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Crítica: Por que assistir A Maldição da Residência Hill?

22 de outubro, 2018
Texto: Helena Ivo
Jornal da Cidade BH Notícia boa também dá audiência!

TV. Há apenas 10 dias, a Netflix lançou “A Maldição da Casa Hill”, uma de suas primeiras séries de terror. Essa, particularmente, tem dado o que falar entre os telespectadores. Mas é isso tudo mesmo?

Sim! A série gótica conta a história de uma família que morou na casa Hill, que entre seus segredos esconde diversos tipos de fantasmas. O Jornal da Cidade já assistiu (duas vezes!) e revela o porquê de ser tão boa, arrancando elogios até mesmo de Stephen King, um dos mestres do terror.

Ela não tem medo de mostrar

O criador da série, Mike Flanagan, já havia acertado notavelmente com “Hush: A Morte Ouve” e “Ouija: A Origem do Mal”, e agora volta a dirigir um dedicado elenco em uma das peças de terror mais assustadoras e realistas de todos os tempos. E é justamente essa realidade que tem feito as pessoas se prenderem tanto à série (como também ter ataques de ansiedade e não conseguir dormir sem a luz acesa!).

Mike Flanagan não mostra de cara todos os fantasmas da casa amaldiçoada, mas vai soltando aos poucos quem são eles, por meio de descrições dadas pelos próprios personagens que os veem. Logo no início, ouvimos pela primeira vez sobre a “moça do pescoço torto”, que provavelmente é a mais assustadora de todas, e ainda no primeiro episódio temos descrições precisas de outros seres “sobrenaturais” que podem surgir ao longo da série.

A história

O enredo de “A Maldição da Casa Hill” é, provavelmente, um dos mais bem feitos de todas as obras de terror. O roteiro é baseado no livro de mesmo nome escrito por Shirley Jackson e lançado em 1959.

A história narra sem uma linha temporal e transita entre o passado da família Crain na casa mal-assombrada e, de forma bem interessante, volta ao presente nos mostrando como a casa afetou cada membro da família que ali morou.
Séries e filmes de terror geralmente têm roteiros sem pé nem cabeça e apenas procuram por desculpas para lançarem as cenas de susto (jump scares) sem sentido na tela, o que acabou tornando o gênero repetitivo e até mesmo entediante para alguns espectadores mais exigentes. Em “A Maldição da Casa Hill” isso não acontece.

Até mesmo quando as assombrações são mostradas aparentemente sem um contexto, existe uma explicação. Mike Flaningan conseguiu justificar a maioria dos fantasmas de suas cenas fortes – como a que Shirley está embalsamando sua irmã Nell – e o modo como todas essas assombrações influenciaram particularmente na vida de cada um dos personagens: por que o pai “abandonou” os filhos para protegê-los, ou por que Theodora se tornou uma pessoa tão reservada.

“A Maldição da Residência Hill” é cheia de metáforas que podem ser atribuídas a cada espectador. A escolha de usar um episódio para cada personagem, por exemplo, foi certa e nos permite perceber o ponto de vista de cada um, criando empatia com os personagens, sentindo suas angústias e aflições, e fazendo com que quem está assistindo reflita sobre isso, sobre como é importante olhar além de si mesmo, dos seus próprios problemas pessoais para tentar entender o outro. Não é muito comum pensar tanto assim com histórias de terror, não é mesmo?

Mas não para por aí. A série tenta ainda responder todas as perguntas que levantamos ao longo dos episódios. Sério, quase todas as suas dúvidas serão respondidas em algum momento, não deixando margens para se questionar o roteiro.

O visual

“A Maldição da Residência Hill” é atrativa visualmente, com imagens intrigantes, boa fotografia e, de novo, não tem medo de mostrar. Os fantasmas não são inseridos aleatoriamente na história e, quando aparecem, é quase impossível não se assustar. O contexto que os traz já nos prepara para o susto, mas a realidade e a naturalidade por trás de seus motivos nos fazem perder o ar.

Talvez esse seja o maior motivo pelo qual os fãs vêm se queixando tanto de terem tido até mesmo crises de ansiedade, choro ou outras reações fortes.

O elenco

Michiel Huisman, de “Game Of Thrones” (Steven Craine), Elizabeth Reaser, a Esme da “Saga Crepúsculo” (Shirley) e Kate Siegel, de “Hush” (Theodora), compõem a parte mais famosa do elenco, mas o destaque mesmo está para os pequeninos que interpretaram os irmãos Steven, Shirley, Theo, e principalmente Nell e Luke.

Em todos os episódios essas crianças nos surpreendem pelas suas atuações e pela verdade nelas. As cenas mais pesadas da série foram vivenciadas principalmente por Luke, interpretado pelo pequeno Julian Hilliard e Nell, interpretada por Violet McGraw, que deve ser facilmente nomeada a um Emmy no próximo ano.

A Netflix entregou, portanto, uma das melhores séries de terror de todos os tempos e que, por sua inteligência, autenticidade e capacidade de assustar, pode ser comparada a outros nomes como, “Penny Dreadful” e “Salem”.

Nota: 10/10

Assista ao trailer:

Se você achou as imagens do trailer muito fortes, provavelmente não seja uma boa ideia assistir à série, ou pode te render algumas noites de pesadelo.

Foto: Netflix/Divulgação