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Rainhas do Crime: um filme quase bom

07 de agosto, 2019
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Cinema: “Rainhas do Crime”, filme que traz nomes de peso do cinema e da TV americana, está em cartaz, nos cinemas brasileiros e mostra que nem sempre nomes consagrados sustentam uma trama.

Três mulheres fortes, poderosas, dominando a criminalidade nos bairros da Nova Iorque do anos de 1970. Com essa premissa a produção “Rainhas dos Crime” (The Kitchen), dirigida por Adrea Berloff, teria tudo pra ser uma obra, no minimo, atrativa. No entanto, a película é tão arrastada que acaba sendo agoniante.

Quando o FBI prende os três mafiosos irlandeses que dominavam os negócios em Hell’s Kitchen, a situação financeira de suas esposas começa a desmoronar. Nesse contexto, Kathy (interpretada por Melissa McCarthy), Ruby (com incrivel Tiffany Haddish), e Claire (que ganha vida através de Elisabeth Moss), se veem obrigadas a assumir o posto deixado por seus maridos.

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O filme, que é baseado nos quadrinhos da Vertigo/DC de mesmo nome, escritos por Ollie Masters e ilustrados por Ming Doyle, se passa em 1978 e apresenta uma ambientação rápida, dinâmica e pontual. Uma maneira inteligente que serve para conhecermos os anseios e complexidade de cada personagem. Porém, para infelicidade do espectador, no caminho entre a apresentação dos personagens e desenvolvimento da narrativa há quase uma lacuna no ritmo, chegando comprometer a trama que se transforma em um filme super arrastado e entediante.

É bem verdade que tom feminista da produção consegue dialogar com a vivencia de mulheres em diferentes épocas. São esposas que, de uma hora para outra, se enxergam sem os próprios maridos, que eram responsáveis pela situação financeira de suas famílias, tendo que encontrar uma alternativa para sobreviver.





Cenário propício para trabalhar, ainda que de forma rápida, a falta de estrutura do mercado de trabalho que não está preparado para integrar mulheres que exercem a maternidade. Esse foi o caso de Kathy (Melissa McCarthy), que não encontrou grandes alternativas a não ser assumir os negócios do marido.

Em “Rainhas do Crime”, a personagem Ruby (Tiffany Haddish) fica responsável por apresentar as questões raciais, que envolvem o casamento entre uma mulher negra e um membro da mafia irlandesa, no final dos anos 70. Em uma das cenas iniciais fica explicito a relação de subalternidade da esposa em relação ao marido. Essa situação é confirmada ao longo do filme em diversos diálogos.

Se há um relacionamento abusivo entre Ruby e o marido, no caso de Claire (Elisabeth Moss) essa dinâmica matrimonial extrapola para agressões físicas. Esses traumas na vivencia da personagem é um dos principais fatores para o desenvolvimento da personalidade de Ruby pós prisão do marido.

Atuações





Indicada ao Oscar de melhor atriz, em 2019, com o filme “Poderia Me Perdoar?”, de Marielle Heller, Melissa McCarthy chega concisa na pele de Kathy, esposa de Jimmy Brennan (Brian d’Arcy James). A atriz é extremamente convincente como mãe de dois filhos, capaz de tudo para proteger sua família. 

Tiffany Haddish é outro nome que vive perfeitamente bem sua personagem, Ruby. Para quem já viu Tiffany recentemente em cena, com seu humor peculiar, pode questionar o papel, que talvez seja o mais denso do filme. Mas a artista da conta da personagem e entrega um trabalho satisfatório.

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Um dos incômodos do filme é encabeçado por Elisabeth Moss. Apesar de ser uma das atrizes de destaque do momento, já premiada com Emmy Awards e Globo de Ouro, ao viver Claire, a artista chega a ser extremamente irritante na trama. A atuação de Moss parece estar alguns tons acima do necessário para o compreendimento da personagem, gerando desconforto para quem assiste.

Vale destacar os atores Domhnall Gleeson, que vive Gabriel O’Malley, personagem “desconcertado”, mas que apresenta traços de humanidade, e a atriz Margo Martindale, que interpreta Helen O’Carroll. Margo é a matriarca irlandesa, uma senhora mandona e respeitada na mafia. 

Também fazem parte do elenco James Badge Dale (Kevin O’Carroll), Brian d’Arcy James (Jimmy Brennan), Common (Gary Silvers), Bill Camp (Alfonso Coretti), Jeremy Bobb (Rob Walsh), E.J. Bonilla (Gonzalo Martinez), Wayne Duvall (Larry – pai de Kathy), Myk Watford (Jackie Quinn) e Pamela Dunlap (Mary – mãe de Kathy)

Trilha sonora e figurino

Se o ritmo do filme aliado ao roteiro pouco empolgante são os elementos negativos de “Rainhas do Crime”, a trilha sonora é o fator que acalenta o público e tenta dar dinâmica à película. Com clássicos que transitam de “It’s a Man’s Man’s Man’s World”, regravada por Etta James, passando por “The Chain”, sob os cuidados de “The Highwomen” e chegando em “You Don’t Have to Be a Star (To Be In My Show)”, com vocais de Marilyn Mccoo e Billy Davis Jr.

O figurino impecável é usado como agente facilitador para transportar a audiência aos anos 70. ele foi assinado pela figurinista Sarah Edwards, profissional responsável pelo visual de “Oito Mulheres e Um Segredo”, e da série de TV “Billions”.

Fotos: Divulgação/Warner Bros Pictures

Leia aqui todas as críticas do Jornal da Cidade.

Nota: 6/10

Assista ao trailer:

Rainhas do Crime: um filme quase bom
5 (100%) 9 voto[s]


Sobre Jader Theóphilo:

Jornalista, 24 anos, formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Atua como redator e repórter do Jornal da Cidade BH. É produtor de conteúdo e colunista semanal na Revista Zint, com foco em assuntos culturais, e colaborador do site Notícia Preta. Adquiriu experiencia com apuração e produção de jornais da Record TV Minas, atuou como apresentador, repórter e produtor, na PUC TV. Além disso, participou da produção de 3 programas semanais, na TV Horizonte, e foi analista de mídias sociais, na Horizon, marca mineira de roupas masculinas.

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