Jornal da Cidade BH | Notícia boa também dá audiência!

CRÍTICA: A FAVORITA

23 de janeiro, 2019
Por: Jornal da Cidade BH
Texto: Jader Theóphilo
Jornal da Cidade BH Notícia boa também dá audiência!

Cinema. A Favorita, que foi revelado como um dos maiores indicados ao Oscar 2019, estreia amanhã, 24 de janeiro, nos cinemas brasileiros e mostra as imperfeições da realeza britânica em meio ao luxo da corte.

Solidão, carência e poder. Essas são três palavras que podem ser associadas à Rainha Anne, vivida pela brilhante atriz Olivia Colman, no filme “A Favorita”. A obra, que combina a densidade de uma história baseada em fatos reais à detalhes que recriam o ambiente da Inglaterra do século XVIII, conta também com a força de atores renomados e uma direção, por vezes perturbadora, de Yorgos Lanthimos.

Focado em personagens complexas, a trama aborda a chegada de Abigail Masham, personagem de Emma Stone, à corte Inglesa, em pleno período de guerra contra a França. Essa aparição abala as relações interpessoais e políticas da época, principalmente no que se refere ao poder de influência de Sarah Churchill, a Duquesa de Marlbotough, interpretada por Rachel Weisz, em relação a rainha.  

Marlborough, que goza de certos privilégios na posição de conselheira e confidente, tem uma postura forte, que por vezes parece insensível e arrogante. Além disso, a duquesa vive um romance secreto com Anne. No entanto, tudo isso pode ruir com a obstinação de Abigail pelo poder. Essa última, abusa de sua capacidade de percepção, humor levemente ácido e atitudes destemidas.

É importante lembrar que no centro dessa “queda de braço” por regalias no palácio, encontra-se Anne. Uma mulher amargurada e muito carente, que parece mais interessada em viver seus amores em sua totalidade do que cuidar das questões do País. É possível sentir a dor da rainha ao falar dos seus 17 abortos espontâneos e perceber as marcas deixadas em sua personalidade. Sacada inteligente e cuidadosamente abordada por meio dos seus 17 coelhos de estimação.

No que diz respeito a caracterização dos personagens, cenário e fotografia o filme acumula uma sequência de acertos. Sem exageros, o cuidado técnico nessas áreas transporta o público ao século XVIII, mas sem deixar de lado a lógica de desconforto, característica do diretor Lanthimos (O Sacrifício do Cervo Sagrado, 2017).

Enquadramentos inclinados, lentes grandes angulares, que deixam a imagem levemente distorcida, e planos nada óbvios, provocam a sensação de que toda a trama está sendo observada por um intruso no palácio, alguém que não pertence àquele ambiente. O uso da luz reforça essa ideia, que também serve para expor o sentimento de angustia dos personagens em locações gigantescas.

Apesar da película mostrar a disputa política entre os whigs, partido liberal, e os tories, partido conservador, o enredo ganharia força se houvesse uma agressividade maior ao abordar esse tema. Isso mostraria um pouco das questões que a primeira rainha da Grã-Bretanha, teve que lidar em seu o breve reinado, entre os anos de 1702 a 1714, época em que ocorreu a unificação entre Escócia e Inglaterra.

No geral, a trama que parece arrastada em alguns momentos, é compensada pela parte técnica primorosa e atuações que deixam o público compadecidos com as dores e anseios das personagens. O longa recebeu 10 indicações ao Oscar, incluindo as de melhor filme, melhor atriz e melhor diretor.

Nota: 9/10

Assista ao trailer:

CRÍTICA: A FAVORITA
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