Jornal da Cidade BH | Notícia boa também dá audiência!

Má qualidade do sono dos bebês pode ser sintoma de insegurança

16 de maio, 2019
Por: Jornal da Cidade BH
Foto: Divulgação/JC
Jornal da Cidade BH Notícia boa também dá audiência!

Comportamento. Especialista em sono materno-infantil fala sobre a necessidade do fortalecimento do apego seguro

Que a maternidade é transformadora, não há dúvida. Mas no caso da engenheira Lívia Praeiro, 39 anos, a transformação foi tão profunda que mudou completamente sua trajetória. Pois no desejo de ajudar o filho – Miguel, atualmente com quatro anos – a dormir, Lívia foi além:  especializou-se em sono infantil e hoje auxilia pais a se conectarem com seus filhos inclusive na hora do sono.

Lívia é certificada como consultora do sono materno-infantil no International Maternity and Parenting Institute (IMPI), em Medicina do Sono pela USP e cursa Medicina do Sono oferecida pela Universidade de Michigan (Estados Unidos). Também se certificou em Disciplina e Educação Positiva na Positive Discipline Association (PDA – Estados Unidos) e é pós-graduada na Escola Portuguesa de Parentalidade e Educação Positiva.

Leia também: Mãe! é o grito de socorro da natureza para a humanidade

“As crianças precisam cada vez mais de apoio em relação ao sono e a neurociência vem certificando isso. O modelo familiar atual promove o distanciamento do convívio com as crianças, que se sentem abandonadas, inseguras, refletindo isso no mau comportamento para o sono. Quando crianças se sentem abandonadas ou inseguras, não conseguem dormir”, explica Lívia.

De acordo com ela, a má qualidade do sono da criança – que impacta diretamente na qualidade de vida também da mãe – é resultado de fatores como pais com tempo restrito para os filhos, da terceirização de cuidados e de um convívio com pouca qualidade, onde a conexão mãe e filho está fragilizada.

Leia também: Musical “Branca de Neve” chega ao Minas Shopping

A especialista adverte que se costuma acreditar que o vínculo entre mãe e filho é imediato, instantâneo e inabalável. Mas é o contrário; precisa ser construído e reconstruído dia a dia, fomentado pela convivência e pela troca de estímulos.

Entretanto, a rotina atribulada das famílias acaba por elencar os cuidados com o bebê como mais uma tarefa e não como parte de um novo estilo de vida. Esta racionalização, aponta Lívia Praeiro, acaba por automatizar o contato com o bebê, considerando a necessidade de rotinas controladas e prazos para início e término desse convívio. “O bebê passa, então, a solicitar mais presença e contato por meio do choro, noites mal dormidas”, assinala a consultora.

Leia também: Greenwich Kids inova no ensino de idiomas para crianças

“Quando a criança acredita que só pode ter contato com a mãe se a chamar, se a segurar ali do lado, passa a não dormir e estará sempre demandando, num comportamento desafiador que só cessa com a presença da mãe, que por sua vez, sempre estará desgastada. E sugada na relação com este filho, construindo uma relação de apego inseguro ou desconectados”, explica Lívia.

A consultora diz que desde o nascimento, buscamos relação de segurança. E quando a criança está tranquila em relação a isto, se entrega ao sono mais facilmente. Em contrapartida, bebês que não dormem bem têm desenvolvimento aquém do esperado. Por isto é tão necessário construir esta conexão com os filhos para a promoção do sono.

“E só construímos relação de vínculo com aqueles que nos transmitem segurança, conforto, acolhimento. Crianças que tiveram com os pais relação de apego seguro são autônomas, independentes, tranquilas. Apego não é dependência, é o vínculo, é conexão”, assegura Lívia.

 

 

Avalie este conteúdo


Sobre Jornal da Cidade BH:

Portal de notícias de BH e região, com informações sobre eventos empresariais, negócios, economia, política, cobertura social e muito mais.

×
Jornal da Cidade BH | Notícia boa também dá audiência!