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Especialista em tratamento de obesidade revela dificuldades para emagrecer

21 de fevereiro, 2019
Jornal da Cidade BH Notícia boa também dá audiência!

Saúde. Incorporar a fórmula alimentação saudável + atividade física à rotina é um dos maiores desafios e sonhos de muita gente, mas a cada dia mais, os profissionais da saúde se conscientizam de que essa fórmula mágica do emagrecimento não depende exclusivamente da força de vontade das pessoas.

O médico Mauro Jacome, formado pela UFMG, e que se dedica ao tratamento da obesidade há mais de 10 anos, contou aos leitores do Jornal da Cidade por que tanta gente tenta de tudo mas não consegue sair da obesidade ou do sobrepeso.

JORNAL DA CIDADE Por que existem pessoas que controlam a alimentação, fazem atividade física, mas mesmo assim não emagrecem?
MAURO JACOME A obesidade é uma doença multifatorial. Não é só uma questão de fechar a boca e se exercitar. Por trás dela, podem estar desequilíbrios fisiológicos, tendência genética, impossibilidade de criar rotina devido a alguma patologia, incapacitação causada pelo próprio peso, disfunções psicológicas ou psiquiátricas.

Tudo isso influencia, mas infelizmente, a maior parte das informações que encontramos sobre o tema acabam se restringindo à força de vontade da pessoa. Por isso, é algo que se torna um sonho distante para muita gente, e o agravante: essas pessoas se sentem inferiores, incapazes por não terem conseguido mudar seus hábitos, vendo tanta gente que parece conseguir, e que falam como se fosse algo fácil.

Como identificar e tratar esses problemas que impedem o emagrecimento?
Em primeiro lugar, a partir de uma consulta médica, é preciso fazer exames que detectem possíveis desequilíbrios hormonais ou nutricionais, que possam munir os profissionais envolvidos no emagrecimento da pessoa de um panorama do estado de saúde de forma geral. Só assim é possível traçar uma estratégia que seja individualizada e assertiva para cada caso.

O nutricionista criará um planejamento alimentar que ajude a equilibrar o que for identificado pelos exames em termos fisiológicos, o médico endocrinologista poderá prescrever medicações que porventura sejam necessárias para a regulação hormonal e, caso seja identificada ainda alguma deficiência de neurotransmissores, por exemplo, é indicado ainda um tratamento psiquiátrico para que também essa parte seja equilibrada.

Além de exames de sangue completos, é essencial que haja um exame clínico diretamente com o médico que vai dar início a esse processo, para que ele também identifique, visualmente e conversando com o paciente, os sinais físicos ou comportamentais que devem ser tratados, checando a necessidade de acompanhamento com psicólogo, e/ou algum educador físico que trabalhe uma linha de treinamento adequada para o perfil daquela pessoa.

O importante é que as pessoas entendam que a obesidade e o sobrepeso têm solução, mas não se trata de um esforço de via única, a solução saudável e duradoura só acontece a partir de um conjunto de abordagens da saúde, uma estratégia que deve ser criada individualmente.

Parece complexo, o que pode ajudar?
Não existe fórmula mágica, mas hoje já existem recursos médicos para ajudar essas pessoas a se motivarem. Em muitos casos, ao perceber os primeiros sinais de perda de peso, a pessoa fica mais animada, consegue se envolver mais com o processo de mudança, e se mantém firme nos acompanhamentos com esses profissionais.

Encarar a situação com a seriedade de que se trata, de fato, de uma doença, mas se convencer de que tem solução quando conseguem vislumbrar qual será o resultado daquele processo todo (os primeiros sinais do emagrecimento proporcionam esse vislumbre).

Então uma forma de incentivar seria a pessoa conseguir vislumbrar de antemão quais seriam os resultados desse processo de mudança, para conseguirem de fato mudar? Como a medicina de hoje pode ajudar nisso?
Isso. A ideia é que o contato, o quanto antes, com os primeiros resultados de todo esse esforço necessário para o emagrecimento funcione como uma espécie de ponta-pé inicial para que a pessoa se envolva, e consiga manter seu acompanhamento e tratamento.

Livrar-se de vez da obesidade ou sobrepeso, com a consciência de que se trata de uma doença crônica, vai demandar acompanhamento constante, o resto da vida, principalmente para quem passou por obesidade mórbida, ou sempre esteve acima do peso. Mas esse ponta-pé inicial que a medicina é capaz de oferecer pode ajudar nesse sucesso.

Para ajudar essas pessoas a se motivarem, existem hoje procedimentos minimamente invasivos, que não demandam cortes, e que simulam a sensação de saciedade, ajudando a alcançar esses primeiros resultados, um deles é a Edosutura gástrica ou Gastroplastia endoscópica que, através de um aparelho chamado Overstitch, realiza pregas suturadas na parede do estomago, diminuindo seu tamanho.

O procedimento dura em torno de uma hora, como uma endoscopia, a pessoa não precisa de incisões, é anestesiada, não tem necessidade de internação, e pode voltar para casa no mesmo dia com a ajuda de um acompanhante.

A perda de peso acontece porque com o tamanho do estomago reduzido, o paciente se sentirá saciado mais rapidamente, mas como ressaltado, a manutenção desse novo peso depende da identificação e tratamento, individualmente e de forma multidisciplinar, de todos esses fatores que estão ligados à obesidade.

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