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Entrevista com Neila Contão

16 de maio, 2019
Por: Jornal da Cidade BH
Foto: Divulgação/JC
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Bem Estar. Enfermeira ressalta os benefícios da atenção domiciliar, seja no tratamento ou na recuperação dos pacientes

A atenção domiciliar é uma forma de atenção à saúde oferecida na moradia do paciente. Ela é caracterizada por um conjunto de ações que vão desde a prevenção e tratamento de doenças até a reabilitação do enfermo. Por oferecer inúmeros benefícios aos pacientes, essa abordagem é oferecida tanto na rede particular, por meio dos convênios, quanto no Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com a enfermeira Neila Contão, além de promover menor risco de infecção, mais conforto e tranquilidade, o chamado cuidado Home Care também oferece possibilidade de uma maior participação dos familiares no tratamento. Nesta entrevista ao JORNAL DA CIDADE, Neila explica todos os detalhes da atenção domiciliar. Confira:

Como é feito o cuidado home care dos pacientes? Quais profissionais estão envolvidos e que tipo de cuidados é possível oferecer nessa modalidade? 

A atenção domiciliar ou “Home Care” hoje funciona em várias modalidades, está presente na rede privada através dos convênios, ou no SUS (de forma mais limitada e menos abrangente, basicamente apenas na atenção primária). O cuidado de saúde no “Home Care” é todo e qualquer atendimento realizado no domicílio do paciente, sendo que atualmente é muito diversificado e visa sempre atender as necessidades especificas do paciente que pode ser inserido na modalidade de AD – Assistência Domiciliar, que compreende o monitoramento de saúde e prevenção de agravos com visitas de profissionais de saúde de acordo com seu quadro clínico e as intervenções específicas como a administração de medicamentos endovenosos, subcutâneos e intramusculares, a troca de sondas de traqueostomia, a gastrostomia, a cistostomia, a sonda vesical de demora e alívio. Há ainda a modalidade de ID – Internação Domiciliar que, além das visitas de monitoramento de toda equipe multidisciplinar, compreende a permanência de um profissional de enfermagem no domicílio, uso de equipamentos e mobiliários. Em todas as modalidades o treinamento dos cuidadores é parte essencial. Complementam estes serviços as remoções e os atendimentos de urgência e emergência na residência.

A equipe multidisciplinar é composta por Médico, enfermeiro, Técnico de enfermagem, fisioterapeuta, nutricionista, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo, e assistente social.

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Quais os principais benefícios da atenção domiciliar para o paciente? 

São muitos os benefícios para o paciente assistido em Home Care. Destacamos menor risco de infecção, o ambiente favorável a recuperação da saúde, maior conforto e tranquilidade, inclusive para os pacientes em cuidados paliativos. Há facilidade e economia para o paciente e sua família, menos estresse, participação ativa dos familiares nas decisões e nos cuidados com o paciente, pois também não há locomoção diária para o hospital.

Para o profissional, existe algum benefício em realizar o cuidado diretamente no domicílio do paciente? 

Certamente o nível de estresse é menor que no ambiente hospitalar, com condições melhores de salubridade, menor risco de transmissão de infecções, menor risco ergonômico, e de acidentes de trabalho. Em um hospital, um profissional de enfermagem, dependendo do setor, acaba assumindo vários pacientes, no Home Care o cuidado é dirigido a apenas um e consequentemente a carga de trabalho se torna menor. Além disso, o desenvolvimento de vínculo com o paciente e família é benéfico para os profissionais de saúde, quando bem dosado, pois gera maior contentamento e satisfação na realização das tarefas e visitas.

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Em que casos o home care é indicado e em quais é realmente necessária uma internação hospitalar? Como diferenciar esses casos?

O cuidado domiciliar é indicado ao paciente que necessita de um acompanhamento de saúde em casa. Essa indicação parte normalmente do médico assistente no hospital, contemplando principalmente pessoas totalmente acamadas ou com dificuldade de locomoção que estejam em uso ou não de um dispositivo de assistência (sondas, traqueostomia, cateteres), ou com necessidade de medicamentos endovenosos. A internação hospitalar é feita nos casos de urgência e emergência associado a instabilidade clinica sem possibilidade de reversão no domicílio. Essa avaliação e diagnóstico é feita por médico da urgência ou médico que realiza visita eletiva.

Você acredita que a atenção domiciliar tende a crescer no Brasil? Por quê?

Esse é um serviço em franco crescimento, tornando-se cada vez mais popular por seus benefícios para todos os envolvidos no processo. As demandas cada vez mais crescentes de pacientes com perfil para “Home Care” se devem ao aumento da expectativa de vida, das tecnologias, medicamentos, e procedimentos que proporcionam aumento na sobrevida de pacientes crônicos, em cuidados paliativos ou prolongados (sem possibilidade de cura). No hospital esses pacientes seguiriam muitas vezes sem progressão, ou com qualidade de vida muito limitada, com risco de piora e surgimento de outros problemas de saúde.

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Com o aumento da demanda de pacientes crônicos, as vantagens do serviço domiciliar se estendem também as operadoras de saúde como uma opção de assistência de menor custo comparado as diárias de internação hospitalar que muitas vezes se prolongam e geram custos demasiadamente impactantes na gestão financeira. Além das operadoras, para o hospital também existem benefícios, principalmente na facilitação da gestão e uso de leitos o que também gera impacto na gestão financeira dessas instituições de saúde, abrindo espaço para novos pacientes que realmente possam ter indicação para internação e tratamento hospitalar.

Há quanto tempo você atua nessa área e por que decidiu começar a trabalhar no cuidado domiciliar de pacientes?

Há 3 anos iniciei realizando plantões particulares, e hoje trabalho em uma empresa de Home Care em Belo Horizonte.  Durante a graduação de enfermagem essa área não estava no meu planejamento, mas costumo dizer que a atenção domiciliar foi uma grata surpresa para mim, me apaixonei pela área ao vivenciar o trabalho. Fazer o caminho reverso, do hospital para casa, ao contrário do fluxo exercido por boa parte dos profissionais de saúde é extremamente gratificante. Hoje defendo e acredito muito em todo o potencial e benefícios do Home Care. Antigamente as pessoas nasciam e morriam em casa, convalesciam em casa, sendo que com o crescimento da tecnologia em saúde houve um distanciamento dessa realidade, mas aos poucos estamos redescobrindo e vivenciando essa experiência que acredito ser valiosa para todos os envolvidos no processo, principalmente o paciente.

Como profissional desejo me tornar uma referência em cuidado paliativo domiciliar, oferecendo um serviço eficiente, humano e de qualidade para o enfermo e para a família, com toda a segurança e zelo necessário.

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Qual sua dica para o profissional que deseja se especializar nessa área?

Existem cursos de pós-graduação específicos de “Home Care”, a maioria é multiprofissional (destinado há vários profissionais de saúde). Há cursos não específicos extremamente úteis, pois estão intimamente ligados a área por abordarem dinâmicas muito presentes no “Home Care”, como, pós-graduação em Cuidado paliativo, além de Estomaterapia, e Gestão Hospitalar que também são boas opções que agregam muito conhecimento a quem almeja trilhar os caminhos do “Home Care”.

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