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Crítica: Ponto Cego traz debates sociais (sem spoilers)

26 de setembro, 2018
Texto: Helena Ivo
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Cinema. Ponto Cego (Blindspotting, no título original) é, sem dúvida, um dos filmes mais impactantes de 2018. Com uma vibe muito parecida com a de Atlanta, série que bate na tecla de questões sociais importantíssimas, principalmente o racismo, o longa narra a história de Collin (Daveed Diggs), um ex-presidiário que vive em Oakland, na Califórnia.

Ponto Cego começa sua história a partir dos dois dias de condicional que restam a Collin. O personagem tenta se manter na linha em sua rotina casa-trabalho-casa, mas a tarefa se torna um pouco mais complicada de suportar quando ele presencia um policial branco atirando incessantemente contra um cidadão negro.

A partir daí, o jovem começa a perceber o seu próprio contexto social de uma forma diferente, passando a prestar mais atenção às suas companhias e as consequências que elas podem trazer para sua vida.

Explicar Ponto Cego sem fazer spoiler se torna até um pouco difícil, pois cada uma das emoções que o filme nos desperta depende de detalhes bem específicos, que nos afligem e nos permitem experienciar o que os próprios personagens estão sentindo.

O roteiro e a direção foram eficazes, trabalhando muito bem em conjunto. O roteiro foi escrito pelos atores que também protagonizam o longa, Daveed Diggs e Rafael Casal, e nos emerge profundamente na experiência do que é ser um cidadão da periferia e ainda mais o que é ser um negro periférico.

Diggs e Casal não tiveram medo de expôr cruamente como é essa realidade para alguns e, junto com o diretor Carlos López Estrada, criaram uma obra que mistura tanto algumas risadas justamente pelo humor trágico, quanto – para os mais emotivos –  lágrimas, pela mesma razão.

A tragédia dessas pessoas é mostrada em pequenos detalhes de suas lutas diárias, nas pequenas ou grandes escolhas que os personagens devem tomar ao longo da trama e nos faz refletir até sobre pontos como amizade e paternidade. Um dos pontos interessantes é como Diggs e Casal fizeram transparecer em seu roteiro como todos os personagens em questão são humanos e falhos, mas como é possível aprender com os próprios erros.

Ponto Cego foi bem eficaz em nos conectar com cada personagem, tentando fazer com que todos eles fossem compreendidos, mas mais que isso: a sensação que eu tive ao assistir esse filme foi a de como ele pode ser didático para aqueles que, ainda nos dias de hoje, não compreendem o racismo, os estigmas que ele representa e o impacto que ele tem na vida de quem o sofre.

Nota: 10/10

Assista ao trailer:

Janina Gavankar, Jasmine Cephas Jones e Ethan Embry também estão no elenco.

O filmes foi exibido pela primeira vez em julho, no Sundance Film Festival, nos Estados Unidos, e estreia nos cinemas brasileiros no dia 4 de outubro.

Foto: Divulgação

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