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Crítica: Bohemian Rhapsody

06 de novembro, 2018
Texto: Helena Ivo
Jornal da Cidade BH Notícia boa também dá audiência!

Cinema. Bohemian Rhapsody, a cinebiografia do Queen, ainda não completou uma semana de lançamento e já arrecadou mais de R$ 9 milhões só em sua estreia no Brasil. O Jornal da Cidade BH já assistiu e conta o que esperar do filme.

Nascido em 1970, o Queen se tornou uma das maiores bandas no mundo inteiro, atraindo mais fãs a cada álbum e cada turnê lançada. Formada por Freddie Mercury (Rami Malek), Brian May (Gwilym Lee), John Deacon (Joseph Mazzello) e Roger Taylor (Ben Hardy), a banda é dona de sucessos como Radio Gaga, I Want To Break Free e Bohemian Rhapsody, que dá nome ao filme.

Essa última música, talvez seja a mais emblemática por ser definida como “obra prima” pelos próprios integrantes, mas rejeitada pelo então produtor da banda, Ray Foster (Mike Myers).

O filme apresentou a ascensão da banda nos anos 70 e o processo de criação de algumas músicas, como a própria Bohemian Rhapsody, We Will Rock You e Love Of My Life.

A última foi composta como uma declaração de amor à Mary Austin (Lucy Boynton), namorada de Freddie na época e amiga do cantor até o fim de sua vida.

O longa, entretanto, não foca apenas no processo criativo do Queen – pelo contrário. Ele deixa a desejar, por exemplo, no logotipo da banda, que foi criado por Mercury, formado em design gráfico. Bryan Singer, diretor da cinebiografia (e responsável pela maior parte dos filmes de “X-Men”), optou por mostrar o logotipo já pronto.

O roteiro, escrito por Justin Haythe (Operação Red Sparrow e O Cavaleiro Solitário), falhou em alguns itens que poderia ter explorado mais, como quem eram os outros integrantes da banda e como era a relação entre eles além das brigas.

Foi interessante o retrato feito de Freddie, que o representou como um ser humano vulnerável a falhas. Entre elas, a arrogância e a soberba, que foram contornadas depois de algum tempo.

Justin Haythe omitiu também outros pontos que seriam importantes para a história, como o fato de Roger Taylor e Brian May terem lançado seus álbuns solo antes da decisão de Freddie Mercury. A exposição do fato poderia ter dado um ar de menos egoísmo ao personagem de Rami Malek.

O público, assim como algumas celebridades – em especial Bryan Fuller, que é responsável por séries aclamadas como “Hannibal” e “Deuses Americanos” -, sentiu falta de um aprofundamento maior acerca do abuso de drogas e das relações homossexuais de Mercury. Tais críticas foram um tanto quanto severas: o assunto foi abordado de forma não repetitiva.

A homossexualidade do cantor foi de certa forma até bem explorada. Várias menções sobre o mundo “queer” foram feitas ao longo do filme e existem pelo menos duas cenas de Freddie beijando outros homens e três cenas em que se fala sobre aceitação interna e de outras pessoas para com os LGBTQI+.

Pode-se supôr que o filme não se aprofundou tanto nisso devido ao período escolhido para ser retratado no longa: dos anos 1970 a 1980, quando o cantor chegou a ser noivo de Mary.

A moça, como dito diversas vezes, foi o grande amor da vida de Mercury, herdando quase toda a sua fortuna após a sua morte e estando sempre ao lado dele. Não foi mencionado em “Bohemian Rhapsody”, mas o cantor foi até mesmo padrinho do primeiro filho da ex.

Cena do filme Bohemian Rhapsody.

Outro ponto que foi praticamente inexplorado pelo filme: a AIDS, doença que levou à morte de Freddie Mercury, em 1991. Apesar disso, o longa pode ser assistido com a expectativa que os fãs imaginam. Com 2h23 de duração, podemos ouvir alguns dos hits, acompanhar a luta do Queen para se reforçar como uma banda livre, extremamente criativa e merecedora do sucesso que faz até os dias de hoje e da legião de fãs de todas as idades que continua os acompanhando.

É impossível assistir ao longa sem enaltecer o trabalho de todos os atores que interpretaram os membros da banda. Eles aprenderam a cantar, tocar e até os trejeitos dos personagens, mas, como era esperado, Rami Malek foi o grande destaque. Em certos momentos o público pode até se esquecer de que não é o próprio Freddie em cena e se deixar levar por sua atuação, que arranca elogios da crítica desde sua estreia na série “Mr. Robot”.

“Bohemian Rhapsody” priorizou agradar quase todo o tipo de público por sua abordagem a fatos mais leves e felizes – e mesmo assim recebeu vaias durante exibição de cenas gays no Brasil –, desde os que ainda não conhecem a banda tão bem assim até os que são apaixonados por suas músicas; o que pode ser bom no sentido do fan service e para os padrões de um blockbuster, mas prejudicial na profundidade ao retratar uma história que poderia ter sido contada com mais detalhes.

Nota: 8/10

Assista ao trailer:

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