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Coluna Danielle Benício

Paris
Há quase sete anos atrás, quando morei em Paris, pude aprender com os franceses a técnica da alta-costura. Aquela "escola" seria um divisor de águas na minha vida. Seria impossível não retornar à cidade por diversas vezes, já que havia me acostumado com tanto combustível para minha criatividade.
E assim tem acontecido: anualmente, se não duas vezes ao ano, passo alguns dias por lá e volto cheia de croquis, fotografias, textos, e ideias.  Em novembro deste ano, pude ver as cores do outono da Cidade da Luz, seguir meu roteiro de sempre, e escapar dele muitas vezes.
Visita a museus sempre foi fonte de inspiração. Os principais, Louvre e D'orsay, são imperdíveis. Um dos vestidos importantes da minha última coleção, que inclusive foi destaque de uma revista, como capa, foi desenhado após observação de uma tela do século XVI.
Percorrer antiquários de luxo e feiras de antiguidades também me enriquece. Desenhos para meus bordados são comumente retirados de molduras e detalhes de móveis Luiz XV. Joias e botões antigos podem servir de inspiração para novos laços, novas aplicações.
Costumo andar pelas avenidas sempre de olho atento às vitrines e às pessoas. Observar o que elas usam, confirmar tendências de comportamento e, após algumas horas dessa busca, poder sentar-me num típico café parisiense e anotar e desenhar tudo o que vejo. Sem contar as muitas fotografias que registram tantas informações e belezas.
Feiras livres de gravuras às margens do Rio Senna também me encantam. Por lá, sempre me deparo com artistas desenhando e acabo aprendendo um novo traço, ou enxergando através deles um ponto da cidade que ainda não conheço.
A viagem também me inspira às compras. Uma loja que sempre visito é a Sennelier, especializada em material para desenho e pintura, que é um oásis para meus croquis. De lá, sempre volto abastecida de meus grafites especiais.
Tiaras, flores de seda pura, aviamentos, tesouras francesas, além do meu encontro com os tecidos e rendas: sempre algo especial. Boa parte da minha viagem, eu passo com eles. Uma escolha difícil, já que a vontade é de importar tudo. Mas, ao mesmo tempo, deliciosa, pois ao tocá-los já passo a imaginar no que se transformarão e quem vestirão.
Aguçar os sentidos antes dessa experiência: esse é meu segredo e minha sugestão para quem quer conhecer Paris profundamente.

Mais dicas no meu Twitter: @daniellebenicio