Jornal da Cidade BH | Notícia boa também dá audiência!

16º Artigo de Martins Peralva

23 de março, 2020
Jornal da Cidade BH Notícia boa também dá audiência!

Artigo. O Jornal da Cidade BH preparou lançamentos, periódicos, de artigos do escritor, expositor e articulista José Martins Peralva Sobrinho, ou simplesmente Martins Peralva, como era conhecido. Ele, que foi um dos grandes representantes do movimento espírita no Brasil, escreveu os seguintes livros: “Estudando a mediunidade”, “Estudando o Evangelho”, “O Pensamento de Emmanuel”, “Mediunidade e evolução”, editados pela Federação Espírita Brasileira (FEB), e “Mensageiros do bem”, editado pela UEM.

Os artigos que publicados no JCBH, fazem parte do livro “Evangelho puro, puro Evangelho – Na direção do Infinito”. Trata-se uma coletânea de textos disponibilizados nos jornais “O Luzeiro”, periódico de sua terra natal, Sergipe, “Síntese” e “Estado de Minas”, ambos de Minas Gerais, e na revista “Reformador” da FEB. Geraldo Lemos Neto, responsável pelo Vinha de Luz — Serviço Editorial, foi quem coletou o material com a família Peralva, para que a comunidade espírita tivesse a oportunidade de conhecer mais de perto Martins Peralva.

O grande tesouro

Agosto | 1954

A luta pela conquista de títulos e posições tem sido obcecante alvo da humanidade, mesmo depois que a mensagem de luz da Boa Nova banhou o coração da Terra criando, forçosamente, novos padrões de vida para o ser humano.

O homem, todavia, tem esquecido, nessa multimilenária luta, a realização do supremo bem a que a alma, consciente e responsável, deve aspirar neste mundo: a paz de espírito.

Nada há que se lhe compare na complexa série de vicissitudes de que se compõe uma vida humana. Paz de espírito significa paz de consciência. E somente aquele que apresenta ao Senhor da Vida uma consciência rica de nobreza e dignidade, de amor e compreensão pode ter a paz de espírito.

E não se diga que Jesus olvidou esse aspecto de nossos transcendentes interesses em função da vida superior. Aproximava-se o instante do Calvário e o “bem-aventurado Aflito da crucificação” legava aos discípulos sublime herança: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (João, 14: 27)

A paz do Cristo vem de Deus e habita, imperecível, intrínseca, na consciência humana. A paz dos homens é vestuário que nos esconde as deformidades, mas não resistirá ao tempo, destruindo, mais cedo ou mais tarde, a nossa pretensa serenidade. A paz do Cristo é indestrutível, eterna, nada a perturba, nem a destrói. A dos homens é efêmera, frágil como o próprio homem que a retém. Paz de espírito, é, em síntese, “presença do Cristo” em nós. Plenitude de nosso Senhor, fazendo-nos refletir as inconfundíveis fulgurações de sua grandeza.

Via de regra, esperamos que a desencarnação nos ofereça o tesouro da paz, quando esse tesouro é conquista do presente e já na presente experiência pode ser obtido. Ouçamos respeitosamente Paulo de Tarso, cuja tranquilidade consciencial levava-o a escrever aos gálatas (3: 20): “Já não sou eu quem vive, mas o Cristo vive em mim”.

O converso de Damasco sentia-se feliz quando açoitado, perseguido e injuriado, porque a “verdade do Cristo estava nele”. (II Coríntios, 2: 10). Sem glórias humanas, sem títulos, senão o de “servidor”, era feliz porque realizara Cristo em si. A “presença do Cristo” era nele.

Goethe, o famoso poeta alemão, afirmava, desolado e triste: “Em 72 anos de vida, eu não fui feliz 24 horas”. Goethe! Glórias, honras, homenagens, elogios, dinheiro, magnificentes recepções, nada lhe faltava. Todavia, confessava que em longa existência não fora feliz um dia sequer!… Não tivera essa paz de espírito que somente a união com Jesus nos concede, efetivamente.

A função primordial do Espiritismo cristão é a de educar criaturas para que, ainda encarnadas, busquem, pelo amor e pelo trabalho, esse grande tesouro. Esse tesouro que se não vende, nem se troca, nem se dá. Conquista-se, adquire-se, converte-se em força viva, em patrimônio pessoal, intransferível, a refletir nas claridades divinas na intimidade de cada coração.
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Fonte: PERALVA SOBRINHO, José Martins; PERALVA, Basílio (Org.). Evangelho puro, puro Evangelho – Na direção do Infinito. Belo Horizonte: Vinha de Luz Editora, 2009. p. 65-66.

Nota da Editora: Reformador, agosto de 1954, p. 175-176. Reformador é uma revista de divulgação da Doutrina Espírita, editada mensalmente pela Federação Espírita Brasileira (FEB). É uma das mais antigas publicações de seu gênero, em circulação no Brasil (desde 1883, no formato original de jornal). Com a fundação da FEB, em 1884, o periódico foi por ela incorporado, passando a ser o seu principal órgão de divulgação, voltado para a difusão de artigos doutrinários, fatos e trabalhos desenvolvidos pela entidade, assim como pelas entidades afiliadas em todo o país. In: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Reformador>. Acesso em: 12 nov 2009.

Leia todos os artigos “Na Seara” de Martins Peralva publicados no JCBH 


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