças como chagas e malária. Sem tratamento, muitos morrem, como foi o caso do pai de Edileuza de Souza Leal. “Vendi as coisas que eu tinha pra tirar dinheiro, geladeira, televisão, acabei com tudo pra ver se eu deixava um dinheiro pra ele. Mas não teve jeito, a doença dele não tinha jeito”.

Outro problema sério é o alcoolismo. Os piaçabeiros batizaram de “choque-choque” uma bebida à base de gasolina. O consumo constante levou à morte vários trabalhadores, dentre eles o marido de dona Guiomar Brandão Pinheiro.

Foto: Divulgação Record TV


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