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Comunicar para amar

08 de novembro, 2019
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Vida a dois. Percebo, com frequência, um desconhecimento do papel do casal pelos próprios casais

Muitos casais chegam ao consultório dizendo “não estamos mais conseguindo nos comunicar”. De fato, quase sempre, o que está acontecendo nos bastidores do relacionamento é um problema sexual que eles não conseguem mencionar. Em alguns casos, são indivíduos aparentemente cheios de segurança, mas frágeis para terem a coragem de serem autênticos e falar a verdade, mesmo que vá doer; mas é uma maneira de começar a tentar resolver ou buscar possibilidades.

O pedido não é um pedido de verdade nesse sentido, mas sim um artifício para encobrir uma problemática do casal. Essa dupla casal e sexualidade obriga os terapeutas a identificar o objetivo verdadeiro, que está encoberto, ou a definir qual é o problema que os casais aceitam discutir. Essa fase da ajuda aos casais é um período delicado para as terapias, pois uma coisa é o que os terapeutas gostariam de fazer e outra é o que é viável, o que os casais conseguem fazer.

Será que se trata de um problema sexual ou de uma dificuldade de comunicação, realmente? Parece que o casal não tem condições ou não está conseguindo resolver o problema sexual sozinho, mas ao mesmo tempo há uma fala truncada ou desconectada na sua maneira de se comunicar. Assim, precisamos usar a capacidade de comunicação a serviço da sexualidade também.

Percebo, com frequência, um desconhecimento do papel do casal pelos próprios casais, e esse mal-entendido pode induzir a muitos conflitos conjugais, como esse da comunicação, quando não conseguem enxergar o que está acontecendo, e o afastamento vai aumentando no tempo e na conexão pessoal.

Alguns casais colocam a sexualidade a serviço da comunicação, inserindo a dimensão corporal em uma dinâmica funcional. Infelizmente existem comunicações mínimas em que os casais brigam e se reconciliam com um bom desempenho sexual, mesmo se o resto da relação permanece precário. Há ainda a comunicação que de tão pobre é o restante que fica na cama, na qual os casais, que já não têm o que dizer um ao outro, preferem o ato sexual ao beijo. Como é sabido, quando um casal entra em crise, o beijo desaparece, até antes do sexo, porque significa a necessidade de se olharem de frente, em vários sentidos, até no real e no romântico.

Torço pela comunicação a serviço da sexualidade, como também torço pela comunicação por tudo que ela representa na vida a dois. Como base de uma relação amorosa, muitas vezes, a comunicação erótica fica bloqueada no imaginário e, às vezes, no corpo, impedindo que o casal se aproxime na sua intimidade mais profunda, que é do “ser casal”, com toda a atração e paixão que os aproximou.

Mas, aos casais que aqui estão lendo esse texto, que essa leitura seja válida para que a atenção fique redobrada, pois, ao menor sinal de afastamento ou desinteresse sexual, se aproximarem e expressar o que sentem e, se for o caso, saber e aceitarem que precisam de ajuda para seguir em frente, e bem, enquanto casal que se ama e deseja seguir nessa caminhada da vida a dois.

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Sobre Cristina Santos:

Formada pela PUC-MG, é psicóloga clínica e hipnoterapeuta. Entre os diversos cursos de especialização, possui o de Terapia Familiar Sistêmica Breve. Faz parte da equipe de profissionais da Clínica Sofia Bauer, como psicoterapeuta de jovens, adultos, terapia familiar e de casal. Além de palestrante é autora do capítulo "Como Lidar com o Problema da Traição - uma nova abordagem no trabalho com casais" do livro Manual de Hipnoterapia Avançado e Técnicas Psicossensoriais de Sofia Bauer, Editora Wak.

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