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REDES SOCIAIS SÃO CELEIRO DE DISCUSSÕES POLÍTICAS ACALORADAS

09 de outubro, 2018
Jornal da Cidade BH Notícia boa também dá audiência!

Eleições 2018. No último domingo, 7, confirmou-se o que apontavam as pesquisas: haverá segundo turno para os cargos de presidente da República e governador de Minas Gerais. O assunto, claro, segue ocupando as manchetes dos jornais e também dominam as rodas de conversas de amigos e familiares.

No entanto, as discussões sobre política não têm sido muito produtivas, chegando a abalar as relações pessoais. O JN conversou com a psicóloga, especialista em terapia positiva e comportamental, Daniela Queiroz, para saber até que ponto as conversas mais acaloradas sobre o tema podem interferir diretamente na vida real dos indivíduos e se as redes sociais podem ser prejudiciais em situações como essa.

1) Segundo a ONG SaferNet, que recebe notificações sobre crimes virtuais, o número de denúncias sobre crimes de ódio na internet mais que triplicou nos dias próximos da votação nas eleições 2014 em comparação ao ano anterior. Ainda não há dados sobre as eleições atuais, mas nas redes sociais é possível notar que os ânimos andam exaltados. Quais são os prós e contras das redes sociais em períodos como esse?

Daniela Queiroz: Sem dúvida as redes sociais e os aplicativos de mensagens tornaram-se um espaço democrático para debater, de forma saudável, as mais diversas questões. Mas por outro lado é muito fácil que a discussão saia dos trilhos e vire uma troca de ofensas. Isso porque existe uma cultura da réplica, da contestação no mundo virtual, em razão da possibilidade de comentar nas postagens alheias. O que então era um debate sobre opiniões divergentes vira uma competição na qual as pessoas partem para o ataque. É bastante comum ver amigos ou parentes se excluindo ou se bloqueando em suas redes sociais. Somam-se a isso as inúmeras fake news usadas como base de sustentação do ponto de vista dos indivíduos e o caos toma conta.

2) Como impedir que a discussão política não seja encarada como um tabu já que ela está presente em diversas esferas do cotidiano?

Daniela Queiroz: É importante destacar que o tema pode e deve ser abordado dentro e fora do período eleitoral, pois é um assunto de interesse de todos nós cidadãos. No entanto, algumas pessoas confundem liberdade de expressão com falta de limites. Ninguém é obrigado a concordar com o outro. Dialogar sobre assuntos polêmicos, trocar ideias, defender seu ponto de vista é saudável e necessário em uma democracia, mas sempre com respeito. O indivíduo não pode querer impor a sua opinião de forma agressiva e precisa entender que existe o momento de expor suas ideias e existe o momento do exercício da escuta ativa, ou seja, de ouvir sem julgamento, sem interromper o outro e, claro, sem ofensas pessoais.

3) Voltando às redes sociais, que tipo de comportamento você aconselha para que amizades não sejam desfeitas?

Daniela Queiroz: Se você discorda do post do outro, não comente embaixo dele, use a sua página para expressar a sua opinião. Outra dica é pensar duas vezes antes de escrever qualquer coisa e respirar antes de dar aquela resposta mais atravessada. Pense e repense se vale a pena perder uma amizade, cortar as relações com uma pessoa que você tanto gosta por divergências políticas.