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Mãos limpas, olhos protegidos

17 de maio, 2020
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Entrevista. Oftalmologista relata alguns cuidados que as pessoas devem ter para não se contaminar ou transmitir o novo coronavíus

A cada semana surgem novas informações sobre o coronavírus e cresce a lista dos seus sintomas, incluindo conjuntivite em certos casos. Nesta entrevista ao JORNAL DA CIDADE, o oftalmologista e diretor do Instituto de Olhos Minas Gerais, Leonardo Gontijo, esclarece os cuidados necessários para proteger os olhos e evitar a transmissão da Covid-19.

Como os olhos podem transmitir o novo coronavírus?

Viroses têm como característica se proliferar diferentemente das doenças bacterianas, que costumam ficar em locais restritos. A Covid-19 pode, em alguns casos, afetar os olhos originando uma conjuntivite que se soma ao quadro geral que atinge todo o trato respiratório. Secreções e até a lágrima de pessoas previamente contaminadas podem ser fonte de contaminação, assim como todas as mucosas do nariz e da boca. Portanto, ao tocar os olhos – o que deve ser evitado – deve-se ter o cuidado de estar com as mãos limpas evitando a possibilidade de trazer ou enviar os vírus adiante.

Os sintomas mais conhecidos do novo coronavírus são respiratórios, febre, tosse seca e dor no corpo, mas outro indício pode ser observado nos olhos. Qual seria e como não confundi-lo com algum problema ocular?

A diferença entre uma conjuntivite causada pela Covid-19 e outras conjuntivites comumente observadas nas urgências oftalmológicas é a gravidade do quadro clínico associado. Tais conjuntivites podem ser semelhantes às causadas pelo adenovírus, que seriam conhecidas como “conjuntivite epidêmica”, também bastante contagiosa. As formas mais brandas da Covid-19 são semelhantes a uma gripe leve sem traços de conjuntivite. Mas atualmente qualquer conjuntivite precisa ser avaliada com bastante cuidado, pois há uma chance de contágio também do coronavírus.

Quais são os cuidados necessários para evitar a transmissão do novo coronavírus pelo canal lacrimal?

Diferentemente do nariz e da boca, os olhos não provocam o mesmo espalhamento que um espirro ou uma tosse, por exemplo. O portador da enfermidade que estiver com uma conjuntivite associada deve ter o cuidado de evitar levar as mãos aos olhos e, se levá-las por algum descuido, não deve tocar em nenhuma superfície antes de lavá-las, evitando assim a transmissão da Covid-19 para outras pessoas. E quem está sadio deve ter o cuidado de não colocar as mãos possivelmente sujas ou contaminadas nos seus próprios olhos, principalmente se há alguém com conjuntivite por perto, seja ela causada pela Covid-19 ou não.

Os óculos de sol podem servir de proteção e impedir a transmissão do vírus pelo canal lacrimal? 

Qualquer modelo de óculos pode ser uma barreira contra a Covid-19. Há óculos especiais que vedam totalmente a entrada do ar para os olhos e devem ser usados pelas equipes de tratamento intensivo ou alto risco de contágio. Um modelo simples de óculos pode ajudar e evitar a chegada frontal de perdigotos expelidos por uma pessoa próxima. Estes óculos devem ser lavados com frequência, assim como se troca ou lava as máscaras.

Qual é a maneira adequada de higienizar os óculos de grau?

Os óculos de grau devem ser limpos sempre, independentemente de pandemia, mas é bom lembrar que as lentes antirreflexo são frágeis e precisam de cuidados na limpeza para não perderem sua beleza e funcionalidade. Cada fabricante produz diferentes níveis de qualidade, sendo que as mais simples e baratas se arranham e perdem sua camada antirrefletiva com facilidade. As lentes devem ser lavadas com um detergente diluído e secas com o pano macio que acompanha os óculos, evitando esfregá-las com papéis grossos.

Tem circulado nas redes sociais uma dica de esfregar um sabão seco nas lentes dos óculos para não embaçá-las durante o uso da máscara. Essa medida é eficaz ou pode danificar as lentes?

Alguns fabricantes de lentes disponibilizam produtos antiembaçantes próprios para elas, outros vêm com uma camada aplicada na sua superfície que dificulta o embaçamento. Há ainda o velho hábito de esfregar um sabão seco na lente, mas sob o risco de causar arranhões. Converse com seu ótico e saiba o que pode ser feito para o seu caso em particular. O recurso mais simples é o que os cirurgiões que usam microscópios fazem: colar a máscara na pele com uma tira de fita de esparadrapo macio, passando-o sobre o nariz horizontalmente até o final das maçãs do rosto, o que evitará a passagem do ar por cima.

FOTO / Lett Souza

 


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