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Capitão Leitão e a gastronomia portuguesa

20 de setembro, 2019
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Gastronomia. Aguardei ansiosamente pela abertura do Capitão Leitão, bar especializado em Leitão à Bairrada, comandado por um português enraizado no Brasil desde 2004.

Cristóvão Laruça trouxe para Minas Gerais a alta gastronomia portuguesa com o Restaurante Caravela, que hoje funciona dentro do museu Abílio Barreto, e não se conteve em abrir mais um estabelecimento focado em suas origens, mas com uma certa contemporaneidade no menu.

Como o próprio nome sugere, o leitão reina no cardápio, seja ele inteiro, desfiado, em redução, prensado ou sob qualquer forma que a criatividade do chef mandar. A maneira mais genuína e fiel de preparo é ao forno a lenha por 2 horas de forma, para que a pele fique vitrificada e crocante, sem pururucar, mantendo a suculência da carne: perfeito. Os leitões de leite, com 30 dias, têm por volta de 6 quilos e são criados por um pequeno produtor em Pará de Minas.

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Chega à mesa uma farta porção por R$ 64, sugerida como prato individual, acompanhada de salada de folhas, batata chips feita na casa e fatias de laranja. A mineiridade aparece no delicioso tutu de feijão branco que também acompanha. Já nos petiscos de entrada, o chef Cris Laruça aproveita o suíno em diferentes preparos, sendo em escabeche com gel de laranja (R$ 24), xara de leitão com vinagrete de beterraba no craker de arroz negro (R$ 24), ou mesmo em redução, sendo seu molho usado para abrilhantar o estufado de cogumelos no canapé crocante (R$ 25).

Desde a cabeça, tudo é aproveitado, até os miúdos, que são usados e rendem a espuma de cabidela com amêndoas e avelãs torradas (R$ 25), acompanhado de um brioche caramelizado. Em homenagem à tribo Yanomami, os cogumelos criados no norte do Brasil aparecem em pó e finalizam a gema de ovo confitada, servida em sua própria casca com uma gelatina de consomê de leitão ao fundo (R$ 26).

A inspiração do chef ultrapassa barreiras brasileiras e chega até a Espanha com o socarrat ou, como se diz em Minas, rapa de arroz – de leitão, é claro. É um prato com aquela crostinha queimada cheia de sabor e com gotas de ailoi de alho defumado (R$ 30). Imperdível está o arroz do chiqueirinho, que leva leitão desfiado e mexilhão (R$ 60) juntos em um caldo extremamente rico.

A fusão do oriente com Portugal está presente no bao de leitão (R$ 28), o pãozinho chinês cozido no vapor que virou moda. Esse minissanduíche é recheado com leitão desfiado, prensado e então empanado na farinha panko japonesa, condimentado com caviar de mostarda, picles de cebola roxa, de pepino e kimchi, tipicamente coreano.

Japão, Coreia, China e Portugal no mesmo prato, mostrando que o chef gosta de trabalhar com técnicas de diversas culturas. O pão sofre uma ligeira fritura e fica com sabor do sonho, aquele doce famoso. Presente em mesas portuguesas e brasileiras, a rabanada no Capitão Leitão é feita com brioche, caramelizada por fora e cremosa por dentro, servida com um cítrico sorbet de mexiriquinha da Alessa Gelato (R$ 19), e não é enjoativa, pode pedir. A melhor pedida na verdade é o menu degustação, que abrange todos esses 10 pratos em pequenas porções a R$ 99.

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A carta de drinks é autoral e a mixologista Jocassia Coelho está presente diariamente para cuidar pessoalmente do preparo de suas criações poéticas. Fernando Pessoa se faz presente nos coquetéis como O Guardador de Rebanhos (R$ 25), à base de cachaça Bem Me Quer Prata, cointreau, cambuci e uma borda de raspas de laranja e limão dando um suave amargor. É o mais cítrico da casa e por isso foi o meu escolhido.

Gostei também do Autopsicografia (R$ 30), pois eu queria provar um drink com vinho do Porto, em mistura com gin Beefeater, limão yuzu, ginger ale, angostura e hortelã. A carta de vinhos abrange cerca de 100 rótulos de sete importadoras diferentes e tem destaque para os espumantes brasileiros e portugueses, obra do grande sommelier Carvalho, sócio da casa. Sessenta por cento das garrafas são de origem portuguesa, sendo que as bolhas ocupam 30% dos vinhos disponíveis, já espumante é uma ótima pedida para harmonizar com leitão.





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Sobre Léa Araújo:

Léa Araújo, editora do blog Degustatividade, escreve sobre restaurantes e experiências gastronômicas há 7 anos. Amante da boa mesa busca sempre estudar e compreender além do prato de comida. Focada na alta gastronomia, na alimentação saudável e atenta a pequenos produtores procura sempre descobrir os detalhes de cada novidade no mercado gastronômico.

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