Jornal da Cidade BH | Notícia boa também dá audiência!

24º Artigo de Martins Peralva

30 de julho, 2020
Jornal da Cidade BH Notícia boa também dá audiência!

Artigo. O Jornal da Cidade BH preparou lançamentos, periódicos, de artigos do escritor, expositor e articulista José Martins Peralva Sobrinho, ou simplesmente Martins Peralva, como era conhecido. Ele, que foi um dos grandes representantes do movimento espírita no Brasil, escreveu os seguintes livros: “Estudando a mediunidade”, “Estudando o Evangelho”, “O Pensamento de Emmanuel”, “Mediunidade e evolução”, editados pela Federação Espírita Brasileira (FEB), e “Mensageiros do bem”, editado pela UEM.

Os artigos que publicados no JCBH, fazem parte do livro “Evangelho puro, puro Evangelho – Na direção do Infinito”. Trata-se uma coletânea de textos disponibilizados nos jornais “O Luzeiro”, periódico de sua terra natal, Sergipe, “Síntese” e “Estado de Minas”, ambos de Minas Gerais, e na revista “Reformador” da FEB. Geraldo Lemos Neto, responsável pelo Vinha de Luz — Serviço Editorial, foi quem coletou o material com a família Peralva, para que a comunidade espírita tivesse a oportunidade de conhecer mais de perto Martins Peralva.

Leia todos os artigos de Martins Peralva publicados no JCBH

Idolatria

Dezembro | 1956

“Varões, por que fazeis essas coisas?” —  Atos

Encontravam-se Barnabé e Paulo em Listra, pregando o Evangelho nascente e curando os enfermos, quando os habitantes da cidade, impressionados com os prodígios por eles operados em nome do Cristo, iniciaram estranho movimento de idolatria visando os servidores da Boa Nova. A Barnabé chamavam Júpiter, e a Paulo, Mercúrio, atribuindo-lhes, assim, a elevada condição de deuses.

Um sacerdote do templo de Júpiter tentou até sacrificar animais ali mesmo, no local das pregações, ante os bandeirantes do Evangelho e em sua honra. A perigosa e sutil iniciativa dos listrenses, embora inspirada na simplicidade, encontrou, contudo, imediata e enérgica repulsa da parte dos pregadores. E não podia deixar de ser assim, uma vez que ambos, especialmente o sincero apóstolo da gentilidade, detestavam qualquer tipo de idolatria.

Convencidos das próprias limitações, que ainda lhes assinalavam o procedimento, realizavam a pregação em nome de Jesus Cristo e para Jesus Cristo faziam convergir o amor das populações que, através dos discursos e das curas, eram acordadas para o Evangelho do reino. Repelindo, energicamente, o leviano endeusamento, e possuídos de santa indignação, rasgaram os vestidos e gritaram: “Varões, por que fazeis essas coisas? Nós também somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões”.

Na censura dos pregadores, registrada por Lucas em Atos, identificamos uma mistura de revolta e tristeza, exteriorizando o indescritível mal-estar causado pela conduta dos habitantes de Listra. O exemplo de Barnabé e Paulo deve servir de roteiro para os servidores de todas as épocas, especialmente da atualidade, quando o Cristianismo se restaura, gradativamente, sob as renovadoras claridades do Espiritismo e quando o vírus do elogio indiscriminado se propaga, violentamente, em todos os setores.

Devemos cultivar — e difundir de modo incessante —  a ideia de que Jesus é o motivo central do nosso esforço e o supremo objetivo de nossas humildes realizações. Na caminhada ascensional, neste imenso educandário que é a Terra, o aprendizado é comum a todos, embora cada discípulo ocupe, realmente, diferente degrau na escala evolutiva. Guardamos, ainda, no dizer de Humberto de Campos, ”suaves infantilidades no coração”, o que significa dizer porta aberta a equívocos geralmente lastimáveis.

Por que aceitar, pois, o operário do bem, títulos de elevação indevidos, se amanhã, nas bifurcações do caminho, no difícil momento dos testemunhos, reconheceremos a nossa condição deficitária de criaturas falíveis, sujeitas, como acentuaram Barnabé e Paulo, “às mesmas paixões”? Deus é o vértice da nossa marcha. E Jesus, seu dileto Filho, o ponto de convergência das nossas aspirações. Glorificarmos a Deus e a Jesus através do serviço incessante no bem, neste ou naquele setor, a fim de que o futuro nos dê, em bênçãos de amor e sabedoria, a celeste resposta ao nosso esforço — esse sim deve ser o supremo escopo das vidas que a Eles desejam consagrar-se. Se nos é impossível, por agora, dar à nossa vida o sentido apostólico que assinalou a trajetória de Barnabé e Paulo, sigamos, pelo menos, o exemplo daqueles abnegados pregadores, levando aos incensadores de todos os tempos a linguagem, muita vez silenciosa, do nosso constrangimento: “Varões, por que fazeis essas coisas? Nós também somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões!”

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Fonte: PERALVA SOBRINHO, José Martins; PERALVA, Basílio (Org.). Evangelho puro, puro Evangelho – Na direção do Infinito. Belo Horizonte: Vinha de Luz Editora, 2009. p. 83-84.
Nota da Editora: Reformador, dezembro de 1956, p. 278. Reformador é uma revista de divulgação da Doutrina Espírita, editada mensalmente pela Federação Espírita Brasileira (FEB). É uma das mais antigas publicações de seu gênero, em circulação no Brasil (desde 1883, no formato original de jornal). Com a fundação da FEB, em 1884, o periódico foi por ela incorporado, passando a ser o seu principal órgão de divulgação, voltado para a difusão de artigos doutrinários, fatos e trabalhos desenvolvidos pela entidade, assim como pelas entidades afiliadas em todo o país. In: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Reformador>. Acesso em: 12 nov 2009.

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