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Crítica: Infiltrado na Klan

20 de novembro, 2018
Texto: Helena Ivo | Fotos: Universal Pictures/Divugação
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Cinema. Infiltrado na Klan, o novo filme de Spike Lee (“O Plano Perfeito” e “Malcolm X”), estreia na próxima quinta, 22, durante a semana da Consciência Negra e retrata o racismo com muito humor ácido.

Na trama, Ron Stallworth (John David Washington) é um dos primeiros policiais negros do Colorado nos anos 70, que se infiltra na Ku Klux Klan (KKK) local.

A KKK se trata de três movimentos iniciados nos Estados Unidos, ainda no século IXX, com ideologias extremistas como supremacia branca. O culto dissemina até os dias de hoje preconceito e ódio contra minorias como negros, judeus e estrangeiros; só se livra de tal preconceito os americanos caucasianos católicos.

Stallworth se torna um membro da Klan e planeja diminuir os ataques do culto com a ajuda do judeu Flip Zimmerman, também policial, interpretado por Adam Driver (o Kylo Ren dos novos filmes de “Star Wars”). Ron conversa com os membros de maior escalão na Ku Klux Klan por telefone, enquanto Zimmerman, branco, vai pessoalmente nas reuniões, se passando por Ron.

Depois de meses de investigação, Ron Stallworth se torna um dos líderes da seita e “amigo pessoal” de David Duke (Topher Grace, de “That 70’s Show”) e consegue finalmente sabotar alguns ataques feitos pela Klux Klan.

Cena de Infiltrado na Klan.

O filme chama atenção pela sua abordagem certeira: usa e abusa da ironia nas falas de Stallworth, que apesar de novato, se mostra de grande importância no Departamento de polícia.

De forma crua, mostra um enredo baseado em fatos reais, com cenas graves de racismo, antissemitismo, homofobia, misoginia e até mesmo neonazismo não só contra ele, mas contra todos os personagens que representam minorias.

Desde a primeira cena Spike Lee garante que o público se mantenha atento, trazendo um discurso de ódio televisionado que vem da boca de ninguém menos que Alec Baldwin. No filme o ator interpreta Dr. Kinnebrew Beauregard. 

A representatividade negra está em todos os detalhes possíveis de Infiltrado na Klan: trilha sonora, elenco, reuniões que pedem por igualdade e até mesmo esteriótipos apresentados de forma sarcástica, como o próprio protagonista. Ron é negro e provavelmente a pessoa que mais profere falas carregadas de preconceito, na intenção de sustentar seu disfarce.

O que mais impressiona são o racismo extremo e retratado de forma realista – e até mesmo chocante, além das reações de quem o sofre e até mesmo de quem não concorda com ele.

John David Washington dá um show tanto na convicção com que fala mal sobre os negros durante seu contato com David Duke e Walter Breachway (Ryan Eggold), quanto no incômodo ao desligar o telefone após as conversas, dentre outas situações discriminatórias que vive no filme.

John David Washington em cena do filme.

Adam Driver, por sua vez, conseguiu passar o medo e o desconforto de seu personagem ao presenciar tais atitudes racistas em seus encontros com Felix Kendrickson (Jasper Pääkkönen) e os demais membros da KKK.

O longa traz discursos tocantes, que nos faz imergir um pouquinho na realidade negra e encerra o filme de forma impactante. Se você se emociona ou indigna fácil com injustiças sociais, leve um lencinho e prepare o coração.

Vale mencionar a incrível atuação do ator finlandês que interpretou Felix Kendrickson. Pääkkönen ficou responsável pela maior parte das falas e atitudes discriminatórias durante o filme, carregando a grande responsabilidade de através de seu papel, poder conscientizar o público.

A expectativa é que Infiltrado na Klan tenha grande destaque nas grandes premiações como Oscar e Globo de Ouro, podendo receber indicações como Melhor Roteiro, Melhor Ator (John David Washington) e Melhor Ator Coadjuvante (Adam Driver e Jasper Pääkkönen).

Nota: 10/10

Assista ao trailer:

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