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Espiritualidade: textos sobre Barnabé

04 de junho, 2020
Jornal da Cidade BH Notícia boa também dá audiência!

O JORNAL DA CIDADE BH preparou lançamentos, periódicos, com uma série de escritos sobre Barnabé, um dos primeiros trabalhadores que se agregaram integralmente à causa cristã. Confira todos os textos da coluna sobre Barnabé assinada por Carlos Malab.

O TRABALHO É UMA DÁDIVA DE DEUS

Próximo de Antioquia e ao norte da foz do rio Orontes se encontrava o porto de Selêucia Piéria. O local era um movimentado ponto de ligação da cidade e de toda a região com Roma através das grandes rotas comerciais marítimas.

Atendendo o pedido de um marinheiro, filho de uma senhora auxiliada pela casa do caminho, Barnabé convidou a Saulo para lhe acompanhar ao famoso ancoradouro com o fim de receber uma doação.

Todos os atendimentos da pequena igreja de Antioquia eram gratuitos, mas como tinham muitas despesas, na tarefa de amparo e ajuda aos necessitados, as doações feitas de forma desinteressada ou mesmo em ato de gratidão espontânea, eram sempre bem recebidas.

Eles partiram de Antioquia, antes do sol nascer, chegando no meio da tarde a Selêucia. A viagem transcorreu tranquila e sem incidentes. Ao terminarem a viajem, decidiram aguardar na murada de pedra que circundava parte da praia. O barco estava programado para aportar durante o dia, no entanto, as previsões de chegadas não eram precisas. Haviam sido instruídos a esperar.

Saulo admirava o movimento intenso do local e comentou:

-Permita Deus que um dia possamos partir daqui para divulgar a mensagem do Senhor. Tenho esta ideia fixa em minha mente.

-Oro também para que este dia chegue e que estejamos preparados, completou Barnabé, lembrando com saudade da sua terra natal. A ilha de Chipre onde nascera, tinha conexão direta e constante com aquele porto, devido a sua produção de cobre e ao comercio prospero.

O futuro apostolo dos gentios, olhava atento às embarcações que se ajustavam, nas manobras precisas dos ágeis remos, buscando aproveitar a força do vento, e então afirmou:

-Sonhei que saiamos juntos por aqui na tarefa de falar de Jesus em longa viagem. Ouvia também uma voz a me advertir para não temer os julgamentos, a rejeição e as chibatas pois o senhor estaria conosco onde estivéssemos.

-Uma beleza de sonho meu Irmão!

Neste momento, aproximou-se dos dois, um rapaz de pele queimada pelo sol com um andar arqueado e cansado. Ele parou e perguntou:

-É o senhor Barnabé?

-Sim, sou e este é irmão Saulo, estamos ao seu dispor.

-Que bom que os encontrei. Sou Theo filho de Lina. Tenho enorme gratidão pelo amparo de vocês à minha família. Graças a Deus tudo está bem melhor. Pedi a vinda de vocês, porque recebi do capitão da Corbita (1) que trabalho, o valor correspondente a uma ânfora grande de azeite em pagamento por serviços extraordinários que lhe prestei em caráter particular. Gostaria de destinar este dinheiro a tarefa de assistência que vocês dirigem. Aqui esta, com o meu reconhecimento eterno.

Theo repassou a Barnabé pequeno saco de pano de vela marítimo, desgastado pelo uso, contendo algumas moedas.

-Muito obrigado meu irmão, ficamos felizes em receber, repetimos no entanto, com todo o respeito e consideração, o que falamos sempre, vocês não estão na obrigação de nos pagar por nada. A tarefa que participamos, pertence ao nosso Mestre Jesus e todas as bênçãos vem Dele. A gratidão vertida do seu coração bondoso é o que mais nos alimenta e demonstra a nobreza de sua alma. Nós agradecemos do fundo do coração a sua ajuda. Estes recursos serão usados no auxilio aos necessitados que aportam a nossa casa.

-Sei disto, respondeu o rapaz, é de bom grado que faço esta doação e não damos mais porque não temos. Vocês salvaram a vida de minha mãe e fazem um trabalho que admiro.

De relance veio a mente de Barnabé a imagem de como Lina havia aportado a instituição. Ela estava totalmente desenganada e diziam que teria poucos dias de vida. O tratamento de imposição das mãos e uso da agua da oração, havia conseguido livra-la da doença que lhe consumia as entranhas. Lina pode retornar a vida normal sem qualquer sequela.

-Agradeçamos ao Senhor pela cura porque tudo vem da sua bondade infinita. Mas quanto a você? Vejo que caminhas com dificuldade e pareces cansado e envergado como se carregasse um peso.

-A minha vida não tem sido fácil a bordo. O capitão é um homem exigente. Tenho trabalhado por anos sem descanso. É como ser escravo da embarcação. Tem certos momentos que fico revoltado mas penso em minha mãe e minhas irmãs e sigo em frente.

-Faz bem irmão pois manifestar revolta contra o trabalho que te sustenta gera sempre mais dor. Você é livre, pode buscar quando oportuno, algo que lhe anime o espírito e minimize dificuldades da vida. Além do mais, reclamando, pode ser mal interpretado pelo capitão e virar comida de peixe.

Todos riram com a frase dita de forma descontraída por Barnabé que ficou engraçada mesmo revelando costume violento.

-Fico pensando em o que fazer, disse Theo.

-O trabalho não mata ninguém e é uma dádiva de Deus que ocupa com utilidade os nossos dias e permite nos sustentar e a nossa família.

Após uma pequena pausa Saulo que tudo observava com atenção comentou:

-O seu capitão pelo que vejo é exigente mas sabe reconhecer os que trabalham bem e aprecia a maneira como você realiza suas tarefas, tanto assim é que pelo que entendi ele lhe deu uma recompensa. Trabalhe com afinco, dedicação, tendo os olhos o bem do teu patrão e verá que com o tempo os benefícios lhe chegarão.

Theo fez um gesto de quem concorda com o exposto e complementou:

-Reconheço que é assim mesmo irmão. Já trabalhei em outras embarcações e pelas minhas atitudes sempre fui bem indicado para novos barcos quando precisava de mudar. O que desejo agora é ter um serviço que me deixe mais tempo em terra. Quero casar e ter uma família.

-Isto mesmo, sabe qual é o dia mais feliz na vida do escravo? É o dia da sua alforria, disse Barnabé procurando fazer o clima ficar mais leve.

Saulo pensou um pouco e lembrou-se de conhecidos de profissão que viviam próximo a Selêucia. Estavam nas redondezas do porto e certamente tinham muitas encomendas. Não estaria ali uma oportunidade?

-Sou tecelão e aprendi este oficio por decisão de meu pai. Quando jovem não consegui enxergar, como vejo agora, o quanto isto foi importante para mim. A tecelagem é um trabalho árduo mas sempre tem clientes. Sabendo trabalhar com dedicação e disciplina, colocando amor no que faz e atendendo bem as pessoas, você conseguira uma boa clientela e uma fonte razoável sustento. Se desejar Theo, posso conversar com tecelões aqui de Selêucia pedindo para lhe admitirem como trabalhador iniciante e aprendiz. O que acha? Além do mais estarei em Antioquia a sua disposição.

O rapaz não cabia mais em si de felicidade e quis beijar as mãos do novo espontâneo amigo, mas ele não permitiu.

-Aceito com muita alegria a sua oferta. Vou falar com o capitão. Dentro de três meses termina meu compromisso inicial com o barco e estarei livre para buscar um novo caminho. Muito obrigado pela sua ajuda.

Os três se encaminharam então para a área de desembarque de mercadorias, Theo mostrou as atividades que desenvolvia e em seguida, despediu-se calorosamente, prometendo procura-los assim que possível em Antioquia.

Barnabé e Saulo devido a hora já avançada, decidiram procurar um local para pernoitar, planejando retornar no dia seguinte bem cedo.

(1) Corbita – Nome dado as embarcações mercantes romanas.

Carlos Malab – textos sobre Barnabé

Engenheiro, 61 anos, formado pela PUC-MG, com extensão no IEC e Fundação Don Cabral, o autor da coluna, foi Professor convidado no IBMEC, IEC, IETEC e PUC-MG. Possui vasta experiência em planejamento e implementação de tecnologias no Brasil, tendo trabalhado por um ano na Namíbia onde dirigiu a parte tecnológica da maior empresa de Telefonia Móvel Celular do pais. Atualmente reside em Belo Horizonte onde desenvolve atividades de consultoria. Tem se dedicado a estudos, pesquisas sobre o Evangelho e questões espirituais. Espírita Cristão, Atualmente integra os quadros do Portal Saber Espiritismo, do Grupo Mediúnico Maria de Nazaré e do Grupo Espírita Saber Amar de Belo Horizonte.  É palestrante e autor dos livros Telefonia Móvel de Forma Simples e Prática (Clube de Autores) e Era Uma Vez Para Sempre (Editora Vinha de Luz).

E mail: [email protected]


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2 Comentários

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    Fernando 19 de junho de 2020

    Mais um ótimo texto. A lei do trabalho é uma das leis da natureza.

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    Pedro Marques de Azevedo 17 de junho de 2020

    Texto interessante, que nos faz refletir.
    Estamos felizes com o que fazemos?
    Tratamos de forma correta e coerente as pessoas que trabalham com a gente?
    Estamos preparados para assumir novos desafios nas nossas vidas?

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