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Premiado executivo fala sobre as conquistas de sua empresa mesmo em meio à crise

12 de dezembro, 2018
Foto: Leonardo Vianna
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Entrevista. “Nosso foco continua sendo na produtividade e eficiência”

Na última quinta-feira, dia 6, o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Cedro Têxtil, Fábio Mascarenhas, recebeu o troféu de Executivo de Finanças do Ano do “33º Prêmio Equilibrista”, em votação realizada por associados do Instituto Brasileiro de Finanças de Minas Gerais (IBEF-MG).

A cerimônia de premiação aconteceu no Buffet Catarina e é considerada pela comunidade de negócios como o principal reconhecimento do setor, por homenagear personalidades que se destacaram em meio a suas realizações, ao longo de suas carreiras e atividades exercidas no ano.

Estar na direção financeira de uma empresa sólida e com mais de 146 anos de atuação ininterrupta não é tarefa fácil, principalmente quando o País vive uma de suas crises mais importantes da história.

Em entrevista para o JORNAL DA CIDADE, o executivo atribui a superação da Cedro Têxtil ao engajamento dos mais de 3.500 colaboradores e à ousadia da empresa de manter redirecionamento estratégico para se fortalecer no mercado de jeans premium em um momento de queda da atividade econômica, que reduziu drástica e rapidamente a demanda.

JORNAL DA CIDADE Como foi essa mudança de mercado da Cedro Têxtil? Vocês optaram por mudar de posicionamento no momento da crise de 2015 ou já haviam iniciado o processo antes?
FÁBIO MASCARENHAS A migração para uma linha de produtos premium, de maior valor agregado, já vinha sendo articulada desde meados de 2010, quando adotamos o posicionamento estratégico de nos diferenciarmos por meio de um produto que tivesse um padrão qualidade ainda maior em comparação ao que era ofertado à época.

Para isso, nos preparamos comprando maquinário, desenhando uma nova linha de comunicação e marketing, reorganizando as equipes de vendas e adquirindo os insumos necessário para que, no ano de 2014, déssemos início a produção do denim premium.

Foi exatamente nessa época que o mercado começou a sinalizar que uma das piores recessões do Brasil estava por vir e, em uma decisão corajosa da companhia, optamos por não recuar e concretizar a mudança de posicionamento, apesar de estarmos atuando em um setor complexo, marcado pela hiperconcorrência – o que se agravou especialmente a partir de 2015.

E quais foram as medidas tomadas de imediato, para que a empresa não sucumbisse à crise?
Em 2015, a demanda chegou a cair 50% em um curto espaço tempo. Tivemos que tomar uma atitude inevitável: compatibilizar o tamanho da Cedro a esta nova realidade de mercado. Assim, eliminamos um turno de produção e enxugamos o número total de colaboradores, a começar pela diretoria e gerência, que tiveram sua estrutura reduzida.

Mas fizemos tudo de forma muito criteriosa, por meio da não renovação de contratos e cortes diluídos ao longo do ano, sempre evitando a demissão de pessoas da mesma família, porque valorizamos e respeitamos as pessoas que compõem nossa força de trabalho. Muitos desses trabalhadores foram recontratados posteriormente, quando a demanda se recuperou, e já estão trabalhando novamente conosco.

Nos anos seguintes, como a Cedro conseguiu retomar o crescimento?
Sem dúvida houve uma série de medidas tomadas em todas as áreas, que contribuíram para esta recuperação. Mas, se tiver que resumir este momento, com certeza o mais importante foi acreditar na estratégia definida anteriormente e manter nosso foco de trabalho para a mudança no perfil de produtos, consolidando nossa participação no mercado premium.

No que diz respeito à gestão financeira, atuamos firmemente na administração do capital de giro, na busca de alternativas inovadoras de financiamento e no alongamento do endividamento.

Muitas ações continuam em curso, mas já é possível perceber que o que já foi conquistado contribuiu para que a Cedro superasse adversidades a partir de 2016, com uma ótima recuperação especialmente em 2017, quando registramos um aumento de 24,2% na Receita Bruta, em comparação com o ano anterior.

Hoje estamos operando no máximo de nossa capacidade produtiva, entregando em média mais de 6 milhões e meio de metros por mês em nossa linha de tecidos para uniformização profissional (Workwear) e para o mercado Jeanswear.

Assim, atendemos às mais diversas confecções do Brasil e da América Latina produtos com um forte apelo de moda e uma grande variedade de potenciais de stretch, tingimentos e cores.

Falando sobre os produtos, quais são os diferenciais da Cedro hoje?
Acabamos de lançar em São Paulo a nova coleção Jeanswear, batizada “Nós”, com novidades em jeans e sarjas para o mercado, já antecipando as tendências para 2020. Foi um trabalho muito bonito de nossa equipe de estilistas, pesquisadores e marketing.

A Cedro faz pesquisas pelo mundo afora para trazer inovações e o que há de melhor em tecnologia, mas sempre procuramos adequar ao gosto do brasileiro, ao nosso jeito de vestir. Não poderia ser diferente.

Temos raízes no País, essa é nossa identidade. Por isso, fizemos questão de fazer um editorial na cidade mineira de Catas Altas, unindo culturas regionais como o Maracatu de Recife e o Congado de Minas Gerais.

E o que esperar da Cedro Têxtil em 2019?
Nosso foco continua sendo na produtividade e eficiência, seguindo o mesmo direcionamento comercial que permitiu à empresa atravessar momentos de intensas dificuldades.

Com estoques controlados em níveis mais baixos, processo industrial mais enxuto e contínuo, maior engajamento dos colaboradores, temos garantido produtos e soluções adequados aos clientes, o que constitui a receita para um crescimento sustentado nos próximos anos