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Crítica: “Vidro” fecha trilogia “Unbreakable” com chave de ouro

30 de janeiro, 2019
Por: Helena Ivo
Texto: Helena Ivo | Fotos: Universal Pictures
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Cinema. “Vidro” (Glass, no título original) estreou há quase duas semanas e se consolida como grande sucesso de bilheteria, tendo arrecadado US$ 19 milhões até agora, apenas nos Estados Unidos. O longa é continuação de “Corpo Fechado” (2000) e “Fragmentado” (2016), sucessos escritos e dirigidos por M. Night Shyamalan, também responsável pelo aclamado “Sexto Sentido”.

O longa mostra como David Dunn (Bruce Willis) seguiu com seu super-heroísmo durante os 19 anos após os acontecimentos do primeiro filme da trilogia “Unbreakable”, perseguindo bandidos que considerava perigosos. Entre eles estava Kevin Wendell Crumb (James McAvoy), protagonista de “Fragmentado”, que é diagnosticado com transtorno dissociativo de identidade.

Kevin frequentemente sequestra garotas para sacrificá-las para a “Fera”, uma de suas 24 personalidades, e foi considerado um dos serial killers mais perigosos da Filadélfia, o que atraiu a atenção de Dunn. Durante um confronto dos dois, eles são levados a um sanatório, onde receberão cuidados psiquiátricos de Dra. Ellie Staple (Sarah Paulson). A psiquiatra é especializada em delírios de grandeza e trata pacientes que acreditam ser super-humanos.

Até então a premissa do filme não traz nada de extraordinário. Certo? Certo. Mas se engana quem pensar que “Vidro” será decepcionante após o final por vezes considerado confuso ou “sem sentido” de “Fragmentado”.

O que não foi explorado no segundo filme da franquia, teve destaque suficiente em “Vidro”. James McAvoy triunfou mais uma vez ao interpretar as personalidades criadas por Kevin, mostrando até mesmo algumas que não haviam sido apresentadas no longa anterior. A atuação foi tão boa que foi capaz de despertar emoções completamente opostas no espectador: surpresa, empatia, tristeza, raiva e até mesmo alívio cômico.

A grande surpresa fica por conta de Senhor Vidro/Elijah Price (Samuel L. Jackson), personagem que dá nome à obra. Aqui Sr. Vidro se mostra mais engenhoso do que nunca e, quando pensamos que vimos o máximo de seu potencial, ele vai além em sua tentativa de expor ao mundo a existência de seres sobre-humanos.

Esse poderia até mesmo ser um dos problemas do roteiro, que em certo ponto acaba explicando demais ao telespectador, como se não pudéssemos decifrar as intenções de Elijah sozinhos.

Samuel L. Jackson como Sr. Vidro

No início do longa a trivialidade do personagem é tão grande que me fez questionar o que ele poderia estar tramando, afinal não faria o menor sentido que “Vidro” fosse batizado com seu nome a menos que ele tivesse um papel importante no enredo.

E foi exatamente diminuindo a nossa expectativa que Samuel L. Jackson trouxe uma de suas melhores atuações. A partir do momento em que se tornou ativo no filme, Elijah não pára de nos surpreender por sequer um segundo sempre que aparece em cena.

Se em “Corpo Fechado” Sr. Vidro conseguiu enganar a todos e deixar seu “superpoder” em questionamento até o final, em “Vidro” não temos dúvidas de que sua maior habilidade é o poder da mente e sua perspicácia. Usando dessa genialidade o personagem foi o fio condutor para o grand finalle da trilogia.

“Vidro” é provavelmente um dos blockbusters mais brilhantes dos últimos meses – ou anos – principalmente graças a Elijah e à atuação de Samuel L. Jackson ao encarnar o personagem.

A obra tem pouco mais de duas horas de duração e cada minuto é muito bem empregado para fechar qualquer ponto solto em “Corpo Fechado” e “Fragmentado”. Pela primeira vez saí do cinema com a sensação de que uma sequência foi tão bem finalizada que poderia ter uma duração maior só para que eu pudesse aproveitar mais de tamanha criatividade de um roteiro.

Com um desfecho inesperado e impecável, “Unbreakable” se encerrou como uma das sequências mais formidáveis de super-heróis da atualidade.

Nota: 10/10

Assista ao trailer:

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Crítica: “Vidro” fecha trilogia “Unbreakable” com chave de ouro
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Sobre Helena Ivo:

Helena Ivo, redatora, 24 anos. Graduanda em Jornalismo pela PUC Minas, especialista em Marketing de Relacionamento, Eventos e Comunicação Empresarial pelo Instituto Superior de Comunicação Empresarial de Lisboa e em Produção de Conteúdo para a Web e Marketing de Conteúdo Avançado pela Universidade Rock Content. Já foi assessora de imprensa na Agenda Comunicação Integrada e social media em agências de Comunicação Empresarial. Apaixonada por cultura, já fez cobertura de eventos empresariais e shows nacionais e internacionais como Humberto Gessinger, Lana Del Rey e Kings of Leon. Atualmente é redatora no Jornal da Cidade BH e nas horas vagas é crítica de cinema e séries no Mundo Hype.

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