Jornal da Cidade BH | Notícia boa também dá audiência!

Entrevista com Thaíne Belissa

05 de julho, 2019
Jornal da Cidade BH Notícia boa também dá audiência!

Entrevista. Jornalista mineira cria podcast que usa literatura infantil para falar das metáforas da vida

Poucas expressões são tão poderosas quanto “era uma vez”. Basta começar a contar uma história para atrair a atenção de um público diverso. E é esse o ponto de partida do Conto Reconto, projeto da jornalista Thaíne Belissa, que foi transformado em um programa de podcast.

Com o bordão “uma pílula de leveza para o dia”, os episódios têm uma história infantil, uma crônica e um quadro de entrevistas. Para a jornalista, a literatura infantil tem o poder de despertar os adultos para riquezas da vida.

Thaíne Belissa é jornalista há dez anos e trabalhou nos principais jornais de Belo Horizonte, tendo se destacado na cobertura de inovação e tecnologia, tema que lhe rendeu três dos seus quatro prêmios de jornalismo.

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Ela também é pós-graduada em Neurociências Aplicadas à Educação e estudou o potencial das histórias para auxiliarem as crianças na elaboração de suas angústias, conflitos e desafios.

Nesta entrevista ao JORNAL DA CIDADE, ela conta sobre sua iniciativa.

JORNAL DA CIDADE De onde surgiu essa ideia de contar histórias de criança para adultos?

Thaíne Belissa As histórias fizeram parte da minha infância de uma forma muito bonita: meus pais sempre tinham um livro à mão ou uma história na ponta da língua. A questão é que eu nunca superei a literatura infantil: ela continuava me emocionando depois de adulta.

Então decidi compartilhar essa riqueza que eu enxergo nessas histórias e escolhi o formato de podcast. Mas eu sempre digo que literatura infantil não é para qualquer adulto: é só para aqueles que não são chatos demais e que sabem que não têm resposta para tudo.

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E de que forma a literatura infantil pode acrescentar na experiência de um adulto?

É claro que não é qualquer livro infantil que tem toda essa riqueza que eu estou defendendo. Estou falando de literatura infantil de qualidade, que é capaz de emocionar, divertir e ensinar crianças e adultos. Também não vejo as histórias como medicamentos que devem ser “receitados” para cada situação.

Gosto de enxergá-las como uma bela salada de frutas: faz bem para a saúde, mas também é deliciosa. Acredito que a literatura infantil pode ajudar na saúde emocional de crianças e adultos, porque elas estão cheias de metáforas para a vida. Além disso, elas permitem que a gente viva na fantasia de coisas que, no mundo real, não temos coragem ou oportunidade.

Como você escolhe os livros e os temas a serem abordados?

Eu leio muito sobre literatura infantil e sigo diversos estudiosos do tema. Alguns dos livros que compartilhei no Conto Reconto foram recomendações dessas pessoas. Mas é claro que eu uso muito meu coração na hora de escolher.

Não tem jeito: literatura infantil é coração, Os temas para a crônica e para a entrevista são uma condução natural da narrativa. Mas eu sempre lembro que a minha abordagem é apenas um dos muitos caminhos para onde aquela narrativa pode nos levar.

E por que podcast?

O podcast é uma mídia em que você se aproxima muito do seu público: as pessoas escutam você em suas rotinas, lavando vasilhas, dirigindo ou fazendo exercícios físicos. E a sensação que passa é que estamos todos juntos ali batendo um papo como se nos conhecêssemos há anos.

Além disso, é uma mídia democrática, pois não exige muitos investimentos para começar, e um formato em ascensão no Brasil. Hoje, já estamos nos principais agregadores de podcast, inclusive Spotify e iTunes.

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Quais são os seus planos para o Conto Reconto?

Hoje o Conto Reconto é um projeto autônomo e sem nenhum tipo de financiamento ou patrocínio. Na prática isso significa que eu não consigo dedicar tanto tempo a ele, porque preciso ter um emprego formal.

Meus planos são monetizar o podcast por meio de um programa de apadrinhamento por crowdfunding. Além disso, eu penso em oferecer o modelo do Conto Reconto no formato de palestras e treinamentos para organizações que quiserem tratar de temas como inovação e comunicação a partir da contação de uma história. É bem mais envolvente do que um treinamento tradicional e chato, não é?

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