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Crítica: O Primeiro Homem | Saiba o que esperar do filme que conta história de Neil Armstrong

19 de outubro, 2018
Texto: Helena Ivo
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Cinema. Um dos filmes mais aguardados do ano estreou ontem, 18. O Primeiro Homem, estrelando Ryan Gosling no papel de Neil Armstrong, é mais sobre o drama e os perigos reais enfrentados pelo astronauta do que um filme de espaço, por assim dizer.

A prioridade do diretor Damien Chazelle, que também assinou “Whiplash” e “La La Land”, foi, de fato, contar a história de Armstrong, abordando desde a morte de sua filha mais nova até os desafios que Neil e seus colegas da NASA encontraram profissionalmente para chegar até a Lua.

Josh Singer (“Spotlight”) baseou-se no livro homônimo de James R. Hansen para escrever o roteiro de O Primeiro Homem. No livro, o autor documentava todos os eventos profissionais e pessoais de Neil Armstrong na missão Apollo 11.

Se o objetivo foi se aprofundar nos dramas tivemos 2h21 de uma rápida menção a vários problemas que a NASA enfrentou, como o investimento do governo em projetos que não estavam dando certo, as manifestações contra a aplicação do dinheiro público em pesquisas espaciais, os sacrifícios de sua equipe e, acima de tudo: porquê a NASA julgava importante aprender sobre o inexplorado. Nesse ponto a icônica frase de Armstrong sobre ser um grande passo para a humanidade nos faz refletir como tais viagens espaciais foram e ainda são marcos na história.

Mas quem pretende ir ao cinema esperando um filme sobre o espaço no estilo de nomeados ao Oscar como “Interestelar”, “Gravidade” ou “Perdido em Marte”, pode se decepcionar, pois as cenas em que o desconhecido é o principal elemento são quase inexistentes.

Há até uma referência a “2001 – Uma Odisseia no Espaço” (que foi lançado por Kubrick em 1968) digna de se emocionar, mas não passa disso. Não há dúvidas de que os obstáculos e a vida pessoal de Neil Armstrong sejam o foco do filme, o que fica mais evidente através dos planos fechados e nada épicos.

A atuação de Claire Foy, de The Crown, como sempre, não decepcionou – ela interpreta Janet Shearon, mulher de Armstrong. Ryan Gosling, por sua vez, vem sendo muito elogiado por alguns críticos por fugir de seu carisma e representar com apatia, fazendo com que Neil seja compreendido como o incrível engenheiro e astronauta que foi, mas nada simpático.

A meu ver, se comparado com papéis menos famosos que já interpretou, como o piloto em “Drive” (2012) e o violento David Marks de “Entre Segredos e Mentiras” (2010), não entregou nada fora do comum e está longe de ter sido a melhor atuação de sua carreira, como foi dito em alguns sites.

A trilha sonora, de Justin Hurwitz (“La La Land”), também teve seus momentos de falha ao, em algumas cenas, retratar os famosos barulhos de motores rangendo no espaço – algo que em 2018 já sabemos que não acontece: o som não se propaga no vácuo.

Já a fotografia impecável ficou por conta de Linus Sandgren e deu conta de chamar a atenção necessária durante o longa e causar os efeitos propostos pelo roteiro, como nos deixar enjoados nas cenas em que os astronautas também o fazem.

O Primeiro Homem cumpre o prometido: retrata a história de Neil Armstrong até o momento em que pisou na lua, mas não passa disso. Não traz nada de extraordinário e tampouco faz jus à tamanha expectativa que foi criada. É um bom filme de entretenimento e fan service para quem gosta do astronauta.

Nota: 7/10

Assista ao trailer:

Foto: Divulgação

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