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Espiritualidade: textos sobre Barnabé

11 de junho, 2020
Por: Jornal da Cidade BH
Texto: Carlos Malab
Jornal da Cidade BH Notícia boa também dá audiência!

O JORNAL DA CIDADE BH preparou lançamentos, periódicos, com uma série de escritos sobre Barnabé, um dos primeiros trabalhadores que se agregaram integralmente à causa cristã. Confira todos os textos da coluna sobre Barnabé assinada por Carlos Malab.

A MAGOA É UMA ERVA DANINHA

Não tardava a chegada da noite e uma brisa suave e fresca se espraiava por toda a cidade de Antioquia. O calor do dia havia sido intenso e agora todos se sentiam aliviados.

Neste clima agradável, vamos encontrar os trabalhadores da igreja cristã, ainda intitulada casa do caminho, se preparando para a reunião de comentários entorno dos ensinos e da vida de Jesus.

Barnabé e Demétrios conversavam em recanto de atendimento, onde alguns doentes eram alojados caridosamente, por estarem desamparados pela sociedade. A maioria dos abrigados era de idosos com dramas comuns de abandono e desconsideração gritantes.

Irmão Demétrios se dedicava a realizar os tratamentos de saúde e tarefas de enfermagem. Trabalhava com simplicidade e imensa disposição de servir. Barnabé por sua vez auxiliava a consolar as almas que ali se encontravam.

A conjugação das atividades dos dois, no beneficio dos sofredores, gerava imenso bem por unir no tratamento, os aspectos práticos da ciência conhecida, com a palavra de fé na busca da harmonia interior.

Juntos ao leito de um senhor idoso, abatido pelas dificuldades da vida, com um quadro de saltos fortes no batimento do coração, identificamos o seguinte dialogo:

-Irmão Calixto, como passou o dia? Perguntou Demétrios sempre atento aos menores detalhes.

-Hoje estou melhor Irmão, mas não posso me lembrar do meu filho que meu coração dispara. Porque ele me abandonou? Não se lembra este filho ingrato, de tudo que lhe dei? Porque me deitou a sarjeta, sem amparo, quando não faltou para ele um lar acolhedor?

Calixto chorava baixinho, mas podia-se notar que as lágrimas vertiam do seu interior com muita magoa e rancor.

Demétrios preparava um elixir, ao lado do leito, enquanto Barnabé dirigindo-se ao enfermo com palavras de atenção e consideração irradiantes aconselhava:

-Irmão Calixto não guarde a magoa em seu coração, ela é como uma erva daninha que suga a vida da boa semente e abafa qualquer realização em nossa vida. Vamos meu querido irmão, deixar nosso campo interior limpo e livre para a boa semente florescer. Perdoa meu amigo. O divino mestre repetia sempre que devemos perdoar não sete mas setenta vezes sete vezes. (1)

Neste momento, Calixto voltou-se para os dois com uma expressão seria e triste na face e comentou:

-Sei irmãos que preciso perdoar mas estou toda a hora lembrando quando fui jogado na rua por Altino, em um momento de raiva, porque não concordava com as suas ações no nosso comércio. Meu erro foi ter passado o controle de tudo que possuía a ele, pensando que poderia me recolher tranquilo ao descanso justo. Porque tanta ingratidão?

Este cenário já vinha ocorrendo a varias semanas e o doente só definhava no leito. Desde que fora internado, manifestava nítida memoria do passado, mas os fatos recentes pareciam se apagar da sua lembrança cada vez mais rápido. O clinico atencioso buscava entender como auxiliar mas a verdade é que somente oração conseguia amenizar a mente do socorrido.

Sem que ambos percebessem, adentrou à instituição uma senhora jovem e bem trajada procurando pelo avô.

Ela passou por diversos leitos ali harmoniosamente dispostos, como que guiada por força estranha. Ao ver o leito de Calixto, demonstrou grande emoção e o abraçou devagarinho, com muito respeito e carinho.

Os olhares da dupla de trabalhadores da casa se cruzam surpresos, não reagiram, entenderam que o momento era decisivo e que Deus estava agindo. Não era segredo que o estado de saúde de Calixto era grave e crônico, já tinham feito tudo para sua melhora, sem conseguir reter o progresso da doença.

-Vovô finalmente te encontrei, disse a senhora. Sentimos muito a sua falta vovô. Não existe um dia que não lembramos de você.

A jovem mostrava-se sinceramente emocionada. Notava-se que ela retinha as lagrimas com muita dificuldade.

-Vovô te procuro a semanas e só agora as informações me trouxeram a este local que te abriga.

Barnabé e Demétrios calados, continuaram a acompanhar a cena inesperada e oravam do fundo do coração para que a oportunidade mandada por Deus pudesse ser bem aproveitada.

-Minha netinha querida, como é bom te ver, falou o doente com a voz fraca e notadamente embargada.

-Vovô quanta saudade de você e de seus desenhos. Desde o dia que você saiu, nossa casa está triste. Papai se arrependeu do que fez com você. Depois daquele dia ruim, tudo na vida dele começou a dar errado. Ele agora também te procura Vovô. Ele quer te pedir perdão.

Calixto abriu bem os olhos e sua expressão facial mudou. Via-se claramente que estava emocionado e a presença da neta o tocava profundamente.

-Netinha querida quanta alegria por você estar aqui. Pedi a Deus que não me deixasse partir desta vida, sem te ver novamente e ele me atendeu. Agora me sinto feliz. Corina, meu anjo, sou como uma candeia que se apaga depois de queimar todo o óleo.

-Não diga isto vovô, Deus vai nos ajudar.

O Velho Calixto não conseguia esconder a respiração difícil e mesmo com a ajuda dos dedicados tarefeiros, estava claro que a sua maquina física, enormemente desgastada, estava prestes a parar.

-Netinha do meu coração, aqui tenho aprendido muito e estes amigos que você vê, ao meu lado, são meus salvadores. Eles insistem em dizer para eu perdoar o seu pai. Sinto que a hora da minha partida é chegada. Tem dias que vejo aqui ao meu lado, papai e mamãe que há longo tempo se foram e me pergunto, o que é isto meu Deus?

A respiração de Calixto ficava cada vez mais fraca.

-Diga a seu pai , querida netinha, que eu o perdoo do fundo do meu coração e que estarei sempre junto de vocês. Sem os ensinos de Jesus não teria entendido isto. Peça para ele vir aqui, nesta casa que me amparou com tanto carinho e aprenda o que aprendi.

A voz de Calixto agora sumia e a sua face mudou de coloração. Ele tinha uma expressão de paz e um sorriso leve de quem desejava dizer que partia em paz.

Corina abraçou o vovô com profundo amor, como quem tem nas mãos um tesouro precioso ao coração e desabou em choro.

Barnabé, compenetrado naquele instante tocante, orou a prece ensinada por Jesus a seus discípulos, pedindo pela alma de Calixto que naquele momento voltava para a verdadeira vida.

(1) Mateus 18:21-22

Carlos Malab – textos sobre Barnabé

Engenheiro, 61 anos, formado pela PUC-MG, com extensão no IEC e Fundação Don Cabral, o autor da coluna, foi Professor convidado no IBMEC, IEC, IETEC e PUC-MG. Possui vasta experiência em planejamento e implementação de tecnologias no Brasil, tendo trabalhado por um ano na Namíbia onde dirigiu a parte tecnológica da maior empresa de Telefonia Móvel Celular do pais. Atualmente reside em Belo Horizonte onde desenvolve atividades de consultoria. Tem se dedicado a estudos, pesquisas sobre o Evangelho e questões espirituais. Espírita Cristão, Atualmente integra os quadros do Portal Saber Espiritismo, do Grupo Mediúnico Maria de Nazaré e do Grupo Espírita Saber Amar de Belo Horizonte.  É palestrante e autor dos livros Telefonia Móvel de Forma Simples e Prática (Clube de Autores) e Era Uma Vez Para Sempre (Editora Vinha de Luz).

E mail: [email protected]


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2 Comentários

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    Beatriz Teodoro 12 de junho de 2020

    Muito bonito ver o momento do perdão sincero acontecer. Não há dia nem hora certos. A qualquer momento pode ser efetivado desde que o coração esteja preparado para o ato tão sublime de verdadeiro cristão. Este relato é muito lindo e emocionante. Obrigada, Malab, por nos proporcionar essa oportunidade de reflexão.

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    Cleide Aparecida Alves 12 de junho de 2020

    Mensagem bonita e consoladora!

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