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Degustação proporciona novas experiências em queijos, vinhos e azeites

03 de setembro, 2019
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Gastronomia. Que tal ter experiências com azeites e vinhos uruguaios, harmonizando com queijos mineiros? Tudo de qualidade e em um ambiente amplo e aconchegante ao mesmo tempo? Pois foi esta a proposta do UrugUAI.

Durante dois dias, alguns felizardos conseguiram comprar vagas para participar do evento com sugestivo nome, organizado na Casa do Porto, em BH, no mês de agosto.

As degustações foram conduzidas pelo jornalista gastronômico, Eduardo Girão e pela azeitóloga, Ana Beloto.

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Ana Beloto e Eduardo Girão: especialistas comandaram as degustações (Foto JC)

Terroir

Esta mistura Uruguai e Minas Gerais foi o grande charme do evento, que contou com o apoio do Consulado de BH do país vizinho. Teve a presença, inclusive, da consulesa Maria Ximena Alvarez Martinez, que ressaltou o aumento da presença de turistas mineiros ao Uruguai, um pequeno, belo e charmoso país, cujo “terroir” para vinhos é o que mais se assemelha ao da França.

Mineira de BH, Ana Beloto é comunicóloga, pós-graduada em varejo e antropologia da alimentação, e se especializou como Sommelière profissional de Azeites na renomada IFAPA, na Andaluzia, Espanha, e na Universidade Federal de Química de Montevideo, membro do COI (Conselho Oleico Internacional). É uma das cinco azeitólogas do Brasil.

Durante o UrugUAI, apresentou aos participantes cinco azeites uruguaios que nem mesmo são disponíveis no Brasil: La Repisada, de Maldonado; Serrano, de Canelones; Lote 8, de Maldonado; O’33, de José Ignacio; e Oglio Nuovo Collinas de Garzón, também de Maldonado.

Todos safra 2019. “Ao contrário do que muitos pensam, o azeite quanto mais novo, melhor”, ensinou a azeitóloga, que explicou a forma correta de se experimentar a iguaria. Um copinho com uma pequena quantidade basta para ser “aquecida” pelo esfregar das mãos antes de beber.

Isso mesmo – também se prova azeite bebendo, como uma bela cachaça, deixando que o líquido escorra pela língua, até arder na garganta. O ideal é que ele provoque tosse, como um pigarro, tamanha a acidez.

Vale também, claro, molhar o azeite em pães especiais, que foram também oferecidos nas mesas.

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Desmistificações

As explanações de Ana Beloto serviram para desmistificar mais sobre o azeite. Segundo ela, a garrafa deve (sim) ser guardada na geladeira, a fim de manter todo o aroma, sabor e frescor. Além disso, quanto mais viscoso o azeite estiver quando gelado, melhor ele é.

Mas o UrugUAI também prestigiou os convivas com uma bela degustação de queijos mineiros e vinhos, todos da Bodega Filgueira, que fica na região de Canelones, a apenas sete quilômetros de Montevidéu.

A função ficou a cargo do jornalista Eduardo Girão, que de tanto escrever sobre gastronomia, acabou se especializando na área. Hoje atua como palestrante, mediador e jurado em diversos eventos do setor gastronômico.

Cinco de cada

Girão selecionou também cinco representantes de cada espécime para a prova. Um queijo produzido pela Casquinha (10 dias), de Cruzeiro da Fortaleza abriu os trabalhos. Ele foi harmonizado com um Sauvignon Gris – Chardonnay (branco) 2016.

Depois veio um Rosé de Tannat – Carbenet Franc, de 2015, que se misturou ao paladar de um Boursin de ovelha, feito na Fazenda da Ovelha, em Itabirito.

Um queijo Terruá Imperial, do Rancho das Vertentes, de Barbacena, de 180 dias, foi degustado junto com um Merlot Clássico 2017.

Em seguida, um Syrah Propium 2015 foi estrategicamente pousado numa taça para ser bebido em conjunto com uma fatia de Parmesão de búfala feito pelo produtor Pérola da Serra, de Itanhandu, no Sul de Minas.

Um Tannat Reserva de 2015 foi o escolhido para fechar a noite, apreciado junto com um queijo Zenith, também produzido pela Casquinha, de Cruzeiro de Fortaleza. Esse exemplar, contudo, passou por um processo de preparação pelo afinador João Belo.

Para fechar a noite com chave de ouro foi servida uma sobremesa para lá de especial: o gelato da Mi Garba, feito exclusivamente para o evento. O produto tinha 18% do azeite uruguaio Santa Laura que atualmente não é vendido no Brasil.

A criação foi feita pela azeitóloga, Ana Beloto e o gelatiere da Mi Garba, Luca Lemzi.

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Bodega Filgueira

A Bodega Filgueira, apesar de estar no Uruguai, desde 2010 foi adquirida por uma família mineira, cuja nome é guardado a sete chaves.

A vinícola onde as uvas são processadas fica ao centro da vinha. Isso permite receber os clusters imediatamente após a colheita, em perfeitas condições e no ponto certo de maturação.

Na seleção de uvas, a vinícola usa duas tabelas: uma na qual os melhores cachos são escolhidos e a outra na qual grão a grão é selecionado. Então, cada caixa de uva vai diretamente para um tanque especial de aço inoxidável; a partir daí, a identificação dos vinhos começa não apenas pelas cepas, mas também pelas áreas de plantio.

A Bodega Filgueira realiza vinificação em tanques de aço inoxidável e vinimático; Também são utilizados barris de carvalho francês e americano de 225 litros – que recebem apenas três anos de vida útil.

Todos os processos, tanto da vinha como da vinícola, são monitorados e registrados para controlar a rastreabilidade de cada garrafa.

Rótulos variados

Os vinhos uruguaios também são ofertados na Casa do Porto, uma das mais tradicionais lojas do gênero, com 31 anos de fundação e presença, além de BH, no Rio de Janeiro, São Paulo, Vitória e Vila Velha.

Na capital, são 800 rótulo à disposição. “Nossa filosofia é focar principalmente em pequenos produtores. São vinhos consagrados, com preços competitivos”, observa Júnior Ribeiro, que divide a administração da unidade mineira com Luiz Eduardo e Deulane Bernardes.

Serviço:

Casa do Porto
Local: Rua Felipe dos Santos, 451, Lourdes
Funcionamento: segunda (10h às 21h), terça a sexta (10h às 23h), sábado (10h às 18h).
Restaurante Merci Bar Vin:
Funcionamento: terça a sexta (16h às 23h)
Telefone: (31) 2551-7078





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Sobre Luis Otávio Pires:

Luís Otávio Pires, editor, 51 anos. Jornalista com cerca de 30 de experiência na profissão, já trabalhou em diversos veículos de imprensa de Belo Horizonte, como os jornais Diário da Tarde, Estado de Minas e Hoje em Dia. Também foi assessor de imprensa da General Motos. Formado na PUC-MG em Jornalismo e também em Publicidade e Propaganda, tem pós-graduação em Marketing. Em sua carreira, já participou de coberturas de eventos nacionais e internacionais, como Salões do Automóvel de São Paulo, Frankfurt, Paris, Detroit e Turim, além de ter sido repórter especializado em Fórmula-1 (anos 90). Além de editor do Jornal da Cidade, hoje atua como colunista da rádio BandNews FM BH (coluna Acelera).

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