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Maíra Lemos: jornalismo, esporte e maternidade

25 de julho, 2019
Jornal da Cidade BH Notícia boa também dá audiência!

Perfil. Uma pessoa inquieta, criativa, transgressora. É assim que a jornalista, publicitária, palestrante e empreendedora, Maíra Lemos se define. Com tantas tarefas, não é de se estranhar que os resultados obtidos nesta jornada possam ser traduzidos em números significativos.

Após 12 anos de carreira no jornalismo esportivo tradicional, na TV, Maíra decidiu se dedicar, de vez, a outras formas de fazer comunicação. “Já gritava dentro de mim a necessidade de mudar, de evoluir. Eu precisava de novos desafios”, revela.

Sendo assim, ela acumula diversos seguidores e admiradores do seu trabalho. Só no seu canal do YouTube, lançado em setembro de 2017, são mais de 50 mil inscritos, e quase 2 milhões de visualizações. Já no instagram, outra plataforma que a jornalista, também, produz conteúdo, são 155 mil seguidores.

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A virada profissional

Consagrada na TV, Maíra se tornou um dos principais nomes do jornalismo mineiro, se firmando como apresentadora e repórter. Para isso, ela registrou passagens pelas maiores emissoras do país, como Globo, Record, Sbt e Cultura/Rede Minas. No entanto, em 2017, a jornalista achou que era o momento de seguir por outro caminho.

“Uns 2 anos antes de eu pedir demissão eu já estava decidida a mudar a carreira. Esperei a cobertura da Olimpíada, que, para mim, foi o fechamento de um ciclo. Cobrir a seleção feminina de futebol foi uma grande realização, que tem a ver com a minha história pessoal, como menina que jogou a vida toda e sempre lutou pela igualdade de gêneros”, conta Maíra que, sob o comando do “Globo Esporte MG”, sempre demonstrou a paixão pela área esportiva.

Dentro da Rede Globo, a comunicadora apresentou uma linguagem acessível, que atraía o público de forma natural, mas outros voos estavam em seus planos, ainda que, inicialmente, fossem dentro da emissora. “Eu até tentei, várias vezes, uma mudança de área dentro da própria emissora, mas não era do interesse deles que eu saísse do esporte, onde estava consolidada. Eu entendi a decisão da empresa e resolvi partir para algo que acredito que sempre quis: ser dona do meu negócio”, explica.

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De acordo com Lemos, a mudança na profissão era uma necessidade pessoal, mas que estava alinhada a forte vontade de, também, transformar toda a carreira que havia construído em algo que contribuísse com uma melhoria do mundo.

Maíra Lemos no Mineirão para gravação do seu canal no YouTube

Jornalismo

A paixão pelo jornalismo não surgiu do dia para noite. No caso de Maíra, que se diz observadora curiosa e falante desde a infância, era algo inevitável. “Costumo dizer que era uma “mini repórter”! O que me encantou na profissão foi exatamente poder lidar com gente de todo tipo. Conhecer realidades diferentes da minha, visitar lugares diversos. Isso não tem como ser maçante”, ressalta.

Talvez a inquietude e a criatividade, por ela já mencionadas, tenham levado a produtora de conteúdo ao YouTube. “Eu saio da minha zona de conforto e me coloco no lugar do outro diariamente. E consigo ajudar outras pessoas a fazerem o mesmo através das histórias que conto no meu canal no youtube. Lá, dou visibilidade a quem precisa e conto histórias que valorizam a diversidade e promovem transformação social. As pessoas que me seguem saem da zona de conforto, se colocam no lugar do outro, escutam o diferente e aprendem a desenvolver novos olhares para os lugares, as coisas e as pessoas. E hoje sinto que nasci para fazer isso”, enfatiza.

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Embora já fosse conhecida do grande público, encarar uma nova maneira de se fazer jornalismo pode ser uma tarefa árdua. Todos os dias milhares de vídeos disputam a atenção do público na plataforma online. Por tanto, estar presente nesse meio de comunicação foi uma decisão tomada com cautela, mas, também, aliada a coragem.

“Foi uma decisão muito bem pensada e planejada. Eu não tinha dúvidas. Mas acredito que a minha personalidade ajudou, sabe? Eu sempre fui corajosa, sempre gostei de arriscar. Eu me considero uma pessoa bem elástica, do tipo que se adapta às mudanças e supera desafios, ao invés de se paralisar diante deles”, resume.

Maíra, mostra que é consciente das escolhas que tomou. “A possibilidade de algo não dar certo faz parte da vida em todos os setores. O risco vem no pacote de qualquer decisão. O que fiz foi tentar amenizá-lo, me preparando ao máximo para a mudança da carreira. Além disso, garantí também um plano B e um plano C, para me sentir mais segura. E acima de tudo, acreditei na minha intuição e feeling“, pontua.

Rotina

Com a dinâmica diferente do que fazia nos tempos de TV, hoje, Maíra produz, faz roteiro, revisão, além de administrar a empresa e participar das negociações de mercado. Ela destaca que “foi um grande desafio e crescimento se tornar empresária”. 

O dia a dia

Com vídeos inspiradores que valorizam a diversidade e promovem a transformação social, o canal de Maíra traz grandes histórias, com qualidade e simplicidade. A maior parte das pautas são feitas pela própria jornalista, que muito observadora, consegue buscar inspiração em lugares que visita e pessoas que conhece pela vida.

Maíra conta que, além de fazer a seleção de pautas, também recebe sugestões de seguidores e conhecidos, que já entenderam o estilo do canal e ajudam com boas sugestões de histórias. Mas é ela quem bate o martelo final, destacando uma boa história. Aquela que faz sentido para o mundo, que contribui com alguma melhoria, seja informando, inspirando, dando exemplo ou apenas divertindo.





Liberdade  

Os conteúdos publicados pela jornalista no YouTube fogem das métricas usuais da plataforma que valoriza vídeos com até 10 minutos. Os de Maíra tem cerca de 15 minutos cada e são captados e editados em altíssima qualidade. “Eu levo o vídeo muito a sério. Além disso, uma boa conversa com o entrevistado não pode ter pressa. E os efeitos em quem assiste (aprendizado, reflexão) são mais profundos. Muitos vídeos meus estão sendo usados para ajudar na educação de crianças e adultos em cursos diversos de escolas e universidades de várias partes do Brasil e até em outros países”, ressalta.

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Toda essa produção traz um tom de liberdade, mas exige, também, grande responsabilidade. Isso acontece porque a agenda dela depende do horário dos entrevistados e do restante da equipe, sendo assim, a cada semana, um dia e horário diferentes para gravar. É  a rotina de não ter rotina.

Um dia a dia  cercado de tomadas de decisões, bem diferente da época de TV. “Hoje exerço o jornalismo que acredito. No meu canal, conto as histórias que acho que merecem ser contadas. E faço isso no formato que acredito. Eu sei que optei por um caminho difícil no youtube, mas é recompensador”, fala.

Novo jornalismo

Maíra Lemos conta como é encantada pela liberdade da internet. “Acho que o novo modelo de fazer o jornalismo é exatamente o de não ter modelo. E sim, acredito que o jornalista do presente vai muito além das redações”, essa é a definição de Maíra para os novos tempos de veiculação de informações, com diversos mecanismos, mais acessível do que as produções de grandes empresas e com padrões flexíveis.

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Para ela, o que o mercado chama de crise, ela enxerga como oportunidade, com novos formatos de trabalho e muitas mudanças. No entanto, Lemos acredita que é preciso se adaptar, se esforçar e estudar para se dar bem a nova realidade de comunicação.

Maternidade

Maíra Lemos esbanja alegria com a gravidez

Como se não bastassem os inúmeros afazeres e responsabilidades profissionais, Maíra agora é mãe e se prepara para a chegada de uma criança em seu lar. A jornalista disse que não poderia ter escolhido um melhor momento para a maternidade. Isso porque ela se sente madura, muito mais consciente, responsável e tranquila agora do que há anos atrás. 

“Me sinto mais preparada e vivida para me dedicar à criação de outro ser. Além disso, a qualidade de vida é primordial. Hoje, faço meu horário e o tenho mais tempo livre”, diz. O marido de Maíra Lemos, o designer Thiago Rios, também realiza boa parte do trabalho em casa, o que deve permitir que eles dediquem-se mais tempo e mais qualidade na atenção e criação do filho.

Para ela, a presença de mãe a pai é insubstituível na vida de uma criança e reconhece o privilégio de não precisar terceirizar esta tarefa a outras pessoas. Além disso, poder contar com um parceiro que divide a criação e as tarefas domésticas, para a jornalista, é imprescindível na continuidade à minha rotina de gravações, palestras e reuniões.





Autora

Após sair da TV, outra tarefa que tomou os dias de Maíra e impactou diversas vidas, foi o lançamento do livro “O gol de Budi”. O material é o primeiro do Brasil, com a temática do futebol, tendo uma menina como protagonista. Tudo fica ainda mais especial, quando ela nos conta que a história narrada é pessoal.

Budi é um apelido carinhoso de família, que irmã mais nova de Maíra a deu. No entanto, o livro apresenta a história que coincide com a de muitas meninas e meninos que tentam fazer algo diferente, que foge ao padrão. A Budi enfrenta inúmeras dificuldades, como o preconceito e o bullying, para praticar o esporte que ama, que neste caso é o futebol.

“O gol de Budi” é o primeiro livro do Brasil, sobre futebol com uma menina protagonista.

O livro tem sido utilizado por professores e pais interessados em abordar com crianças questões como respeito às diferenças e igualdade de gêneros. Nesse sentido, Maíra não esconde que tem muita esperança nas gerações futuras e acredita que serão mais respeitosos com os outros e com a natureza. “Acho imprescindível trabalhar estas questões ainda na infância, fase de maior importância na formação de caráter do ser humano. Além disso, as crianças estão mais abertas, são mais inocentes e podem absorver com mais facilidade do que os adultos”, comenta.

O esporte

Desde criança apaixonada pelo futebol e com o esporte cravado em sua história profissional, Maíra se dispôs a estudar a relação do Futebol feminino com os meios de comunicação. Isso gerou, há quatro anos, o artigo científico,  “A invisibilidade do futebol feminino na mídia tradicional”.

A jornalista analisa que no Brasil, se comparado com outros países, o futebol feminino ainda está engatinhando e que falta tradição em categoria de base. Ela pontua que boa parte das atletas que atuam no Brasil tem jornada dupla, ou seja, trabalham de dia e treinam de noite. Além disso, nos campeonatos estaduais essas atletas enfrentam dificuldades absurdas, como falta de médico no campo e até de água em alguns jogos.

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“A culpa é de quem? De todos nós! Nosso país é machista, preconceituoso. A sociedade tem uma dívida histórica com as mulheres”, ressalta a produtora de conteúdo, enquanto relembra que até 1979 a mulher era proibida por lei de jogar futebol.

Maíra gravando no Mineirão, local onde “morou” em vídeo para o seu canal

Ainda que seja apenas o começo, para quem sonha com a igualdade de gêneros, Maíra segue otimista e consegue observar uma grande mudança acontecendo. “A Copa Feminina de 2019 foi a com maior engajamento. A cada ano melhora um pouco, mas ainda temos um árduo trabalho pela frente. E o apoio do público é de extrema importância, mas, além disso, o espaço na mídia e o investimento de patrocinadores. Isso vai proporcionar melhor estrutura de treinamento e competições, além da valorização das atletas mulheres”, conclui.

O canal da Maíra, que faz novos lançamentos toda segunda feira, pode ser acompanhado pelo YouTube e outras diversas postagem podem ser encontradas no instagram.

Fotos: Arquivo pessoal/ Reprodução Youtube

Maíra Lemos: jornalismo, esporte e maternidade
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Sobre Jader Theóphilo:

Jornalista, 24 anos, formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Atua como redator e repórter do Jornal da Cidade BH. É produtor de conteúdo e colunista semanal na Revista Zint, com foco em assuntos culturais, e colaborador do site Notícia Preta. Adquiriu experiencia com apuração e produção de jornais da Record TV Minas, atuou como apresentador, repórter e produtor, na PUC TV. Além disso, participou da produção de 3 programas semanais, na TV Horizonte, e foi analista de mídias sociais, na Horizon, marca mineira de roupas masculinas.

1 Comentário

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    Marden 13 de setembro de 2019

    Boa reportagem e bela história de coragem da Maíra!

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