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31 de agosto, 2018
Jornal da Cidade BH Notícia boa também dá audiência!

Por Tatiana Andrade. Do Uber à Netflix, é a vez de entender como compartilhar a moda  

A economia colaborativa instalada por Uber, Spotify e Netflix inaugurou um novo comportamento de consumo ao redor do mundo. Graças aos avanços tecnológicos, a cultura da posse passou a ser repensada e apostamos cada vez mais no uso conforme a demanda, sem que precisemos ser donos para usarmos.

A geração dos Millennials personifica bem a tendência da substituição da posse pelo compartilhamento do uso. E quando esbarramos na expectativa de que essa geração representará 45% do consumo de produtos de luxo até 2025, a pergunta que fica é: qual será o impacto dessa transformação de comportamento na indústria da moda?

Jennifer Hyman, CEO de uma das startup mais comentadas e disruptivas do varejo – descrita pelo The New York Times como o “Netflix da alta-costura” – deixa sua resposta: “Acredito que a maior parte do que vestiremos no futuro serão roupas que não teremos para sempre”. Sob seu comando, a plataforma Rent the Runway oferece aluguel de produtos exclusivos, inclusive daqueles que acabam de sair das passarelas por meio de programas de assinaturas mensais. A empresa foi recentemente avaliada em US$ 800 milhões, tem mais de 400 marcas parceiras, 6 milhões de clientes e não para por aí: possui lojas físicas por todo o território americano, inclusive dentro da gigante Neiman Marcus.

Se por um lado novos formatos de negócios e startups surgirão, por outro, formatos existentes em consonância com a nova ordem global, como os brechós, ganharão ainda mais evidência. Líder no mercado internacional, The RealReal – preferido das irmãs Kardashian – conta com equipe de buyers de luxo, curadores de arte, gemologistas e relojoeiros especializados em selecionar e autenticar os produtos consignados. Sua nova flagship no Soho com coffee bar e workshops semanais para clientes vips é de dar inveja a muitas lojas multimarcas nova-iorquinas e prova que luxo e compartilhamento caminham muito bem juntos.

O próprio conceito do novo luxo que passa pela sustentabilidade vai ao encontro da cultura do low consumerism. A ideia é comprar menos e melhor, com mais qualidade, serviços e experiências.

Portanto, se você ainda tem aquelas ideias pré-concebidas sobre lojas de aluguel e brechós abarrotados de itens usados, velhos e com cheiros de mofo, esqueça-os já. Aliás, esqueça quase tudo que você pensava até agora e prepare-se para a onda de compartilhamento fashion que está por vir.

Afinal, compartilhar moda tem a ver com a atitude de entender que o valor não está em possuir muito e nem para sempre, mas em ter algo que você escolheu bem e pelo tempo que o realize. Exatamente como o novo mundo propõe e o novo luxo endossa.
Então, seja bem-vindo.

Foto: Arquivo pessoal


Sobre Tatiana Andrade:

Com mais de 10 anos de experiência no mercado de comunicação de moda, luxo e varejo; Tatiana Andrade é Designer de Moda, com especialização em Marketing de Moda pelo Fashion Institute of Technology de Nova York e pós graduada em Marketing pela ESPM de São Paulo. Iniciou sua carreira na Iorane em Belo Horizonte; e continuou em São Paulo, onde desenvolveu estratégias de comunicação para clientes como Versace, Roberto Cavalli, Lolitta, Schutz, dentre vários outros na Index Assessoria; foi Head de Marketing da Guess no Brasil e de volta à BH, inaugurou em 2019 a Brand Boutique, agência de Branding e Marketing para marcas de moda, design e lifestyle.

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