Jornal da Cidade BH | Notícia boa também dá audiência!

Crítica: O Abutre (2014)

11 de fevereiro, 2019
Por: Helena Ivo
Texto: Helena Ivo | Fotos: Reprodução/
Jornal da Cidade BH Notícia boa também dá audiência!

Cinema. O novo filme estrelado por Jake Gyllenhaal, “Velvet Buzzsaw”, foi lançado no início de fevereiro na Netflix e já tem dividido o público (leia a crítica). Para quem ainda não conhece a pegada de Dan Gilroy, diretor do longa, o Jornal da Cidade apresenta também outro filme dirigido por ele: “O Abutre” (2014).

Em meio a tantas fake news, o telejornalismo ainda é um dos meios de se receber informação mais utilizados pelo público, mas nem todos os profissionais que atuam na produção de notícias levam a atividade a sério, ou levam a sério demais e perdem os escrúpulos na hora de selecionar as informações que serão transmitidas à audiência.

É o caso de Louis Bloom e Nina, personagens de O Abutre, representados por Jake Gyllenhaal e Rene Russo, respectivamente.

No filme, escrito e dirigido por Dan Gilroy, que estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto de 2014, Gyllenhaal interpreta um ex-ladrãozinho fajuto que acabou se descobrindo no jornalismo independente de Los Angeles.

Quem conhece o trabalho do ator pôde perceber uma atuação impecável, que lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Ator em filme Dramático em 2014, quando o filme estreou. Jake Gyllenhaal sofreu uma transformação brusca: emagreceu cerca de 10kg, além de adotar uma postura corcunda, um jeito de andar, falar e até mesmo de olhar bem diferente do seu habitual e em todo o filme está sempre com o cabelo ensebado.

Tudo isso em função de encarnar o personagem realmente fazendo analogia ao animal que sobrevive se alimentando de carcaças de outros seres vivos para ilustrar os maus profissionais encontrados no mercado.

Jake Gyllenhaal em cena do filme

A abordagem de Gilroy mostra como o telejornalismo pode ser sensacionalista na hora de procurar por grande audiência.

Tudo começa quando Louis Bloom presencia a cobertura de um acidente de carro e, após trocar algumas palavras com um cinegrafista experiente ouve o comentário “se sangra, vira manchete”.

O que Bloom fez foi exatamente correr atrás de sangue. Comprou uma câmera semi-profissional, um rádio que capta a frequência de chamadas policiais, aprendeu o que cada código dito entre a polícia significa e passou a ir atrás de qualquer tipo de crimes ou acidentes sangrentos.

Levou seu primeiro trabalho para Nina, produtora de um telejornal de baixa audiência e vendeu por um valor significativo. Nina ficou impressionada com o potencial do rapaz e o incentivou a continuar e melhorar seu trabalho.

A partir daí, Louis Bloom começou a fazer imagens cada vez mais sangrentas e com o dinheiro que ganhava da emissora, melhorou a qualidade de seus equipamentos e contratou um estagiário, que o daria menos gastos que um funcionário fixo.

Durante todo o filme é possível observar a crítica do diretor sob o telejornalismo e a disposição de alguns profissionais da área para conseguir notícias, não importa com que meios e com quais consequências.

As atuações dignas de Oscar principalmente de Gyllenhaal e Rene Russo foram excepcionais e indispensáveis para o resultado final da obra cinematográfica, retratando de forma escrachada a falta de caráter, ética e insanidade dos personagens.

Os elementos visuais, trilha sonora, figurino, elenco e todos os quesitos utilizados no filme são mais que caprichados e cuidadosos na intenção de passar com grandeza a mensagem de Dan Gilroy.

Nota: 10/10

Se interessou? Confira o trailer, mas cuidado, porque apresenta spoilers!

O Abutre concorreu ao Oscar de Melhor Roteiro Original em 2015. Confira aqui os indicados ao Oscar 2019, que acontece no dia 24 de fevereiro.

Leia aqui todas as críticas do Jornal da Cidade.

Crítica: O Abutre (2014)
5 (100%) 1 voto


Sobre Helena Ivo:

Helena Ivo, redatora, 24 anos. Graduanda em Jornalismo pela PUC Minas, especialista em Marketing de Relacionamento, Eventos e Comunicação Empresarial pelo Instituto Superior de Comunicação Empresarial de Lisboa e em Produção de Conteúdo para a Web e Marketing de Conteúdo Avançado pela Universidade Rock Content. Já foi assessora de imprensa na Agenda Comunicação Integrada e social media em agências de Comunicação Empresarial. Apaixonada por cultura, já fez cobertura de eventos empresariais e shows nacionais e internacionais como Humberto Gessinger, Lana Del Rey e Kings of Leon. Atualmente é redatora no Jornal da Cidade BH e nas horas vagas é crítica de cinema e séries no Mundo Hype.

×
Jornal da Cidade BH | Notícia boa também dá audiência!