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Espiritualidade: textos sobre Barnabé

18 de junho, 2020
Por: Jornal da Cidade BH
Texto: Carlos Malab
Jornal da Cidade BH Notícia boa também dá audiência!

O JORNAL DA CIDADE BH preparou lançamentos, periódicos, com uma série de escritos sobre Barnabé, um dos primeiros trabalhadores que se agregaram integralmente à causa cristã. Confira todos os textos da coluna sobre Barnabé assinada por Carlos Malab.

A ORAÇÃO É UMA CONVERSA COM DEUS

Lá fora o vento batia forte nas arvores do jardim da casa cristã de Antioquia. O frio se acentuava com o início da noite.

Agasalhados como podiam, no pequeno salão destinado aos estudos, vamos encontrar alguns trabalhadores da casa e simpatizantes que ali se sentiam confortáveis em ouvir as palavras de esclarecimento e fé. A reunião era sempre feita em clima de informalidade e profundo respeito.

O salão possuía bancos toscos, mas sólidos, onde era possível assentar-se sem aperto e participar da pequena assembleia.

O clima de fraternidade reinante, era diferente de outras seitas religiosas pois o ambiente era aberto para homens e mulheres, independentemente da idade e do status social. Todos ali eram bem recebidos e tinham as mesmas oportunidades de se manifestar.

O responsável pela palavra era Barnabé, ele havia sido anteriormente designado, entre os mais experientes em analises e comentários.

Barnabé adentrou o salão com simplicidade e analisando de relance quem eram os presentes, identificou o nível de profundidade que poderia falar para atender aos participantes.

Após solicitar permissão para iniciar, fez uma rogativa de inspiração ao alto e disse:

-Queridos Irmãos é com alegria que torno a falar a vocês sobre as lições ensinadas pelo nosso amado Mestre e desde já peço perdão por minhas limitações e dificuldades. Estejam certos irmãos que meu coração está unido com o de vocês para melhor entendermos as lições sobre a necessidade de amor ao próximo.

Barnabé havia decidido estudar sobre a prece. Não desejava ver os novos seguidores adentrarem pelo campo do ritualismo cego que tão bem conhecia. A distancia do ambiente sufocante de Jerusalém ,era propicio para fugirem as superficialidades e se dedicarem a simplicidade. Quanto maior numero de pessoas entendessem com profundidade os ensinamentos, mais estaria garantido que suas ações se condicionariam a um sincero e profundo sentimento de renovação pessoal.

-Sendo a prece uma necessidade de todos os momentos, decidimos trazer, como tema de hoje, as palavras que me foram transmitidas em Jerusalém, ensinadas pelo próprio Jesus, na forma de um roteiro para nos dirigir a Deus.

A oração é uma conversa com Deus, deve ser feita com a nossa alma leve e sem no preocuparmos em mostrar aos outros que a estamos realizando. Palavras bonitas, mas vazias de sentimento interior, não passam das paredes que nos cercam.

-Mas como é isto Irmão Barnabé? O que devemos fazer para orar? perguntou Matias que ha poucas semanas começara a frequentar dos estudos da casa.

A pergunta polarizou a atenção da maioria dos presentes que ficaram atentos para saber a resposta.

Barnabé entendendo o que se passava, pois vários ainda se enraizavam na reza como um costume de manifestação social exterior, respondeu:

-Meu irmão a rogativa que vale para Deus é aquela feita com total sinceridade e fé e não as decoradas, sem o sabor do nosso espírito. É por isto que para orar temos de entrar no nosso aposento íntimo e nos dispormos a conversar com o Pai. Não se esqueçam que Deus é onipresente, tudo vê e tudo sabe. O que concede força irradiante a um pedido é o que impregnamos do nosso interior nele.

-Se Deus sabe tudo o que se passa, conhece os meus problemas, porque então tenho que orar?

-Boa pergunta irmão Matias, quando oramos equilibramos a nossa mente e a abrimos para o auxilio do Pai. Obtemos a paz interior e a tranquilidade para tomar decisões. Podemos assim ouvir a mensagem de Deus, expressando no nosso íntimo, o que é melhor para nós. Foi por saber das nossas dificuldades que Jesus nos mostrou como orar, dando o alerta que não basta falar bastante para ser ouvido.

-Isto quer dizer que estamos orando errado quando nos reunimos e proferimos em voz alta um pedido a Deus? Pergunta irmã Hilda.

-Se simplesmente repetimos palavras que nos ensinaram, como se estivéssemos recitando versos de um salmo, sem refletir no seu conteúdo e não implorar do fundo do coração, a prece pode morrer, como desaparece o som da voz a distancia. Mas se colocamos nela o significado profundo, a súplica vara o céu com toda a força e vai chegar até Deus e seus anjos de luz e amor. Entendeu?

Hilda abanou a cabeça em sinal de concordância e Barnabé continuou:

-Não faz diferença onde estamos para que a oração seja recompensada, o que importa, repito, é a intensidade da fé que nela colocamos. No entanto, em ambiente silencioso e pacifico, podemos nos concentrar melhor, favorecendo a recepção e analise das respostas que o Senhor nos envia.

Como não surgiam novas questões Barnabé continuou:

O próprio Mestre nos deu um roteiro e ensinou-nos uma oração ela diz assim:
– “Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o seu Nome.”(1)

Barnabé parou de falar, como se esperasse uma pergunta, isto deu a oportunidade para que Jonas indagasse:

-Irmão, porque Ele diz “que estais nos céus “ e não no céu?

-Muito bem irmão Jonas, Deus está em toda a parte é por isso que Jesus diz “que está nos céus “. Já comentamos aqui que Ele ensinou que ‘Na casa de meu Pai há muitas moradas”,(2) assim fica claro que Deus não vê um horizonte limitado como o nosso, sua visão é plena, ampla em todos os planos da vida e do universo. O Mestre também nos concita a respeitar a Deus, significando que devemos seguir os seus mandamentos a risca, pois só assim santificaremos o Seu nome.

Sem mais perguntas o explanador deu seguimento.

-Jesus continua ensinando: “venha o teu Reino, seja feita a tua vontade na terra, como no céu “.(1) Devemos assim demandar a Deus que o seu Reino de justiça e paz venha até nós. Respeitarmos e louvarmos as suas decisões, pois Ele vê o nosso intimo e não só o que mostramos superficialmente aos que nos cercam. A vontade de Deus não é caprichosa. Ela é certeira e justa. Por isso deve ser feita a Sua vontade, tanto nos nossos interesses e problemas materiais do dia a dia, como naqueles ligados ao nosso bem estar e realização espiritual. Não é para exigirmos de Deus a resposta e ajuda do jeito que queremos, mas sim suplicar que tudo seja feito da forma que ele vê ser melhor. Se assim fizermos, estaremos demonstrando a nossa confiança no Pai celestial. Vamos pedir e não exigir. Nisto há uma diferença grande não acham?

Barnabé observa em derredor e vendo a aceitação geral e prossegue:

– “O pão nosso de cada dia nos dá-nos hoje “.(3) O pão representa o alimento básico e essencial. A sua referencia nos lembra a necessidade real e imediata de trabalho pela conquista do nosso sustento, sem nos desviarmos no campo do supérfluo. Lembra-nos que devemos ser previdentes mas não ansiosos pelo futuro e pelo que virá. Vamos construir o nosso porvir com disciplina, paciência e segurança. Todos nós retornaremos, sem exceção, um dia a casa do Pai e o que podemos levar para lá, são as eternas conquistas da alma, pois os valores materiais, vão ficar na terra e serão consumidos pelo tempo.

A explanação sobre a oração avança:

– “E perdoa-nos as nossas dividas como também nós perdoamos aos nossos devedores “.(4) A máxima do perdão é que mostra o caminho da libertação e da salvação de cada um. Quando perdoamos aos que nos tem ofendido, liberamos a nossa mente das correntes do ódio e do rancor que nos prendem aos cobradores dos nossos erros e falhas. É um fenômeno de ida e de volta e seremos felizes se conseguirmos seguir pela vida sem causar mal a outrem. Só consegue entender o valor do perdão aquele que com sinceridade perdoa. O amor na sua plenitude é universal e só o amor verdadeiro nos eleva e constrói relações firmes e duradouras.

Mais uma vez Barnabé para por alguns minutos e em silencio aguarda perguntas , a audiência em silencio significativo, parece paralisada pelos lindos conceitos, ele então segue:

– “ E não nos submetas à tentação, mas livra-nos do mal “.(5)

Neste instante Tobias interrompe e pergunta:

-Irmão porque temos de passar pela tentação?

-A tentação irmão Tobias é um teste para nós. Só somos tentados naquilo que nos toca em uma dificuldade interior. Assim que vencemos definitivamente a prova e passamos no teste, não estamos sujeitos a novas quedas naquela imperfeição. Aquele que venceu o apego aos bens terrenos, não cai no erro da avareza. Assim se nos prepararmos com as conquistas definitivas, podemos vivencia-las a qualquer momento pois estaremos livres do mal e das dores que elas nos causam.

-Entendi irmão e vejo que muito tenho de fazer ainda, para vencer as tentações, pois tenho muitas falhas.

-Esta é a situação de todos nós meu irmão, é por isto que temos de clamar forças para o Pai que é o senhor soberano, de forma a seguir em frente limpando a túnica de nossa alma. Todos temos a luz divina no nosso interior. Devemos nos esforçar em seguir os passos de Jesus que ensina: “Eu sou Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim. “(6)

-Estamos longe disso, não é irmão?

-Sim irmão Tobias, mas mesmo como estamos, a distancia diminui quando damos os primeiros passos. Vamos usar a oração que examinamos hoje, como perfeita ferramenta posta para uso contínuo. Ela aborda tudo o que necessitamos meditar e praticar para o restabelecimento e fortalecimento interior.

Após alguns breves comentários, a reunião terminou. Barnabé ao se retirar para o seu leito, buscando o repouso, ficou olhando para o teto por longo tempo, refletindo em cada palavra estudada e devagarinho adormeceu sentindo dentro de si uma profunda paz.

(1) Mateus 6:10;
(2) João 14:2
(3) Mateus 6:11
(4) Mateus 6:12
(5) Mateus 6:13
(6) João 14:6

Carlos Malab – textos sobre Barnabé

Engenheiro, 61 anos, formado pela PUC-MG, com extensão no IEC e Fundação Don Cabral, o autor da coluna, foi Professor convidado no IBMEC, IEC, IETEC e PUC-MG. Possui vasta experiência em planejamento e implementação de tecnologias no Brasil, tendo trabalhado por um ano na Namíbia onde dirigiu a parte tecnológica da maior empresa de Telefonia Móvel Celular do pais. Atualmente reside em Belo Horizonte onde desenvolve atividades de consultoria. Tem se dedicado a estudos, pesquisas sobre o Evangelho e questões espirituais. Espírita Cristão, Atualmente integra os quadros do Portal Saber Espiritismo, do Grupo Mediúnico Maria de Nazaré e do Grupo Espírita Saber Amar de Belo Horizonte.  É palestrante e autor dos livros Telefonia Móvel de Forma Simples e Prática (Clube de Autores) e Era Uma Vez Para Sempre (Editora Vinha de Luz).

E mail: [email protected]


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1 Comentário

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    Pedro Marques de Azevedo 20 de junho de 2020

    Malab
    Mais um texto verdadeiro, repleto de ensinamentos e de verdade plena.
    Ao refletir sobre as palavras postas por você no texto, nos levamos a entender e a perceber o verdadeiro sentido de uma oração.
    Rezar não é simplesmente repetir de forma inexpressiva uma oração.
    Rezar é o momento que o seu coração está aberto para um diálogo direto e sincero com o nosso pai.
    Gostei muito do texto e de suas colocações.
    Grande abraço.

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