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Pose: o glamour e a marginalização da NY dos anos 80

19 de agosto, 2019
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Especial Emmy. O Emmy Awards 2019 acontece no dia 22 de setembro e o Jornal da Cidade BH preparou uma programação especial para você que quer curtir a premiação afiadíssimo. Toda semana um crítica, sempre às 19h, para você saber o que esperar dos filmes e séries indicados à premiação. A lista com todos os nomeados pode ser consultada aqui.

Um mergulho na Nova Iorque dos anos de 1980, ou melhor, um mergulho a uma parte especifica da cidade, á um recorte da história ignorado por anos, mas que transformou a indústria pop mundial e exerce impacto até hoje. É sobre isso, e muito mais, que a série “POSE” se propõe a falar.

Assinada por Ryan Murphy (Glee, American Horror Story e American Crime Story), a produção americana apresenta ao público os “bailes”, ou balls, dos anos 80, locais de extrema importância para a cultura LBTQ+.  Essas reuniões, que aconteciam toda semana, definiam um momento de celebração, diversidade e a dava a oportunidade para que um grupo de pessoas pudessem existir da maneira que realmente se sentiam. Sem julgamento pessoal.

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Na realidade, os julgamentos dentro desses bailes eram outros. Esses encontros marcavam competições, faziam nomes e estrelas dentro da própria comunidade. Tudo isso só era possível porque as pessoas que participavam desses eventos, quase sempre, estavam incluídas em uma “casa”.

Se nos dias de hoje são necessários espaços de acolhimento para pessoas LGBTQ+ que não possuem amparo familiar, na década de 80 a situação era ainda pior. As casas se tornavam um time competindo com desfile, figurino, dança, em diversas categorias.

Murphy retoma esse ambiente com sutileza e elegância, sem abandonar o papel conscientizador abordando temas como HIV e o preconceito. Com o maior elenco transgênero da Televisão, “Pose” conta a história e deixa sua marca. Ao todo, são cinco atrizes transexuais negras e uma equipe de 140 pessoas LGBTQ+, entre escritores, cineastas e produtores. Além disso, os lucros são 100% revertidos a organizações ligadas a essa comunidade.

Enredo

Pose apresenta sua narrativa no momento em que a tradicional Casa Abundance começa a dar sinais de esgotamento e entrar em um espiral de decadência. Isso acontece porque a “mãe”, como são chamadas as donas da casa, a elegante Elektra Abundance (Dominique Jackson) tem uma personalidade forte e acaba impondo seu tom pedante a alguns de seus “filhos”.

No entanto, a batalhadora Blanca (MJ Rodriguez), que participa da Abundance, decide abandonar essas estruturas e criar seu próprio time. A série, então, passa a mostrar a disputa entre Abundance e Evangelista, casa de Blanca.

Com estes ingredientes é muito fácil encaixar a série em um nicho especifico, mas é a trama potente ao redor que promete atrair os olhares mais diversos. Os personagens são densos e tem questões impossíveis de ignorar. Como a marginalização social, a ameaça constante da morte e a busca pelo amor e pela aceitação.

Outros dois aspectos importantíssimos para a história são os figurinos e a trilha sonora. Aos cuidados da profissional Lou Eyrich, as roupas resgatam todo o glamour e luxo dos bailes, que apresentam marcas como Mugler, Lacroix e Versace. Porém para dar um tom realista muitas das peças foram garimpadas em brechós.





Já as músicas que embalam a história servem como o ingrediente perfeito para proporcionar um flashback. No repertório estão os principais hits e nomes dos anos 80, como Madonna e Whitney Houston.

A série pose foi indicada a 4 categorias do Emmy Awads, sendo elas: Melhor Ator em Série Dramática – Billy Porter; Melhor Série Dramática; Melhor Elenco de Série de Drama; Melhor Figurino de Época.

  • Para conhecer melhor sobre o ambiente LGBTQ+ dos anos de 1980 a dica é assistir o documentário “Paris is Burning”, de 1991.

Fotos: Divulgação/ FX

Você pode ler aqui todas as críticas do Especial Emmy. Leia aqui todas as críticas do Jornal da Cidade.

Pose: o glamour e a marginalização da NY dos anos 80
5 (100%) 3 voto[s]


Sobre Jader Theóphilo:

Jornalista, 24 anos, formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Atua como redator e repórter do Jornal da Cidade BH. É produtor de conteúdo e colunista semanal na Revista Zint, com foco em assuntos culturais, e colaborador do site Notícia Preta. Adquiriu experiencia com apuração e produção de jornais da Record TV Minas, atuou como apresentador, repórter e produtor, na PUC TV. Além disso, participou da produção de 3 programas semanais, na TV Horizonte, e foi analista de mídias sociais, na Horizon, marca mineira de roupas masculinas.

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