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11º Artigo de Martins Peralva: “Evangelho puro, puro Evangelho – Na direção do Infinito”

07 de janeiro, 2020
Jornal da Cidade BH Notícia boa também dá audiência!

Artigo. O Jornal da Cidade BH preparou lançamentos, periódicos, de artigos do escritor, expositor e articulista José Martins Peralva Sobrinho, ou simplesmente Martins Peralva, como era conhecido. Ele, que foi um dos grandes representantes do movimento espírita no Brasil, escreveu os seguintes livros: “Estudando a mediunidade”, “Estudando o Evangelho”, “O Pensamento de Emmanuel”, “Mediunidade e evolução”, editados pela Federação Espírita Brasileira (FEB), e “Mensageiros do bem”, editado pela UEM.

Os artigos que publicados no JCBH, fazem parte do livro “Evangelho puro, puro Evangelho – Na direção do Infinito”. Trata-se uma coletânea de textos disponibilizados nos jornais “O Luzeiro”, periódico de sua terra natal, Sergipe, “Síntese” e “Estado de Minas”, ambos de Minas Gerais, e na revista “Reformador” da FEB. Geraldo Lemos Neto, responsável pelo Vinha de Luz — Serviço Editorial, foi quem coletou o material com a família Peralva, para que a comunidade espírita tivesse a oportunidade de conhecer mais de perto Martins Peralva.

Comentando o Evangelho V

15 | fevereiro | 1957

“Então Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: ‘Eis que nós deixamos tudo
e te seguimos, que receberemos?’” — Mateus, 19: 27

A pergunta que encima esta página traduz, sem dúvida, o imediatismo que ainda presidia os cometimentos apostólicos do pescador de Cafarnaum. Mas, nem por isso, foi ela desprovida de utilidade, uma vez que ensejou valioso ensinamento do Cristo, quando, na sequência da resposta, adverte no versículo 30 que “muitos primeiros serão os últimos e muitos últimos serão os primeiros”.

Evidentemente, se referia Pedro às coisas materiais que abandonara depois da aceitação do Evangelho, que lhe traçou na vida rumo diferente:

— a casinha pobre, mas confortável;
— o carinho dos familiares;
— a mesa sempre bem posta para o repasto de todos os dias a horas certas;
— o repouso tranquilo à noite, depois da pesca abundante, no labor honesto, no Tiberíades azulado;
— o casario singelo de Cafarnaum, que lhe alegrara os dias da infância e da juventude.

Tudo isso o abnegado servidor relacionava, sinceramente, como coisas que deixara para seguir o Mestre de olhos azuis e cabelos cor de ouro.
O problema, entretanto, especialmente nos dias atuais, quando o Cristianismo já se consolidou no coração de grande parcela da humanidade, não é o do abandono de objetos ou bens móveis e imóveis em nome da fé que nos enriquece e felicita. O problema, para os discípulos modernos, é mais delicado e muito mais sutil do que imaginamos.

A necessidade de renovação íntima, que nos fortalece o espírito nas lutas de cada instante, sugere-nos, sobretudo, o abandono de velhos equívocos e de lamentáveis vícios que nos embalam, perigosamente, as derradeiras ilusões.

Para seguirmos o Mestre, é mister abandonemos milenários hábitos que nos embaraçam a marcha evolutiva. O egoísmo e a vaidade, o orgulho e a prepotência, o ciúme e a inveja são velhos trastes que precisamos abandonar, a fim de que nos adaptemos às noções do Evangelho.

Não se trata de ser rico ou pobre, porque pobres e ricos podem compreender a Jesus. O emblema do discípulo sincero não está do lado de fora: localiza-se nos misteriosos e sublimados redutos do coração convertido ao bem, assegurando a todas as criaturas de boa vontade o acesso às moradas de luz da imortalidade vitoriosa. Essas moradas têm sido — e serão em todos os tempos — a retribuição do Pai celestial a todos aqueles que, em busca da luz, superaram, através de incessantes esforços, as próprias limitações.
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Fonte: PERALVA SOBRINHO, José Martins; PERALVA, Basílio (Org.). Evangelho puro, puro Evangelho – Na direção do Infinito. Belo Horizonte: Vinha de Luz Editora, 2009. p. 53-54.

Nota da Editora: Jornal Síntese, 15 de fevereiro de 1957. Coluna de Martins Peralva, “Comentando o Evangelho”. O jornal Síntese era um quinzenário mineiro, sediado em Belo Horizonte, e tinha como diretor o Sr. Noraldino de Mello Castro, secretário Sr. Henrique Rodrigues, redator Rubens C. Romanelli e gerente Virgílio P. Almeida.


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