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Kursk: longa recria naufrágio de submarino russo no ano 2000

09 de janeiro, 2020
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Cinema. De tirar o folego, emocionante e reflexivo. Esses são alguns dos adjetivos que podem ser associados ao “Kursk- A Última Missão”. O Longa, dirigido por dinamarquês Thomas Vinterberg (A Caça), que outrora foi um dos defensores do cinema realista, com câmera na mão e poucos truques de fotografia, traz toda a grandeza Hollywoodiana sem perder a maestria.

Baseado em uma trágica história ocorrida em agosto de 2000, o filme busca recriar os últimos momentos da tripulação a bordo do inafundável submarino russo Kursk. Tudo isso, sem deixar de lado um apontamento politico: a negligencia por parte do governo Russo.

Após uma sequencia de explosões, o submarino Kursk, movido a energia nuclear, afundou com cerca de 118 pessoas a bordo, a uma profundidade de 116 metros, no mar de Barents, a este da Peninsula Rybachi, a 80 quilómetros da costa.

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Embora a explosão tenha matado a maior parte da tripulação, 23 homens teriam conseguido sobreviver por horas após o acidente. Além disso, teriam sido localizados pela marinha Russa, que iniciou o resgate, mas com poucos aparatos para realizar a busca, acabou prolongando o sofrimento daqueles homens. A situação fica ainda mais grave já que, apesar de divulgar que aceitaria a assistência externa, o governo de Putin teria tentado encobrir tudo por medo de que outras potencias descobrissem seus segredos militares.

O bilhete abaixo foi encontrado no bolso de Dmitri Kolesnikov, o capitão-tenente de 27 anos que fazia parte da equipe do Kursk. Apesar de dirigida à família, essa seria a única prova existente de que houve 23 sobreviventes às duas explosões que destruíram grande parte do submergível.





“Está escuro aqui para escrever, mas vou tentar pelo tato. Parece que não há possibilidades, 10-20%. Vamos torcer para que pelo menos alguém leia isto. Cumprimentos a todos. Não há necessidade de ficarem desesperados.”

— Capitão-Tenente Dmitri Kolesnikov





No que diz respeito a película, com roteiro assinado por Robert Rodat (O Patriota e O Resgate do Soldado Ryan), três olhares distintos em relação a tragédia são apresentados. O primeiro passa pelo personagem fictício central, o marinheiro Mikhail Kalekov (Matthias Schoenaerts). Ele é um dos homens que luta pela sobrevivência no Kursk.

A segunda analise da trama pode ser vista pelos olhos da esposa grávida de Kalekov (interpretada de maneira emocionante por Léa Seydoux) e mãe de uma criança pequena. Ela dá o rosto ao desespero das famílias desesperadas em busca de informações, que teriam sido negadas pelo governo russo.

Por último, os “donos do poder” que negligenciam o salvamento de vidas, enquanto lutam para esconder o sucateamento do seu poderio militar da Russia. Neste quesito, o filme comete o seu maior deslize. Ao encenar o comandante inglês David Russell (Colin Firth) como uma figura meramente benevolente e sem interesses politicos.

Em uma das cenas mais marcantes do filme, Vinterberg cria uma sequencia em um Longo Take com nível técnico primoroso. Mikhail e outro marinheiro precisam atravessar por um compartimento completamente inundado, nadando. Eles vão em busca de alguns cartuchos de oxigênio. A fotografia e uma sonoplastia que prioriza exclusivamente o som da água durante o mergulho criam um ambiente claustrofóbico criando a cena mais tensa e envolvente de Kursk.





Elenco: Matthias Schoenaerts, Léa Seydoux, Colin Firth e Max von Sydow
Produção: França, Bélgica e Luxemburgo, 2018
Direção: Thomas Vinterberg

Nota: 9/10

Assista ao trailer:


Sobre Jader Theóphilo:

Jornalista, 24 anos, formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Atua como redator e repórter do Jornal da Cidade BH. É produtor de conteúdo e colunista semanal na Revista Zint, com foco em assuntos culturais, e colaborador do site Notícia Preta. Adquiriu experiencia com apuração e produção de jornais da Record TV Minas, atuou como apresentador, repórter e produtor, na PUC TV. Além disso, participou da produção de 3 programas semanais, na TV Horizonte, e foi analista de mídias sociais, na Horizon, marca mineira de roupas masculinas.

1 Comentário

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    Agencia de Publicidade Sorocaba 17 de janeiro de 2020

    Adoro esse tipo de filme! Obrigado pelo conteúdo 😉

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