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A diversidade na moda

27 de junho, 2020
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Mudanças. A busca pela representatividade e inclusão na indústria dos sonhos

Desde que o mundo virou do avesso e nos observamos capazes de enxergar com mais clareza os nossos próprios privilégios, respostas novas a velhas perguntas começaram a surgir. E a pergunta de hoje não poderia deixar de ser: o que podemos fazer para abraçar a diversidade no mundo da moda?

Não é de agora que a indústria é reconhecida como um mercado que fortaleceu o racismo estrutural por meio de seus padrões de beleza. O cenário da moda como conhecemos atualmente surgiu na Europa há pouco mais de cem anos e sua representação por meio de revistas, jornais e desfiles simulavam o comportamento e padrões estéticos da alta sociedade de lá. Esse mesmo formato se espalhou pelo mundo inteiro e acabou se tornando completamente desconectado da realidade de vários lugares por todo o mundo.

Até que as vozes das redes sociais finalmente abalaram as estruturas desse sistema com a seguinte questão: estão sendo todos representados pelo cenário da moda atual? A resposta está na quantidade de marcas de moda envolvidas em polêmicas negativas sobre o assunto nos últimos anos: Victoria’s Secret, Dolce e Gabanna, Prada, Gucci, H&M, Animale, Reinaldo Lourenço dentre muitas outras.

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Algumas delas foram capazes de se reinventar. A Gucci, por exemplo, lançou uma plataforma global – Gucci Changemakers – para apoiar uma mudança na indústria da moda como um todo; contemplando um fundo, um programa de bolsa escolar de financiamentos para estudantes universitários interessados ​​em trabalhar na área, além de uma estrutura global de voluntariado de funcionários. Em campanha recente com a Vogue Itália, a marca também escalou um time lindo e diverso incluindo a modelo Ellie, portadora de síndrome de down.

A imprensa também tem se movimentado em torno da causa. De acordo com uma pesquisa do The New York Times, 50% dos dez maiores títulos de revistas do mundo, tiveram modelos negras nas capas de suas edições de setembro (as famosas september issues) dos últimos anos. A Vogue britânica de Junho trouxe Judi Dench aos 85 anos como a estrela da capa e edição.

Mas o Brasil ainda caminha a passos lentos para um país que tem a diversidade tão arraigada. O último SPFW avançou um degrau com a participação de mais modelos negros, trazendo no casting pela primeira vez um homem trans e ainda uma cadeirante, uma ativista indígena, dentre outras inúmeras representações da mulher. Mas ainda é pouco.

Sendo a moda um retrato do nosso tempo, é direito de todos estarem incluídos e representados nele. Falamos de uma indústria que vende sonhos e precisamos reconfigurar esses sonhos de forma que mais pessoas possam se ver e se sentir representadas por eles.

Por fim somos nós, que trabalhamos nesse mercado, os agentes transformadores capazes de realizarmos essas renovações. O assunto é complexo e merece que a gente se debruce sobre ele, mas com um passo de cada vez é possível chegar mais longe. Então que tal aproveitarmos o momento de transformações profundas e refletirmos – mesmo (e principalmente) quando não fazemos parte das minorias – sobre o que podemos fazer hoje, e continuar sempre, para incluí-las no mundo da moda?

A resposta é de cada um, mas caso queira compartilhar comigo para pensarmos melhor juntos, e chegarmos longe mais rápido, nos mande um direct no @jornaldacidadebh ou @tatirma.

 


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1 Comentário

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    Elaine 16 de setembro de 2020

    Adorei a matéria, gerencio um projeto de inclusão social e profissional de 800 ex camelôs.
    PopCenter Porto Alegre se puderes acompanhar no face vais ver que a 10 anos estamos nesta vibe.

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