Jornal da Cidade BH | Notícia boa também dá audiência!

Entrevista com o delegado Vinícius Dias

06 de setembro, 2019
Jornal da Cidade BH Notícia boa também dá audiência!

Tecnologia contra o crime. Delegado ressalta a importância da especialização cada vez maior dos policiais civis para aperfeiçoar as investigações

A especialização cada vez maior dentro das delegacias e a tecnologia têm contribuído para a redução de alguns tipos de crimes, tais como os contra o patrimônio, a lavagem de dinheiro e o estelionato. Esta é a constatação do delegado Vinícius Dias, titular da 3ª Delegacia Sul – Delegacia Especializada (estelionato, crimes contra o patrimônio, investigação de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas), que abrange a Zona Sul da capital.

“É a região onde acontecem os crimes de maior repercussão”, observa o policial, que também é professor universitário, onde ensina as disciplinas de Direito Penal e Processo Penal (graduação da Milton Campos) e Gestão Empresarial – Contratos Oriundos de Fraude (MBA da Fumec).

Nesta entrevista ao JORNAL DA CIDADE, ele conta sobre os processos utilizados nas operações policiais, a importância de policiais cada vez mais experts em assuntos específicos e como foi o processo de desmantelamento de uma quadrilha de roubava relógios Rolex em BH.

JORNAL DA CIDADE Quais as ocorrências mais comuns na delegacia que está sob sua supervisão?

VINÍCIUS DIAS Em virtude da capacidade econômica de quem reside nos bairros que fazem parte da área operacional da delegacia, acontecem mais crimes contra o patrimônio, furtos e roubos a veículos e residências, além de várias práticas de estelionato. Há também casos de apropriação indébita, ou seja, o uso de interpostos de pessoas, os chamados popularmente de “laranjas”. Lavagem de dinheiro, falsificação de documentos públicos e particulares também fazem parte de nossa rotina.

E quem são os principais alvos dos bandidos?

No caso dos estelionatos são as pessoas idosas. Pelo fato de serem mais desatualizados em termos de tecnologia, viram presa fácil.

Qual a estrutura da delegacia?

Entre os que trabalham direta e indiretamente são 20 profissionais, entre investigadores, escrivães e peritos. Eles atuam em suas áreas de investigação, por isso, tento encaixar cada um deles na especialidade onde possuem maior aptidão. Hoje a Polícia Civil tende a aumentar o efetivo nas delegacias especializadas, aquelas em que os profissionais são especialistas em determinadas áreas. Isso favorece uma investigação mais qualificada, visando desmontar as principais organizações criminosas.

Como é o mecanismo de investigação?

Abrimos uma investigação através de boletins de ocorrência, que são as notícias crimes registradas pelas vítimas, requisições dos membros do Ministério Público e do Poder Judiciário e também via denúncias anônimas, através de telefone 0800 do Disque-denúncia, sejam elas feitas por moradores ou pessoas jurídicas.

Como estão as estatísticas da segurança pública na área da delegacia?

No geral, os crimes contra patrimônio apresentaram uma redução de 12,5% de janeiro a julho em relação a 2018, devido ao avanço dos meios tecnológicos de investigação. Notamos que está havendo uma migração de crimes na rua para os crimes virtuais. E com o avanço da tecnologia, a investigação consegue ser mais eficiente. Quanto aos crimes cibernéticos também houve queda de 8% a 9% de janeiro a julho deste ano ante o mesmo período de 2018. Em contrapartida, por causa da redes sociais, teve aumento de crimes de calúnia, difamação e injúria. Em torno de 13%, também no mesmo período de janeiro a julho.

Recentemente, a delegacia supervisionada pelo sr. desarticulou uma quadrilha de roubos de relógios da marca Rolex em BH. Como foi a atuação da sua equipe neste caso?

Durante sete meses, tivemos que identificar como era a mecânica e como desenvolvia a conduta dos criminosos. Eles se dividiam por tarefas: um agente realizava a inspeção visual das vítimas, buscando quem usava o Rolex original. Havia o agente que telefonava para o motoqueiro que já estava a postos na região, a fim de repassar as características da vítima, do seu veículo e vestimentas. E a partir daí dava a ordem para que ela fosse seguida até residência ou semáforos para realização da abordagem.

Como vocês chegaram a esta quadrilha?

Recebemos informações, através de denúncias, que entre janeiro a julho foram roubados 22 relógios na nossa região. Utilizamos 13 investigadores nesta operação até prendermos parte da quadrilha em agosto. Todos foram processados e alguns já estão presos e os demais têm mandados de prisão expedidos. Eles vão responder por organização criminosa, receptação e roubo qualificado. A somatória pode chegar a 13 anos de reclusão.

Como a vítima pode recuperar o bem roubado?

Basta se dirigir à delegacia, com o certificado do relógio e nota fiscal. A devolução é feita na hora, sem a necessidade de processos internos ou burocracia.

Quais as recomendações para os cidadãos de bem não serem vítimas?

Sugiro manter o objeto de valor sempre perto de seu campo de visualização. Prefira estar acompanhado (a) e observe, quando estiver dirigindo, se existem pessoas em motos ou em outros veículos o seguindo. A atenção deve ser redobrada próximo da residência, pois 75% dos casos acontecem neste momento.

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