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Carro a etanol se mistura à história da Fiat

07 de julho, 2019
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Indústria. 40 anos após a produção do 147 “Cachacinha”, montadora exibe uma relíquia guardada em seu acervo de Betim

O dia 5 de julho é uma data especial para a Fiat. Há 40 anos, em 1979, era lançado o modelo 147, o primeiro carro do mundo equipado com motor a etanol, apelidado de “Cachacinha”, devido ao odor característico exalado pelo escapamento.

Até hoje a empresa guarda em seu acervo um modelo praticamente original, sem restauração, em estado impecável que apesar das quatro décadas de idade ainda mantém corpinho de 20.

Funcionário da fábrica desde os anos 1980, o gerente de Engenharia Experimental da Fiat Chrysler Automóveis (FCA), Robson Cotta, afirma que este 147 funciona perfeitamente com todos os elementos de época originais, como partida a frio e afogador, além de preservar a tampa vermelha do motor e a pintura original, com direito alguns toques de batida de porta.

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A história do Fiat 147 a etanol remonta a 1976, quando as pesquisas e desenvolvimento do motor movido ao derivado da cana-de-açúcar começaram. Na época foi criado o Proálcool, um programa nacional para combater a crise do petróleo.

Em 1978, a montadora desenvolveu o motor 1.3 de 62 cv de potência e 11,5 kgfm de torque que, durante os testes, acabou se mostrando mais adequado para o uso do etanol que o propulsor a gasolina de 1.050 cc, até então utilizado no 147.

Em setembro de 1978, um Fiat 147 100% a etanol realizou o que viria a ser o teste definitivo para criação do primeiro motor brasileiro a etanol: uma viagem de 12 dias e 6.800 quilômetros de extensão pelo País.

O carro tinha alguns diferenciais. Como a taxa de compressão do motor elevada de 7,5:1 da versão a gasolina para 11,2:1. A carburação passou a trabalhar com mistura ar-combustível bem mais rica (com maior percentual de combustível) e por isso consumia 30% a mais.

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“O propulsor ficou com potência pouco maior que a do similar a gasolina, devido à necessidade de conter o consumo: 62 cv contra 61 cv. Mas a taxa de compressão mais alta favorecia o torque e, portanto, as retomadas e acelerações em baixa ou média rotação. O número que realmente importava, contudo, era o custo por quilômetro rodado, menos da metade da versão a gasolina, com os preços dos combustíveis na época”, lembra Cotta.

O supervisor de Engenharia de Produto da FCA, Ronaldo Ávila, que na década de 1980 trabalhava no laboratório químico da montadora, acompanhou de perto os constantes aperfeiçoamentos do 147 a etanol. “Minha equipe analisava as peças dos motores. Era um desafio muito grande: no início havia oxidação. Para que viesse a funcionar com o etanol, o sistema de alimentação como um todo precisou ser mais robusto para suportar um combustível extremamente corrosivo”, conta.

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Após muitos testes, a engenharia da Fiat encontrou uma solução para proteger as peças do motor: o uso de níquel químico e a instalação de conjunto de escapamento aluminizado.

Para resolver o problema da partida do motor em dias frios, a engenharia da fábrica instalou o reservatório com gasolina. Um botão no painel do carro aciona uma bombinha igual à do lavador do para-brisa e ela injeta no coletor de admissão uma quantidade de gasolina.

A evolução do sistema de injeção melhorou a mistura de ar e combustível nos motores. Com isso, houve ganhos significativos de desempenho e, ao mesmo tempo, redução de consumo.

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O diretor de Assuntos Regulatórios e Compliance da empresa, João Irineu confirma a grande importância do etanol para os futuros lançamentos da FCA.

“O etanol foi, é e sempre será importante para nós. É estratégico para a companhia e tem papel muito importante na redução do efeito estufa. Começamos há 40 anos com um sistema de carburador e hoje trabalhamos no desenvolvimento de sistema turbo, injeção direta e uma série de outras alternativas que serão incorporadas ao motor a etanol para melhorar o desempenho em relação ao motor a gasolina”, afirma.

 





Foto: Divulgação JC/Arquivo Fiat

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