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Pesquisa avalia prática da terapia nutricional em hospitais de MG

03 de maio, 2018
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Da Escola de Enfermagem da UFMG. A implementação da gestão da qualidade na terapia nutricional (TN) com o estabelecimento de protocolos clínicos e ferramentas de monitoramento, além da presença de equipe interdisciplinar de terapia nutricional (EITN), são estratégias que contribuem com a redução da desnutrição e melhoram o custo-efetividade da TN. Uma pesquisa realizada pela nutricionista Mel Mariá Assunção Gomes, no Mestrado em Nutrição e Saúde da Escola de Enfermagem da UFMG, destinada a avaliar a qualidade da terapia nutricional em hospitais públicos, privados, filantrópicos e universitários no Estado de Minas Gerais revela que os cuidados nutricionais não contemplam a regulamentação nacional.

“Ficou evidente que muitos hospitais não cumprem os quesitos necessários para realizar assistência nutricional de qualidade e segura aos doentes. Foram selecionados 148 hospitais, 77,7% não participaram e a maior parte, 54,7%, recusou a participação. Os resultados do nosso trabalho mostraram número restrito de intuições mineiras interessadas em medir a qualidade dos serviços de Terapia Nutricional oferecidos a população. Estudos apontam que os hospitais que têm equipes interdisciplinares de TN apresentam resultados melhores de qualidade e com impacto financeiro significante”, enfatizou.

Ela pontuou que a avaliação da qualidade da terapia nutricional é imprescindível e deve ser vista como parte integral do cuidado ao doente e relatou que no Brasil, o interesse pela avaliação da qualidade é recente e crescente, já que tanto os gestores hospitalares, quanto os profissionais da saúde e os próprios doentes parecem ter algum conhecimento do assunto. “No entanto, no que concerne à prática de TN, os estudos na área são escassos no mundo e, em particular, no Brasil. Para o nosso conhecimento, este é o primeiro que avaliou a qualidade da TN no estado de Minas Gerais”.

De acordo com Mel Mariá, a pesquisa foi realizada em 33 hospitais, onde a maioria possui Equipe Interdisciplinar de Terapia Nutricional, no entanto, todas as instituições que praticam qualquer forma de TN deveriam ter. “É lamentável que mesmo diante da obrigatoriedade e das evidências que demonstram o impacto da EITN na melhoria da qualidade dos atendimentos e dos resultados, com consequente redução dos custos em TN, a existência da EITN não seja a realidade de muitos serviços”, enfatizou.

Ela destacou, ainda, que ferramentas para monitoramento da prática da TN, foram identificados na minoria e que essas são importantes para os profissionais identificarem as falhas nos protocolos e na assistência prestada. “Tais achados denotam atuação insatisfatória das equipes e cerca de 70% dos profissionais relataram que a equipe não era compatível com a demanda do hospital. A aquisição, o manuseio de insumos e a preparação da terapia nem sempre foram realizadas pelos profissionais de competência. Além disso, a avaliação da prática clínica revelou que os cuidados nutricionais não contemplaram as recomendações. Isso pode explicar porque a alta prevalência de desnutrição evidenciada nos hospitais do país ao longo dos anos permanece inalterada”.

Perspectivas
O estudo aponta para a necessidade de ações que visem a implementação da gestão da qualidade nos serviços de TN, a fim de proporcionar assistência nutricional adequada aos pacientes. “A terapia nutricional, muitas vezes, tem os resultados e o impacto positivo na abordagem holística do paciente, em especial daqueles com estado nutricional comprometido questionados. Isso tem gerado publicações divergentes, o que nos leva a pensar se é de fato inexistência de benefícios ou inadequação da terapêutica”.

Ainda de acordo com a pesquisadora, o fato de existirem equipes, protocolos e prescrições não significa que a terapia nutricional é administrada corretamente, que as complicações são evitadas e que eventuais eventos adversos são abordados efetivamente. “O princípio de custo efetividade à luz do que está a ser praticado é abstrato e questionável. É urgente demandar que as regras existentes no país sejam de fato respeitadas. Auditorias externas, por parte do poder público ou de convênios, deveriam ser a rotina e, assim, então poderia ser feita a verdadeira análise de custo efetividade”, concluiu.

Foto: Rosânia Felipe/Assessoria de Comunicação da Escola de Enfermagem da UFMG


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