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BH Minha Cidade: Gameleira

04 de outubro, 2019
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BH Minha Cidade. Turismo. Gameleira abriga diversas instituições que se tornaram verdadeiros pontos de interesse na capital

Uma paisagem transformada. Assim pode ser definido o bairro Gameleira, localizado na região Oeste da capital. Na época da construção de Belo Horizonte, a área onde está o bairro havia sido planejada para permanecer com ares rurais, com a manutenção de chácaras e fazendas.

Era lá que estava a Fazenda Gameleira, que, no projeto-piloto da cidade, seria uma região voltada para a produção de alimentos para a população de Belo Horizonte nos seus primeiros anos.

Porém, ainda nos primórdios da nova capital, o local transformou-se em fazenda modelo: um espaço para a realização de estudos e experiências para desenvolver a agricultura do estado. O aprendizado de práticas agrícolas, aliás, era uma forte característica da região, que também abrigava o Instituto Profissional João Pinheiro, do Governo de Minas Gerais.

Com o passar dos anos, a área da antiga fazenda começou a ser loteada. A ocupação do bairro, porém, só teve início de fato nos anos 1940, com a expansão da Avenida Amazonas. No ano seguinte, 1941, a transferência da Fundação Ezequiel Dias da Praça da Liberdade para a região marcou o começo da transformação da Gameleira.

Referências da cidade

Diversas instituições escolheram o bairro para abrigar suas dependências e se tornaram verdadeiros pontos de referência na capital. A principal delas é o Parque de Exposições Bolivar de Andrade – o Parque da Gameleira. Ocupando um espaço de 98 mil m², o Parque é utilizado para a realização de eventos ligados ao meio rural, como rodeios, leilões de animais, provas hípicas, feiras agropecuárias e alguns eventos que necessitam de maior espaço, como mostras de automóveis.

A história do Parque tem início em 1908, durante o mandato do governador João Pinheiro. O Estado comprou a Fazenda da Gameleira, por 8 mil réis, com a intenção de instalar ali um centro de formação agrícola – o Instituto João Pinheiro. Mais tarde, o espaço deu lugar ao Posto Central à Monta, com a instalação do primeiro polo de melhoramento genético de rebanhos de Minas Gerais.

O Parque de Exposições, como o belo-horizontino o conhece hoje, só foi inaugurado em 18 de junho de 1938. O primeiro evento foi a Exposição de Animais e Produtos Derivados, no mandato do governador Benedito Valadares. Antes disso, as exposições agropecuárias aconteciam no local onde funciona hoje o Regimento de Cavalaria Alferes Tiradentes da Polícia Militar, antigo DI, no bairro Prado.

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O nome oficial do Parque veio bem depois da inauguração, em 1980. Bolivar de Andrade foi uma liderança expressiva do meio rural – exerceu a presidência da Federação da Agricultura de Minas Gerais (Faemg). Foi também um dos primeiros empreendedores do cenário rural a investir no Norte de Minas, onde comprou quatro fazendas.

Em 1990, o conjunto arquitetônico do Parque da Gameleira foi tombado pela Lei Orgânica do Município de Belo Horizonte. Atualmente, a administração do Parque está sob responsabilidade do Instituto Mineiro de Agropecuária – IMA e a maior parte dos eventos realizados no local se estende até o espaço anexo: o Expominas – Centro de Feiras e Exposições George Norman Kutova.

Expominas

O Expominas – Centro de Feiras e Exposições George Norman Kutova é considerado um dos mais conceituados centros de eventos da América Latina. Seu diferencial é ter sido pensado para ser múltiplo, capaz de receber todo tipo e formato de evento. Ao todo, são 72 mil metros quadrados de área construída, sendo 26 mil metros disponíveis para feiras, exposições e eventos, podendo receber até 45 mil pessoas.

O Expominas conta com três pavilhões de 5,5 mil m² cada, que podem ser customizados por meio de divisórias com conforto acústico, que transformam as áreas em ambientes independentes.

Além disso, possui um amplo estacionamento, com capacidade para mais de 2 mil veículos. Outra vantagem é que o Expominas é o único centro de eventos da América Latina a contar com uma passarela interligada ao metrô, facilitando ainda mais o acesso.

Em tamanho, o Expominas é o maior centro de eventos de Minas Gerais e o terceiro do Brasil, atrás somente do Anhembi (São Paulo) e do Riocentro (Rio de Janeiro). O projeto arquitetônico leva a assinatura do competente Gustavo Penna. Foram investidos cerca de R$150 milhões na ampliação do empreendimento.

Estação ferroviária

O bairro Gameleira é um dos agraciados com uma estação de metrô em Belo Horizonte. Atualmente, a Estação Gameleira faz parte da Linha 1 do metrô da capital e está ao lado do Expominas, ligada a ele por uma passarela.

Mas engana-se quem pensa que a estrutura ferroviária é coisa recente na região. A história conta que a Estação Ferroviária Gameleira foi aberta em 20 de junho de 1917. A linha que passa por lá tem uma extensão de 633 km, ligando o Rio de Janeiro à capital mineira por meio da linha do Paraopeba.

O local recebeu passageiros e funcionários da extinta Rede Ferroviária Federal até 1979, quando, depois de algumas tentativas de reativação, foi extinto. Completamente abandonada, entre os anos de 2008 e 2009, a estação foi transferida da União para a Secretaria Municipal de Cultura de Belo Horizonte, sendo tombada pelo Patrimônio Histórico.

Expominas em números

  • 45.000 pessoas é a capacidade do espaço
  • 72.000 metros quadrados de área
  • 16.500 metros quadrados nos três pavilhões
  • 2.516 metros quadrados na arena multiuso
  • 2.200 vagas de estacionamento

Percalço na construção

Em 1971, um trágico acidente marcou a história do bairro inteiro. Conhecido como “a tragédia da Gameleira”, o desabamento de um pavilhão de exposições em construção deixou 65 operários mortos e dezenas de feridos, sendo considerado o maior acidente da construção civil brasileira.

A história conta que o pavilhão seria inaugurado no fim do mês de fevereiro daquele ano, pelo governador de Minas Gerais, Israel Pinheiro. Por isso, 512 operários trabalhavam em ritmo acelerado para concluir a obra, projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer, com cálculos do engenheiro Joaquim Cardozo. Segundo testemunhos da época, o governador tinha pressa, pois pretendia entregar a obra antes do término de seu mandato, em 15 de março.

Ignorando a opinião dos operários, que alertaram sobre fissuras e estalos nos alicerces, foi dada ordem para a retirada das vigas de sustentação. Assim, toda a estrutura ruiu sobre os trabalhadores da obra.





Fotos: Jomar Bragança/Abccmm/Galeria Da Arquitetura/Secretaria Da Agricultura/Revista Produção Pbh/Expominas/Divulgação Jc

Ciência e pesquisa

Destaque. Instituições públicas e privadas instaladas na Gameleira são motivo de orgulho para os mineiros

O bairro Gameleira apresenta, hoje, uma grande concentração de instituições públicas. Entre elas, destaque para as que promovem a pesquisa e a ciência. Uma delas é o Museu de Ciências Naturais Leopoldo Cathoud. Criado oficialmente em 1946, no Instituto da Educação de Minas Gerais (Iemg), seu acervo remonta a 1930, idealizado por Leopoldo Cathoud, naturalista e professor.
Cathoud agregou um variado conjunto de coleções de física, química, astronomia, mineralogia, zoologia, botânica e paleontologia, alcançando 5.000 peças, aproximadamente, que narram a trajetória do ensino de ciência nas escolas.

Em 2011, o museu foi incorporado à Escola de Formação. Desde então, a instituição tem se constituído como espaço para abrigar pesquisadores interessados no ensino experimental de ciências, para ações de capacitação de educadores e para atendimento aos alunos das redes pública e privada de ensino.

Fotos: Divulgação Escola de Formação

Excelência na saúde mental

Além da ciência, pode-se dizer que a Gameleira é um verdadeiro polo na saúde. Isso porque uma das instituições mais renomadas no atendimento de saúde mental, o Hospital Galba Velloso, também está localizado no bairro.

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Inaugurado em 1961, o hospital inicialmente prestava assistência somente a pacientes psiquiátricos. Em 1969, passou a integrar a recém-criada Fundação Estadual de Assistência Psiquiátrica (Feap). Com a criação da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), em 1977, a unidade foi incorporada à Fundação.

Atualmente, a unidade assistencial está alinhada aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) e às diretrizes da Política Nacional de Humanização. Realiza o acolhimento e o tratamento da pessoa em crise até sua estabilização psíquica, assim como a articulação da continuidade do tratamento na Rede de Atenção à Saúde Mental do município, da região metropolitana e das demais cidades do Estado de Minas Gerais, a fim de possibilitar que a pessoa restabeleça seus laços sociais.





Foto Fernando Biagioni

Homenagem

O nome do hospital é em homenagem a Galba Moss Velloso, mineiro de Cataguases, que se destacou no atendimento psiquiátrico. Galba cursou jornalismo e fez carreira em diversos jornais, e foi só em 1915 que concluiu o curso médico, tendo se formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

Durante sua trajetória profissional, atuou nas cidades mineiras de Conquista de Itaúna (hoje Itaguara), Cláudio e Pará de Minas – onde também se engajou na política. Foi Delegado da Higiene do município, exercendo também a medicina preventiva. Convocado pelo Secretário de Estado Melo Viana para o corpo clínico do recém-inaugurado Instituto Neuro-Psiquiátrico de Belo Horizonte (atual Raul Soares), transferiu-se para a capital mineira, encontrando condições para realizar-se como especialista.

Graças à sua grande habilidade como médico, introduzindo modalidades terapêuticas especiais e inovadoras, Galba Velloso assumiu posição de liderança na Psiquiatria mineira. Por isso, recebeu diversas homenagens em Minas Gerais: em Pará de Minas, há a “Praça Galba Velloso” e, em Belo Horizonte, o “Hospital Galba Velloso” marca sua atuação na assistência ao doente mental.

Fonte Academia Mineira De Medicina / Fotos Fernando Biagioni E Academia Mineira De Medicina

Rede Sarah de Reabilitação

Mais recentemente, em 1997, foi inaugurada na Gameleira a unidade mineira da Rede Sarah de Reabilitação. A unidade tem todos os recursos para diagnóstico e tratamento de adultos e crianças, admitidos em Programas de Reabilitação Neurológica, Reabilitação Ortopédica, Reabilitação Infantil e Neurorreabilitação em Lesão Medular.

A unidade mineira foi criada a partir do antigo Hospital das Pioneiras. Sua estrutura foi ampliada e equipada com tecnologia de ponta para aumentar o atendimento na região Sudeste.

História

A Rede Sarah nasceu na década de 1960, em Brasília, quando a Fundação das Pioneiras Sociais implantou, na nova capital, um centro de reabilitação, inaugurado em 21 de abril de 1960, pelo presidente Juscelino Kubitschek. Em 12 de setembro de 1980, o hospital Sarah foi inaugurado pelo presidente da República.

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A partir de então, o Sarah foi se expandindo pelo país afora, sempre se destacando por seus trabalhos de reabilitação de adultos e crianças. A rede vem se transformando e evoluindo continuamente, elaborando e contemplando novas descobertas científicas. Sua atuação de excelência combina as ideias trazidas pelas novas gerações e os avanços tecnológicos com os princípios que viabilizaram sua trajetória de sucesso.

Foto: Divulgação Rede Sarah

Tradição no ensino

História. Museu da Escola e renomadas instituições educacionais completam a infraestrutura do bairro Gameleira

A tradição da Gameleira em receber diversas instituições importantes para o ensino e a pesquisa pode ser percebida até hoje pela grande quantidade de escolas, universidade e até um museu dedicado à educação.

Isso mesmo: é na Gameleira que foi instalado o Museu da Escola de Minas Gerais. Primeiro do gênero no Brasil, o local foi criado para preservar a memória da educação e valorizar a herança cultural mineira. Ele nasceu em 1994, com o nome de Centro de Memória da Educação, na Praça da Liberdade, no prédio da antiga Secretaria de Estado da Educação. Em outubro de 2005, foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico e, desde 2012, encontra-se no campus da Escola de Formação e Desenvolvimento Profissional de Educadores, na Gameleira.

Batizado de Museu Ana Maria Casasanta Peixoto, conta com um acervo de cerca de 6 mil peças, constituído por mobiliários, documentos textuais e arquivo de depoimentos orais. O Museu cumpre a função social de levar o conhecimento sobre a história da educação mineira ao público em geral por meio de exposições temáticas de longa duração e atividades de ação educativa.

Foto: Museu da Escola de Minas Gerais

Educação tecnológica

Outro destaque do bairro no ramo da educação é o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais – Cefet-MG. A instituição de ensino é centenária e tem origem no Decreto nº 7.566, assinado pelo Presidente Nilo Peçanha, em 23 de Setembro de 1909.

Na sua fundação, era chamada Escola de Aprendizes Artífices de Minas Gerais, destinada ao ensino profissional primário e gratuito. Em 1941, tornou-se Liceu Industrial de Minas Gerais, mudando para Escola Técnica de Belo Horizonte no ano seguinte. Em 1969, a nomenclatura passou a ser Escola Técnica Federal de Minas Gerais, nome que vigorou até 1978, quando a instituição recebeu o nome que conhecemos hoje.

O Cefet-MG é a maior instituição de ensino tecnológico do Estado de Minas Gerais. Além de Belo Horizonte, possui ainda outras unidades em áreas com intenso desenvolvimento industrial, como as cidades de Divinópolis, Varginha, Contagem, entre outras.

O centro educacional oferece ao aluno uma formação acadêmica completa, desde o ensino técnico de nível médio até o doutoramento. Atualmente, a instituição oferece 16 cursos de graduação e conta com cerca de 4 mil estudantes.

Foto: Caio Martinez/Google

Educação Católica

A Gameleira é também o berço do Colégio Salesiano em BH, considerado por muitos uma referência no setor educacional. A história da escola começa em 1955, quando foi lançada a pedra fundamental da unidade de Belo Horizonte. Quatro anos depois, em 1959, foi inaugurado o Liceu Salesiano, com 14 alunos – todos homens. Foi só a partir de 1972 que o Colégio Salesiano passou a atender o público feminino.

Na década de 1990, a escola se modernizou e inaugurou um Ginásio Poliesportivo, um teatro com 550 acentos e uma nova biblioteca, além de outras salas especializadas. Atualmente, a estrutura é completa, com salas climatizadas, quadras de esporte, piscinas, sala de multimídia, laboratórios, parquinhos, área de convivência, cantina, refeitório infantil, sala de artes, capela, e áreas de lazer.

Além de atender alunos desde a Educação Infantil até o Ensino Médio, o Colégio Salesiano também se empenha no ensino de jovens e adultos.

Foto: Islander Henrique/Google

Entrevista com Fabiana Melo Neves

Saúde Pública. Historiadora da Fundação Ezequiel Dias comenta a trajetória de sucesso da instituição centenária instalada na Gameleira

Fundada em 1907, a Fundação Ezequiel Dias (Funed) trabalha há mais de um século buscando soluções em saúde para o fortalecimento do SUS. Com três áreas de atuação, é referência na pesquisa científica a partir de venenos de serpentes, aranhas, escorpiões e abelhas, sendo reconhecida como um importante Instituto de Ciência e Tecnologia do estado de Minas Gerais.

Suas modernas instalações, erguidas em uma ampla área do bairro Gameleira, são responsáveis por produzir diversos medicamentos, inclusive alguns com exclusividade, como o que é utilizado no tratamento da hanseníase e outras doenças – a Talidomida.

Para revelar os detalhes da história da Fundação, bem como sua importância para a saúde do estado e do Brasil, o JORNAL DA CIDADE conversou com a historiadora da Funed, Fabiana Melo Neves. Confira:

JORNAL DA CIDADE Quando e por que a Funed se instalou no bairro da Gameleira?

FABIANA MELO NEVES Em 12 de maio de 1940 foi inaugurada a nova sede do Instituto Ezequiel Dias, pelo presidente da república Getúlio Vargas e pelo interventor do Estado Benedito Valadares. Vargas percorreu as instalações e elogiou a organização modelar. Enfatizou a importância das atividades da instituição no desenvolvimento de pesquisas, nas ações terapêuticas, no tratamento do homem e na preservação das plantas e dos animais. No dia 24 de julho do mesmo ano foram entregues as chaves do velho prédio da rua da Bahia para a mudança para a Fazenda Gameleira.

A inauguração da nova sede foi um dos maiores eventos da cidade e atraiu várias visitas ao estabelecimento, dentre elas o ministro Gustavo Capanema, Francisco Campos, Prof Melo Leitão, Gerardo Trindade, Miguel Osório de Almeida, Mário Vianna Martins, Antônio Aleixo, embaixador Carlos Martins Pereira, o prof. Abdon Lins e um grupo de uruguaios (Casa Araújo Belloni, Luiz Zebalos e Zum Felde). Entre as visitas pode–se destacar a do professor Cecílio Romarã, seu interesse pela instituição era tão grande que pediu uma cópia detalhada de tudo, a fim de organizar uma estrutura semelhante na Argentina, como mais tarde o foi concluído.

A mudança para a Fazenda Gameleira foi devido à necessidade de ampliação das atividades do Instituto, principalmente na produção de soros e vacinas.

Quais são as principais atividades da Funed?

Atualmente, a Funed se destaca por suas três atividades principais: produção de medicamentos para o SUS; exames laboratoriais e vigilância sanitária, epidemiológica, ambiental e de saúde do trabalhador; e pesquisa e desenvolvimento de produtos na área de saúde.

A Funed é uma instituição histórica. Quais as principais conquistas da Fundação ao longo dos seus mais de 100 anos de existência?

As conquistas da Funed ao longo do tempo são inúmeras, mas a excelência na prestação dos serviços é o destaque no âmbito da Saúde pública.

Quem foi Ezequiel Dias e qual sua importância para a saúde brasileira?

Ezequiel Caetano Dias era discípulo da Escola de Oswaldo Cruz, hoje Fiocruz nasceu em Macaé, estado do Rio de Janeiro, no dia 11 de maio de 1880. Era formado em medicina e farmácia. Em 1907, foi convidado por Oswaldo Cruz para fundar, em Belo Horizonte, uma filial do Instituto Manguinhos, hoje Fundação Ezequiel Dias.

Nos três primeiros anos, a atividade da filial se limitava à produção de linfas vacínicas, contra as diferentes moléstias humanas e de animais, além do preparo e conservação do soro antidifitérico e anticarbunculoso.

Ezequiel acreditava que não bastava somente melhorar e equipar a filial, era preciso desenvolver e aperfeiçoar os recursos humanos da instituição, pois estes eram o alicerce e a receita para o progresso e o desenvolvimento. Por isso, a biblioteca não representava apenas um lugar de consulta, estudo ou informação era o local onde as discussões científicas aconteciam, onde as idéias brotavam e onde se fazia ciência.

Em abril de 1910, Oswaldo Cruz faz uma visita a capital mineira e após uma conversa com o diretor de higiene do Estado, Zoroastro Alvarenga, amplia o raio de ação da Filial. A instituição começa a preparar vacina antivariólica e da peste da Manqueira- doença infecto contagiosa dos animais da espécie bovina, além de se encarrega de realizar exames e diagnósticos de doenças e de higiene.

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Neste momento foi anexada à filial, a Fazenda do Leitão, hoje a área em torno ao Museu Abílio Barreto, para instalar uma enfermaria veterinária e um posto de observação. Na fazenda seriam examinados os animais suspeitos de doenças e se fariam experiências de profilaxia e terapêutica.

Em fevereiro de 1918 foi assinado o contrato entre o governo de Minas e o Instituto Oswaldo Cruz Filial para o funcionamento do serviço antiofídico em Minas Gerais. O Posto Antiofídico tinha a função de extrair o veneno das serpentes que lhe eram enviadas pelos fazendeiros. Este veneno era remetido para o Instituto Butantan (Vital Brasil) e este retornava com o soro antiofídico. A outra função era pesquisar o assunto e trazer respostas urgentes a uma demanda que surgira de amplos setores da sociedade, tanto da população quanto dos fazendeiros que sofriam com os constantes acidentes com o gado, prejudicando o desenvolvimento da economia mineira. Neste mesmo ano o posto começou atender também casos relacionados a picadas de escorpião e a preparar o soro antiescorpiônico.

Em 1922, a saúde de Ezequiel era muito frágil, ficou acamado por vários meses, mas mesmo de longe continuava dirigindo a Filial. A doença o consumia aos poucos e, em 21 de outubro de 1922, faleceu. A classe médica e científica viu-se privada de uma grande mente e de um grande mestre da ciência. Todos os jornais da época noticiaram sua morte e prestaram reverência. Muitas homenagens foram feitas por políticos e colegas. Mas a de maior destaque foi a do Dr. João Luiz Alves, Ministro da Justiça, que deu o nome de Ezequiel Dias à Filial de Manguinhos, que passou a ser conhecida como Instituto Ezequiel Dias. Era uma forma de reconhecer o trabalho desempenhado ao instituto filial e, ao mesmo tempo, consagrar- lhe definitivamente.

Uma das atividades mais conhecidas da Funed é seu serpentário. Qual a importância desses animais para o desenvolvimento de medicamentos?

Os animais em exposição no serpentário são uma pequena mostra da coleção de serpentes da Funed, que são criadas na instituição para uso na produção do soro (o veneno das serpentes é extraído e, a partir dele, é produzido o soro).

A Funed está aberta à visitação da população. Quais os principais atrativos para o público e por que essa visitação deve ser incentivada?

O serpentário e a biblioteca da Funed estão abertos diariamente para visitação pública. Além disso, a Fundação oferece um programa mensal de visita, chamado Portas Abertas, que apresenta aos visitantes palestras, exposições e um circuito de visitas que inclui o serpentário, a biblioteca e o caminhão do Ciência em Movimento (o programa de popularização de ciência da Funed).
Mais informações podem ser obtidas na internet.

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