Jornal da Cidade BH | Notícia boa também dá audiência!

Otimismo é combustível importante para enfrentar tratamento do câncer

04 de fevereiro, 2019
Jornal da Cidade BH Notícia boa também dá audiência!

Saúde. Embora não haja estudos científicos que comprovem a postura otimista como responsável por curar um câncer, é impossível negar que se manter positivo diante do diagnóstico pode acarretar em uma boa resposta ao tratamento.

De acordo com o oncologista clínico Charles de Pádua, diretor técnico do Cetus Oncologia, hospital dia especializado em tratamentos oncológicos com sede em Betim e unidades em Belo Horizonte e Contagem, quando o paciente só enxerga ‘um mundo cinza’, e a possibilidade iminente da morte, acaba focando apenas no lado ruim das coisas, o que pode aumentar o estado de estresse.

“Essa postura pessimista provoca efeitos no corpo, que reagirá produzindo mais quantidade de esteroides, que por sua vez são capazes afetar o sistema imunológico, principal responsável pela defesa do nosso organismo” explica. Com isso, a resistência à vírus e bactérias torna-se menor, aumentando o risco de infecções. “É evidente que não podemos ir até o extremo de acreditar que o bom humor ou ânimo são as únicas maneiras disponíveis de curar nossas doenças, mas praticar e desenvolver a resiliência, ou seja, a capacidade de andar para frente mesmo quando padecemos de adversidades, pode ser uma boa tática de sobrevivência”, ressalta o médico.

E é justamente isso que a gerente de vendas Karine Abranches Risson, 34 anos, tem feito desde que foi diagnosticada com câncer na mama direita, no final de 2016. Após se submeter à quimioterapia e inclusive, cirurgia, foi surpreendida, há pouco mais de três meses, com uma recidiva (volta da doença), mas mesmo assim afirma não se entregar à tristeza.

“Preciso passar força para as minhas filhas [Karine é mãe de duas meninas, uma de nove e outra de 11 anos], principalmente para a mais velha, que está sentindo bastante o fato da doença ter voltado. Quando eu olho para elas, tenho uma necessidade urgente de não me deixar abater”, conta.

Afastada do trabalho por causa do tratamento, Karine ainda revela que para se manter perseverante diante das incertezas do diagnóstico, é acompanhada gratuitamente por uma psicóloga na ORCCA (Organização Regional de Combate ao Câncer), em Betim, na Grande BH.

A entidade, sem fins lucrativos, oferece, desde 2005, diversos serviços assistenciais para pacientes carentes da região metropolitana e de cidades do entorno, como fornecimento de cestas básicas, auxílio jurídico, atendimento odontológico, entre outros. “Se você acreditar que irá morrer e se entregar, tudo fica mais complicado. É preciso resistir”.

A mesma vontade de não se curvar com o diagnóstico de um tumor oncológico também foi a escolha da empregada doméstica Marlede José da Silva, 53 anos, que, assim como Karine, foi acometida por um câncer de mama em 2017, após fazer sua primeira mamografia.Fiz 12 sessões de quimioterapia e 30 de radioterapia, mas graças a Deus reagi muito bem”, revela.

Marlede conta que ao tomar conhecimento do nódulo, ficou bastante abalada, mas logo começou a buscar mecanismos para permanecer forte, como por exemplo, participar de um grupo de apoio da ORCCA, o “Projeto ConheSer”, que reúne pacientes oncológicos para compartilhar as angústias, dúvidas e anseios do tratamento.

“Passei a conviver com pessoas que me inspiravam. Elas enfrentavam os mesmos problemas que os meus. Foi aí que percebi que não estava sozinha. Nos reunimos em um elo de amor e solidariedade”, conta. Se isolar, por sinal, é uma postura que a empregada doméstica não recomenda a ninguém. Para ela, o melhor a fazer é não esconder o diagnóstico, mas compartilhá-lo com quem realmente pode ajudar, seja com palavras de conforto ou apoio emocional.

Com a doença sob controle, atualmente Marlede está apenas fazendo novos exames para evitar que o nódulo, já retirado, volte a aparecer. E após ter passado por essa fase, a lição mais marcante que fica, segundo a dona de casa, é a do aprendizado.

“Tudo na vida é uma passagem. Durante o período da doença, nunca me deixei abater. Até mesmo em relação à perda dos cabelos, o momento, para mim, mais difícil. Isso porque eu adorava meu cabelão anelado e grande. Mas sempre que a tristeza tentava se instaurar eu pensava: ‘besteira: os cabelos vão crescer de novo. Isso é só uma fase.’  O mais importante é ter fé, estar sempre com o coração leve, amparado pelo apoio dos amigos e jamais deixar de se tratar, pois esta é a única forma de sobrevivência”.

Avalie este conteúdo


Sobre Jornal da Cidade BH:

Portal de notícias de BH e região, com informações sobre eventos empresariais, negócios, economia, política, cobertura social e muito mais.

Senha o primeiro a comentar

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Avatar
Deixe um comentário

×
Jornal da Cidade BH | Notícia boa também dá audiência!