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Minas reencontra a mineração

17 de janeiro, 2019
Jornal da Cidade BH Notícia boa também dá audiência!

Entrevista. Novos governos estadual e federal trazem melhores expectativas para o setor que representa entre 10% e 15% do nosso PIB

Estado com ampla vocação para a mineração, Minas Gerais tem condições de dobrar sua capacidade de produção nos próximos anos. Para isso, é preciso que os novos governos – estadual e federal – sejam mais eficientes para dar as respostas que o setor necessita para sua evolução. “Mesmo que seja um não. O não também é uma resposta”, observa o presidente do Sindiextra (Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais), José Fernando Coura

Nesta entrevista ao JORNAL DA CIDADE, o industrial se mostra otimista com relação aos novos rumos políticos, mas alerta para as dificuldades de se fazer negócios em Minas.

“A mineração é a base de nossa economia, temos minério até em nosso nome. Ela representa de 10% a 15% do PIB e não é possível que nossa liderança esteja sendo ameaçada pelo Rio de Janeiro, no caso da siderurgia, e pelo Pará, na mineração”, salienta.

JORNAL DA CIDADE Quais são os principais desafios para a mineração em Minas, portanto?
JOSÉ FERNANDO COURA Nosso desafio é conseguirmos ser plenos no trinômio sustentabilidade, força social e competitividade. Hoje já temos tecnologia nas minerações, como caminhões que operam de forma autônoma nas minas, sem motorista. E também precisamos continuar tendo um desenvolvimento sustentável, pois isso é que vai gerar rentabilidade. Aqui cito um exemplo simples: temos duas empresas na mineração; uma tem baixo redimento industrial, recicla pouca água e gasta muita energia.  A outra tem altíssimo rendimento industrial, reaproveita a água, economiza energia. Aqui se percebe qual vai ganhar mais dinheiro e sobreviver no mercado.

Qual é a expectativa do setor em relação ao governo de Jair Bolsonaro?
A melhor possível. O presidente destacou que temos recursos naturais em abundância e que precisamos saber administrar corretamente para sermos realmente um País rico.

O que o governo federal pode fazer para ajudar?
O que já tem sido feito. Como uma mudança na legislação mineral, na verdade foram feitas correções no código, para se trabalhar fortemente no licenciamento ambiental. Hoje passa-se em 18 órgãos para ter uma licença. Na Austrália e Canadá, por exemplo, a empresa precisa de um guichê único para viabilizar seu projeto.

É emblemático para o setor o ministro de Minas e Energia ser um militar (almirante Bento Costa Lima Leite de Albuquerque)?
Não importa ser militar ou civil, tem que ser competente. E ele parece ser. Aliás, as escolas militares são as que melhor preparam os seus estudantes, vide exemplo do IME (Instituto Militar de Engenharia) e ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica).

E sobre o governo de Romeu Zema? O que esperar?
Temos muito respeito ao Zema, um jovem governador que sabe o que é ter responsabilidade com seus empregados e que pode transferir algo da iniciativa privada para a pública, apesar das características específicas de cada uma delas. O apoio do vice-governador Paulo Brant será fundamental; é uma pessoa extremamente preparada.

Ficamos muito esperançosos também com a manutenção no cargo de Germano Luiz Gomes Vieira, na Secretária de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Outro profissional muito competente.

O Sindiextra enviou alguns pleitos ao governador?
Não pleitos e sim sugestões. O setor de mineração não precisa de incentivos fiscais e sim de um ambiente fértil para realizarmos nosso trabalho. Entregamos ao governador um documento com apenas três páginas, algo bem simples e objetivo. Entre as sugestões está aproveitar o que vem sendo feito em anos anteriores.

Sugiro também que o governo tenha um olhar empresarial para que a gente possa desenvolver mais. Uma dica é levantar todas as necessidades de equipamentos da indústria da mineração e que não são produzidas aqui. Temos que atrair esses fabricantes para o Estado. Como pode o aço sair de Minas, ir para Caxias do Sul, onde é feito o arado dos tratores usados depois na nossa agricultura.

Já existe uma interlocução entre o Sindiextra e o governo?
Existe e é feita pelo nosso líder maior, Flávio Roscoe Nogueira (presidente da Fiemg). Ele é um empresário imbuído da mais alta seriedade no sentido de colocar a indústria de Minas no alto.

O governo Zema, aliás, dá sorte de nesse momento ter um jovem querendo ajudar, tendo coragem de enfrentar os desafios e lutar pela indústria, que é a maior geradora de empregos e de qualidade.

O sr. acha que os recursos do Cefem (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais) podem ser melhor aproveitados?
Claro que sim. Por que não se criar um fundo com 10% deste recurso, que é administrado pela BDMG para atrair incentivos, a fim de perenizar os municípios mineradores? Todos sabem que a extração do minério é finita e este dinheiro seria utilizado para sustentar essas regiões quando não tiverem mais a fonte de renda principal.

O que mais Minas pode aproveitar de seu melhor?
Temos o ciclo industrial mais completo do Brasil. Diversos tipos de minérios e elementos saem de várias cidades, como Arcos, Itabira, Três Marias e vão para Ipatinga onde lá é feito o aço. Este mesmo material vai para Betim e de lá saem carros. Nenhum outro estado tem isso no Brasil. Além disso, os bens metálicos são recicláveis. Costumo dizer que a mineração dá até seis safras.

Em relação à Samarco, o sr. acredita que ela volte a operar?
Junto com o governo de Minas, estamos fazendo um esforço muito grande para otimização das plantas de rejeito de minério. Cito o exemplo do acidente da TAM há alguns anos que matou mais de 100 pessoas. Parou a aviação por causa disso? Pelo contrário, houve aprimoramentos para que acidentes do mesmo tipo não ocorressem mais.

É o mesmo caso da Samarco. Não permitir que ela volte a operar é perenizar o acidente. Uma coisa são as indenizações e penalização dos responsáveis, outra é não deixar uma empresa de gerar empregos, renda e desenvolvimento às regiões que são dependentes do funcionamento da Samarco.

É iminente a volta da Samarco, o que deve ocorrer no ano que vem. A Samarco e a Anglo American (que recentemente também parou de funcionar por causa e um vazamento de tubulação de uma de suas minas) juntas em operação significam US$ 6 bilhões a mais no PIB de Minas Gerais.


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