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Momento é de soluções criativas

04 de junho, 2020
Jornal da Cidade BH Notícia boa também dá audiência!

EntrevistaEmpresário segue otimista e acredita que o cenário controverso possa trazer mais solidariedade e colaboração entre pessoas e empresas

Empresário de setores que estão entre os mais atingidos pela pandemia do coronavírus – comércio e eventos -, Rodrigo Ferraz busca soluções criativas para seus negócios e segue otimista, mesmo neste cenário controverso, além de acreditar que o novo momento pode trazer mais solidariedade e colaboração entre pessoas e empresas.

Das empresas e projetos sob sua gestão, conta que o Albanos se encontra em franca expansão, com uma fábrica de cervejas especiais a todo vapor, rótulos próprios sendo lançados mensalmente e duas casas. Sobre Projeto Fartura, salienta que além de todo o trabalho de pesquisa e expedições gastronômicas, planejava festivais em seis capitais brasileiras, em Lisboa, além do tradicional Festival Cultura e Gastronomia Tiradentes, que completa 23 anos.

Nesta entrevista ao JORNAL DA CIDADE, o empresário enfatiza que este momento faça todos nós pensarmos, para sairmos dessa mais solidários, fortes e com mais cuidado com a saúde.

Qual a sua leitura deste período de pandemia e isolamento social como empresário?

O Brasil, com desigualdades sociais e econômicas, passou recentemente a ser um país dividido. Ou você é “direita” ou “esquerda”. Ou apoia a flexibilização do confinamento, ou está do lado totalmente oposto. A ideologia não pode ser levada em conta agora, tenho que discordar do gênio Cazuza, que tinha uma música que dizia que precisamos de uma ideologia para viver. Os poderes públicos, eleitos pela população, deveriam atuar de maneira convergente, levando em conta o real interesse da sociedade. Suas decisões têm que ser amparadas e baseadas nos estudos e pesquisas dos especialistas em medicina. Temos vários “Brasis” em um só, com diferentes climas, densidades demográficas, hábitos, culturas.

O que afeta a propagação do vírus e isso tem que ser levado em conta. Os que defendem a flexibilização falam que a drástica situação da saúde é inferior ao caos econômico que podemos viver. Quem defende o confinamento, diz que a vida não pode ser recuperada, mas a economia sim, por meio de reformas que o país já precisava e que agora são mais urgentes. Eu como empresário, humildemente, não tenho uma resposta, o que acredito e defendo é um capitalismo consciente, que as empresas tenham seu lucro, gerem empregos, mas que tragam outros benefícios para a sociedade, solidários e sociais. Minha ideologia, meu partido é o do bem. Apoio o bem, sejam as pessoas de esquerda, centro ou direita. Não acredito em radicalismo.

Quais ações o Grupo Albanos vem fazendo para passar por esse período?

Com as casas temporariamente fechadas, reforçamos o delivery, que já funcionava muito bem para o chope Albanos, principalmente. Ter uma operação de entregas ativa e eficiente nos permitiu ampliar a oferta de produtos e fazer as adaptações imediatas para este período. Entregamos em casa a linha de cervejas especiais, nossos pratos, os famosos petiscos. Reativamos o Haus Munchen por delivery, o restaurante alemão também do grupo que funcionou durante 50 anos e estava fechado em busca de um novo ponto. Este foi o momento ideal para as pessoas matarem as saudades dos pratos fartos do Haus. A fábrica continua produzindo, lançamos recentemente um novo rótulo, a Mountain IPA – inspirada nas montanhas de Minas Gerais. Também inauguramos o projeto Albanos Música para todos, com lives de artistas mineiros, transmitidas pelos nossos canais digitais e com parte da renda revertida para doações.

E o Projeto Fartura, que realiza festivais gastronômicos no país inteiro e até em Portugal, como está lidando com essa fase?

Nos dias 19, 20 e 21 de junho faremos a primeira edição digital, “Fartura – Belo Horizonte” em um formato inédito. Teremos chefs mineiros preparando online pratos exclusivos que poderão ser entregues por delivery, aulas e receitas de profissionais renomados de todo Brasil, produtos à venda online, lives e bate-papos, música, arte, fotografia e decoração. É um projeto grande, que envolve federações, associações, poder público, patrocinadores e nomes muito fortes na programação. Um movimento para estimular a economia e o setor de eventos.

O tradicional Festival Cultura e Gastronomia Tiradentes, como fica neste cenário?

A 23ª edição do Festival Cultura e Gastronomia Tiradentes está prevista para 21 a 30 de agosto e, por enquanto, a data está mantida. A situação está mudando rapidamente, a cada dia temos uma notícia nova, uma descoberta. Seguimos otimistas, mas acompanhando de perto a evolução da pandemia e avaliando possíveis soluções para o caso de ainda estarmos em isolamento social.

Qual a lição você acredita que podemos tirar deste período?

Eu espero que este momento nos faça repensar, para sairmos dessa mais solidários, fortes e com mais cuidado com a saúde. Já está havendo um movimento de maior colaboração entre as pessoas, doações e também, pela primeira vez, uma cooperação entre as empresas, com maior flexibilização nos negócios. Eu procuro olhar para frente, aproveitando a crise como um desafio para a criação de novas formas de negócio, cuidando dos meus funcionários. Quanto mais tentamos controlar as incertezas, mais ficamos ansiosos. A melhor forma de encarar esse período é aceitar o que a vida nos coloca e focar no presente, fazendo o nosso melhor a cada dia.

FOTO / Natália Alvarenga


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